
Raro, inusitado e polêmico. Três adjetivos que definem o lance capital da partida entre Joinville e Atlético/PR, na noite de terça-feira. O árbitro marcou pênalti a favor do JEC, mas voltou atrás na decisão quando Lima já estava posicionado para cobrar e com todos os outros jogadores já fora da grande área.
O lance gerou a suspeita de que o quarto árbitro poderia ter avisado sobre o erro com a ajuda de recursos tecnológicos, o que não é permitido. Caso comprovado, a partida poderia até mesmo ser cancelada. A reportagem de “A Notícia” localizou o árbitro do jogo, Francisco Carlos do Nascimento, que explicou todas as polêmicas decisões do confronto que, para ele, foi um dos mais difíceis de apitar em sua carreira. Ele deixou o gramado bastante criticado pelos dois times, mas sobretudo pelos atletas do JEC.
Procurado pela reportagem de “A Notícia”, o juiz se diz convicto de suas marcações. Ele reconhece que houve demora para tomar decisão no lance mais contestado da partida. Ele deu pênalti em cima de Lima quando o jogador foi derrubado fora da área, mas voltou atrás quando a cobrança estava prestes a ser realizada.
Questionado se a marcação teria sido revista por influência do quarto árbitro, que poderia ter se informado sobre o lance por meio de recursos tecnológicos – que não são permitidos no futebol –, Nascimento foi enfático ao negar. Ele diz que uma falha no sistema de comunicação entre os três árbitros foi o motivo da demora.
O juiz de 34 anos entrou para o quadro de arbitragem da Fifa no início deste ano. A insígnia que é a mais desejada pelos homens do apito carrega um grande fardo. “Existe uma cobrança muito grande. Por ser da Fifa, os atletas acham que não temos o direito de errar, mas somos seres humanos como qualquer um e também estamos sujeitos a erros”, desabafa o árbitro.
A Notícia – Você voltou atrás na decisão de marcar o pênalti para o Joinville. O que aconteceu exatamente naquele momento?
Francisco Carlos do Nascimento – É um lance que ninguém imagina. A bola estava com o defensor e eu já estava me posicionando para sair em diagonal. Ninguém imagina que um erro de passe daqueles iria acontecer e eu fui pego de surpresa. Marquei o pênalti. A bandeirinha disse que falou para mim no rádio que achava que era fora, mas como estava chovendo eu não ouvi.
AN – Mesmo assim, ela correu em direção à linha de fundo, confirmando a sua marcação.
Francisco – Exatamente. Ela não seguiu o protocolo, deveria ter ficado parada. Como o rádio não estava funcionando, eu tive que ir até lá falar com ela.
AN – O quarto árbitro avisou ela sobre o erro?
Francisco – De maneira alguma. Não teve participação do quarto árbitro. Ela viu e chamou a minha atenção. O importante é que, no final das contas, aquilo que foi decidido estava certo e não interferiu no resultado do jogo.
AN – Por que houve a demora entre a marcação do pênalti e a mudança de decisão?
Francisco – Justamente porque deu problema no rádio. Eu não sei dizer se foi por causa da chuva ou foi um problema de bateria, mas quando ela chamou a minha atenção, eu fui até ela e percebi que precisava voltar atrás na marcação da penalidade.
AN – Na partida, ainda existiram outros dois lances polêmicos: a expulsão de Bruno Tiago e o pênalti para o Atlético/PR. Você reviu os lances após a partida?
Francisco – Revi. Foram dois cartões que não teria como não dar. O atleta fez duas faltas e as duas foram para levar amarelo, tanto é que ele nem reclamou ao ser expulso. Sobre o pênalti, eu mantenho minha decisão. O defensor do Joinville estava com o braço nas costas do adversário. Não tem o que discutir.
AN - Pela quantidade de lances polêmicos, você diria que esta foi a partida mais difícil que já apitou?
Francisco – Foi muito difícil. Quando cheguei no vestiário, agradeci a Deus por ter tomado a decisão correta. Tudo isso serve de experiência para que, na próxima vez que um lance como este acontecer, eu não demore tanto para tomar a decisão.