
Jhonatan estreou pelo Joinville aos 20 anos e justamente em um clássico. É inegável que a torcida tricolor foi para a Arena ver o JEC enfrentar o Criciúma, domingo passado, apreensiva. Não sabia como o jovem goleiro iria se comportar. E Jhonatan não decepcionou. Foi pouco exigido, é verdade, mas nos lances em que participou demonstrou atitude de veterano. Surpresa para todos, menos para Ivan.
Suspenso, o titular, amigo e conselheiro estava na arquibancada. Aplaudiu, ficou nervoso e sentiu vontade de entrar em campo porque não está acostuma a ficar fora. Mas não por medo do que Jhonatan faria. “Com o leão morto, aparece um monte de herói do lado para bater foto. Sei que um monte de gente duvidava. Eu nunca duvidei da capacidade dele. Treino com ele todos os dias e não tinha motivos para isso”, falou.
Quando o árbitro encerrou a partida e o Joinville venceu o Criciúma por 3 a 0, Ivan foi até o vestiário, abraçou Jhonatan e os dois choraram porque têm histórias de vida bem parecidas. “Ele estreou com 20 anos em um clássico, com estádio cheio. Eu saí da roça com 19 para jogar como profissional. Ele quase foi dispensado no começo do ano e deu essa resposta em campo.”
Perguntado se compraria os direitos de Jhonatan se fosse empresário do futebol, Ivan esbanjou sinceridade. “Esse não é meu negócio, mas o clube tem de ficar atento, ligado, para não perder um profissional como esse rapaz.” Com um salário de R$ 1,5 mil por mês, o contrato de Jhonatan com o Joinville acaba no final do ano.
Preparador não esconde alegria
O sucesso de Ivan e, agora, de Jhonatan faz o preparador de goleiros do Joinville rir à toa. Michel Schumacher já ocupou o lugar dos pupilos e parece impossível esconder a felicidade com o resultado do trabalho. “Não tem como ser diferente. A gente fica muito feliz com tudo isso”, fala.
Schumacher lembra que recebeu Jhonatan nas divisões de base há quatro anos. Sabia da qualidade do jovem goleiro, mas confessa uma certa apreensão na partida contra o Criciúma. “Na parte técnica, não foi surpresa. Tinha um ponto de interrogação em relação à pressão que existia sobre ele. Sabia que ele ia bem, mas confesso que não esperava tanto.”
O preparador aponta as diferenças de personalidade entre os dois goleiros. “Ivan tem aquela coisa de ser goleiro nato. Ele entra em campo sempre tranquilo. Vai lá e resolve. O Jhonatan é trabalho duro, sempre focado, conversa muito sobre o que tem de melhorar e trabalha.”
De uma coisa, Schumacher tem certeza: o Joinville não pode reclamar de goleiros. “O Ivan trouxe uma tranquilidade gigante ao clube. O Jhonatan provou que tem chance de ser ídolo aqui.”
E o Joinville ainda tem Jair, que se recupera de uma lesão no dedo da mão direita. “Em 15 dias, ele estará treinando normalmente”, comenta Michel.