Imagine a cena perfeita: final de Campeonato Brasileiro com o estádio lotado, o seu time goleia o adversário por 4 a 0 e é campeão, o acesso à Série B já está garantido. Não teria como ser melhor, certo? Não para o joinvilense Adriano Braga, que estava no local certo e no momento certo, para agarrar a bola chutada pelo lateral Eduardo para a torcida e ir para casa com o símbolo da mais importante vitória do Tricolor em sua história.
Foi tudo muito rápido. Quando ele notou, a bola já havia batido em seu dedo e caído em seus pés. Rapidamente, ele se abaixou e abraçou a pelota. Aquele troféu ali era dele. “Ninguém nem tentou pegar ela. Só o que os outros torcedores pediam era para que eu os deixasse tocar um pouco nela”, conta, ainda emocionado.
Adriano não se considera uma pessoa sortuda – diz que leva azar até no par ou ímpar –, mas o destino quis que a recordação ficasse com ele. Depois de ver o JEC penar no Campeonato Estadual, havia desistido de ir à Arena. “Eu estava de mal com o time”, diz. Passou a Série C inteira longe do estádio. O único jogo a que compareceu foi, justamente, a final.
Agora as coisas mudaram. Feliz com a boa fase do time, ele reativou o seu cadastro de sócio do clube e também registrou a filha Marcela, seis anos, como mais uma torcedora tricolor. No dia da conquista, ela o acompanhava na arquibancada descoberta, onde faziam a festa.
Para preservar o seu prêmio, Adriano mandou fabricou uma redoma de acrílico, na qual gastou R$ 140. Um investimento que ele considera pequeno perto do tesouro que ganhou. Antes de fechar a bola no recipiente, conseguiu seis autógrafos de atletas que participaram da conquista: Eduardo, Jailton, Max, Pedro Paulo, Mateus e Ronaldo Capixa – o atleta preferido de Marcela. Em janeiro, quando os jogadores se reapresentarem, tentará mais algumas assinaturas.
Apesar de estar desempregado no momento e saber que o objeto é tão raro quanto valioso, a ideia de vendê-lo nem chega a passar pela sua cabeça. Ele afirma que irá guardá-la com carinho. Um dia, quando o JEC tiver o seu museu, garante que doará a relíquia ao clube.
Reverson levou a bola do apito final
Quando faltavam poucos minutos para o fim de Joinville x CRB, na Arena, o preparador físico Reverson Pimentel chamou o gandula que estava na linha de fundo e disse: “Quando acabar, você me entrega essa bola aí.” Mas Reverson ouviu o que não queria: “Não posso, o Ivan já pediu.” O goleiro tricolor ouviu a conversa e, sorrindo, disse ao preparador físico: “Perdeu.”
Perdeu nada. Reverson invadiu o gramado assim que ouviu o apito final e ficou com a bola que estava nas mãos do árbitro Fabricio Neves Correia. “Ele já me conhecia e me entregou sem reclamar. Fiquei com a bola que estava rolando quando acabou a final”, comemora o preparador físico.
A lembrança que levou do título da Série C já está em São Paulo, na casa de familiares. Lá, Reverson tem uma sala onde guarda troféus, medalhas e todas as recordações das conquistas que teve na carreira. “Tenho muitas bolas, e essa da Série C é especial”, falou.








