Júlio César, eu e o JEC? O que tem uma coisa com as outras? Só não sabe quem não esteve no Estádio Couto Pereira, em Curitiba, naquela tarde de 4 de julho de 1996.
Gente! É Copa do Mundo! Sei que esse espaço aqui é para falar do Joinville. Mas, tem como não falar da Copa em tudo o que é lugar?
E sempre que vejo o goleiro da Seleção, aquela tarde de 4 de julho me vem à cabeça. Agora, com Júlio César tão perto de se tornar o melhor do mundo definitivamente (para mim ele já há muito tempo) lembro de tudo com mais intensidade.
Sim. Com a camisa do Joinville vivi um dos momentos mais incríveis de minha vida. Conto essa história sempre, repetidamente, um milhão de vezes. E não seria aqui, no meu blog, com Julio César na Copa, que ela não apareceria.
Era um Campeonato Brasileiro sub-alguma coisa. Joinville x Flamengo. Jogo da minha vida. Estava tão nervoso que quando fui colocar as ataduras nos tornozelos percebi que meus dedos das mãos estavam esverdeados.
No vestiário, o saudoso técnico Ratinho me chamou para algumas instruções. A voz dele saia em eco, como naquelas cenas de filme em que a pessoa está enlouquecendo. Não entendia nada. Pensei: “Vou falar pra ele que senti a coxa.” Mas aí, ou meu pai me expulsava de casa ou me mandava estudar em período integral.
Mas, bastou a gente subir para o gramado e eu ver aquela camisa vermelha e preta e uma vontade danada tomou conta de mim. Queria sair chutando tudo, quebrando geral.
Não agüentava mais ouvir falar que o goleiro deles era o cara de todas as seleções de base. Ia quebrar esse tal de Júlio César.
A hora chegou aos 29 minutos do segundo tempo. Eu e a bola na meia-lua da grande área. Júlio César entre a marca do pênalti e a linha da pequena área. A gente se olhou durante eternos dois segundos.
Pude ler seus lábios: “não faz isso.” Eu ainda sorri antes de tocar na bola cuidadosamente, com a pontinha do pé. Por cobertura. Enquanto a bola seguia o trajeto até o gol, o estádio ficou num silêncio só.
Terminou com o barulho da rede balançando. Aí todo mundo aplaudiu. Menos Júlio César. Ele se abaixou, apoiou as mãos no joelhos e fixou o olhar na grama.
Eu não consigo contar o que aconteceu depois. Nem os maiores gênios da literatura conseguem descrever os sentimentos que tomam conta de uma pessoa nos 10 segundos que sucedem um gol.
Essa é uma das histórias mais fascinantes da minha vida. E tem gente que fala que eu não gosto do JEC. Como pode, se eu vivi coisas incríveis vestindo a camisa do Joinville?
Tudo bem que sobrou pouco. Alguns recortes da época do Jornal A Notícia, uma nota na coluna do Maceió quando eu troquei o futebol pelo jornalismo (eu provo) e a foto que está no final deste post. Foi tirada exatamente naquela tarde de 4 de julho. Dia em que eu fiz um gol no Júlio César (sou o segundo agachado da esquerda para a direita. Atrás de mim está o Cris, zagueiro do Brusque que jogou contra o JEC na final do turno da Copa SC).
O bom mesmo a gente guarda na memória. Na minha e tenho certeza de que está na de Júlio César também. Ele nunca esqueceu daquele 4 de julho de 1996.
Queria estar na África do Sul e trocar uma idéia com ele. Sei bem como seria o nosso bate-papo.
Eu: “e aí, Júlio.”
Ele: “e aí. Você é aquele cara que...”
Eu: “Sim, que fez um gol em você.”
Ele: “Sabia. Faz tempo. Tá fazendo 14 anos.”
Eu: “Sim, dia 4 de julho.”
Ele: “Mas você engordou, né?”
Eu: “Um pouco (risos). É que parei de jogar logo depois daquele gol. Cerveja, churrasco com amigos...
Ele: “Que pena. Poderia estar aqui com a gente hoje (muitos risos, o Júlio é um cara maneiro).
Eu: Pois é. Mas virei jornalista.
Ele: “Sei. Leio o seu blog. E o JEC, com está?”
Eu: Esteve mal, mas está melhorando. Mas, valeu. To indo. Não vá tomar gol por cobertura na Copa.
Ele. “De novo não. Chega (bate na madeira três vezes). Valeu, a gente se vê.”
Pois é. Infelizmente não fui pra Copa nem como jogador nem como jornalista. Mas, quem sabe esse papo vira realidade em 2014, no Brasil. Afinal, depois de 4 de julho de 1996, Júlio César nunca mais esqueceu daquele gol, nem de mim, nem do Joinville.
Torço muito pelo Brasil na Copa. Quero escrever um dia que já fiz gol no goleiro campeão do mundo.
