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11 jun09:31

Partidos têm desafio de cumprir lei sobre candidaturas femininas

A regra que exige a participação de pelo menos 30% de mulheres nas chapas para eleições proporcionais levou às urnas em 2010 uma série de candidatas “laranjas”, aquelas que emprestaram seus nomes ao partido apenas para cumprir a legislação. Nas eleições municipais, esta será a primeira em que a norma será aplicada, e o desafio dos partidos de preencher a lista feminina deve ser ainda maior, especialmente em cidades pequenas. 

Candidata a deputada estadual em 2010 e presidente do PSD Mulher, Rose Bartucheski admite que há dificuldades em encontrar mulheres que tenham interesse em participar da vida pública. 

— As mulheres não estão mais aceitando preencher cotas, elas querem seu espaço com dignidade. 

No PSD, de acordo com o presidente estadual da sigla, deputado Gelson Merisio, há também o agravante de o partido ser recém-criado e ainda ter poucos filiados. 

— A participação da mulher na política ainda é um fato que é novo, de 10, 15 anos. Houve um aumento, mas ainda é bem aquém do que deveria ser — avalia Merisio. 

Para a deputada estadual Ada de Luca, terceira vice-presidente do PMDB, todos os partidos terão dificuldades nesta eleição porque dentro das próprias siglas as mulheres ainda precisam “travar lutas” para conseguir espaço. Ada acredita que a cota foi uma vitória feminina. 

Assim como ela, a pré-candidata a prefeita da Capital e presidente do PC do B, deputada Angela Albino, acredita que as cotas podem ajudar a aumentar a participação feminina na política, mas diz que essa precisa ser uma medida transitória. Angela afirma que vai conseguir cumprir a lei e que tem a preocupação de não usar “laranjas”. 

Mas a eficiência da medida de cotas é questionada inclusive por mulheres. A presidente nacional do PP-Mulher, Beth Tiscoski, diz que é contra e acredita que é preciso motivar as mulheres nos partidos. Ela disse que a sigla incentiva a participação feminina, mas que tem dificuldades em encontrar mulheres que queiram ser candidatas. 

A prefeita de Camboriú e secretária-geral do PSDB, Luzia Coppi, também concorda que os partidos devem aumentar a adesão das mulheres não apenas em ano eleitoral. 

— Tem que ser feita política partidária para chamar as mulheres, fomentar mais a participação das mulheres nos diretórios, chamá-las para as decisões e não lembrar só na época de campanha — afirma. 

A ministra Ideli Salvatti (PT) defende as cotas, mas acredita que a medida não é suficiente para garantir a participação. Mesmo reconhecendo que diversos partidos têm candidatas apenas para preencher a exigência legal, ela diz que já conheceu mulheres que aproveitaram a brecha e foram eleitas. 

— Muitas vezes isso pode acontecer e acontece (laranjas). Mas ao fazer isso, muitos permitiram que mulheres que sequer tinham possibilidade de participar da política pudessem surpreender.

DIÁRIO CATARINENSE

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Um Comentário »

  • Rodrigo disse:

    Discordo que falta espaço para elas. Falta é vontade de participar da politica, como ocorre com a maioria dos brasileiros que cruzam os braços ao inves de participar quando o assunto é politica. Temos um partido em Bal.Camboriu e temos muitas dificuldades em trazer mulheres para o meio politico e isso não é devido a falta de espaço!!

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