Sempre que Joinville amanhece com céu azul como na manhã desta quarta-feira, o técnico Leandro Machado levanta as mãos e agradece o Papai lá de cima. Edinho Nazareth, Mauro Ovelha, Sergio Ramírez e tantos outros já faziam isso.
Leandro sabe que, assim, será mais fácil encontrar campo para treinar. Afinal, qualquer chuvisco pode acabar com a programação do Joinville.
Qualquer chuvisco ou qualquer lona. Foi assim nesta terça-feira.
O Joinville foi treinar no campo da Aviação, clube amador da zona Norte da cidade. Aqueceu e, de repente, o dono do gramado literalmente entrou em campo.
Exigiu que fossem colocadas lonas nas áreas pequenas, onde ficam os goleiros. Esse é um procedimento normal nos treinos de clubes de futebol. O problema é que o pessoal do Joinville não levou a lona.
A delegação pensou em voltar e terminar o treino na Arena. Até um e-mail com essa informação a assessoria de imprensa do clube enviou aos veículos de comunicação.
Mas, depois de algum tempo de conversa, o JEC treinou no gramado da Aviação mesmo, usando só a parte lateral.
Como escrevi na coluna Bastidores do JEC, na edição impressa de "AN", o problema não foi esquecer a lona. O problema é o JEC não ter onde treinar. O problema é depender da boa vontade dos donos de campo de futebol.
Tem muita gente que adora falar que ajuda o JEC por ser apaixonado pelo clube. Tem muita gente que diz que trabalha pelo JEC porque acompanha o clube desde 1976, viu os 12 títulos Estaduais, as glórias de Nardela e tudo mais.
Chega desse papo. O Joinville não precisa de doações e caridades. O Joinville precisa de estrutura e profissionalismo. Melhor um avaiano na diretoria tricolor pago e agindo com a razão a um tricolor fanático trabalhando apenas pela paixão.
Lugar de torcedor é na arquibancada.
O que aconteceu no treino do Joinville nesta terça-feira não se pode admitir, principalmente em um momento tão decisivo para a vida do clube.