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Um comediantis muito engraçadis

15 de agosto de 2009 2

Quinze anos depois de sua morte – ocorrida em 29 de julho de 1994 – Mussum continua a ser uma referência no humor popular feito no Brasil. Prova disso foi a enxurrada de camisetas e adesivos com a imagem dele como candidato a presidente dos Estados Unidos, o Obamis.

Um dos quatro integrantes da fase áurea de Os Trapalhões – ao lado de Renato Aragão, Dedé Santana e Zacarias –, Antônio Carlos Bernardes Gomes, o Mussum, nasceu no Rio de Janeiro, em 7 de abril de 1941. Chegou à televisão depois de uma bem sucedida experiência musical como membro do grupo Originais do Samba. Para o quarteto, levou um humor inspirado nas gírias e nos trejeitos dos moradores dos morros cariocas. Mangueirense e flamenguista, Mussum – apelido dado por Grande Otelo – chegou aos Trapalhões a convite de Dedé Santana. Até então, sua única experiência televisiva era curta: algumas pequenas participações em uma das primeiras formações da Escolinha do Professor Raimundo, de Chico Anysio.

Mesmo sem deixar a fama e a segurança que os Originais do Samba lhe davam, Mussum envolveu-se com a TV, adaptando-se rapidamente à nova função. Seus personagens eram escrachados, descontraídos e debochados. De seu repertório, surgiram caretas que misturavam choros e gargalhadas e também um novo vocabulário, em que acrescentava as terminações “is” ou “évis” a quase todas as palavras, como forévis (como sinônimo de traseiro, bunda), cacildis (como interjeição de espanto) e coraçãozis.

Além disso, muito antes de Romário, Mussum encarnava o carioca marrento, que debocha dos outros mas sabe rir de si próprio, celebrizando expressões em que satirizava sua condição de negro, tais como “Negão é o teu passadis” e “Quero morrer pretis se eu estiver mentindo”.

Na metade da década de 1980, o quarteto começou a rachar, situação agravada com a morte de Zacarias, em 1990. Mussum ainda trabalharia com os outros dois colegas no Trapa-Hotel, além de fazer participações especiais em outros programas humorísticos. Mussum morreu em 1994, depois de não resistir a um transplante de coração. Tinha 53 anos.

SAMBA ORIGINAL

Boa parte da malícia de seu humor, Mussum trouxe dos Originais do Samba, conjunto formado nos anos 1960, no Rio de Janeiro. Fundador do grupo, Mussum tocava reco-reco, ao lado de Bigode (pandeiro), Bidi (cuíca), Chiquinho (ganzá), Lelei (tamborim) e Rubão (surdo). Sob o comando de Carlos Machado, os Originais do Samba estrearam com o espetáculo O Teu Cabelo Não Nega. Depois, em 1968, acompanharam Elis Regina na música vencedora da I Bienal do Samba, Lapinha, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro. O sucesso foi maior ainda no ano seguinte, quando gravaram Cadê Teresa, ao lado de Jorge Ben. A partir de então, o grupo passou a receber convites para shows e gravações ao lado de Chico Buarque, Vinicius de Moraes, além de ter sido o primeiro conjunto de samba a se apresentar no Olympia, em Paris.

Atualmente, quase sem nenhum integrante da formação original, o grupo permanece na ativa, excursionando por várias cidades do país e relembrando canções do repertório antigo.

O PENSAMENTO DE MUSSUM

“Crioulo é a tua veia!”

“Casa, comida, três milhão por mês, fora o bafo!”

“Cacildis! Vou me empirulitar!”

*

Para matar a saudade de Mussum, confira os dois vídeos que estão neste outro post.

Comentários (2)

  • Leo Pontes diz: 15 de agosto de 2009

    saudadis!

  • jose luis passos diz: 15 de agosto de 2009

    mussum deixou muitas saudades.

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