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O tédio de ser detetive

23 de março de 2010 0

Na contramão de quase todos os seriados policiais lançados nos anos 1970, Harry-O desprezava as velozes perseguições e as cenas de ação apostando num detetive pacato, quase desligado, entediado com a vida policial e com a resolução de crimes. O que poderia ser a antipropaganda acabou se transformando no grande charme da série, revelando uma maneira curiosa e inteligente de abordar histórias policiais na TV.

Harry-O foi lançado pela Rede ABC em fevereiro de 1974. Uma das garantias de qualidade era o ator principal, David Janssen, na época já um dos nomes mais importantes da TV mundial graças ao seu trabalho como protagonista da série O Fugitivo. Agora Janssen encarnava Harry Orwell, um policial californiano forçado a se aposentar depois de ter sido baleado.

Tudo para Harry era difícil: o tiro que o obrigou a se aposentar ainda doía em seu corpo, e o pessimismo com relação ao sucesso da justiça no combate ao crime jogava o personagem ainda mais para baixo. Para completar o quadro de desânimo, seu velho Austin Healey Sprite estava sempre na oficina, o que fazia com que Harry tivesse que seguir nas suas investigações andando de ônibus.

Em meio a tantas desgraças, restava a Harry o reconhecimento de seus clientes e a certeza de que ninguém sabia investigar de maneira tão sutil e racional quanto ele. Como recompensa final, Harry ainda tinha um consolo ao voltar para casa. Sua vizinha era a simpática e sensual Sue Ingham, interpretada pela iniciante Farrah Fawcett, morta no ano passado e que, a propósito, não foi mencionada na cerimônia de entrega do Oscar durante o tributo aos atores falecidos. O motivo? Segundo a Academia, ela se tornou mais conhecida por seus trabalhos na TV, como no seriado As Panteras.

Nascido David Harold Meyer, em Los Angeles, em março de 1931, David Janssen (foto) mudou-se com a família para Hollywood quando ainda era criança, estreando no cinema em uma pequena ponta aos 14 anos. Fez várias figurações até assinar o primeiro contrato, aos 18 anos, passando a atuar em filmes dos estúdios Fox e Universal na década de 50.

Sua carreira ganharia um novo impulso a partir da década seguinte. De 1963 a 1967, seria o protagonista de O Fugitivo, seriado que acompanhava os dramas e as aventuras do Dr. Richard Kimble, um homem injustamente acusado de haver assassinado a esposa e que precisava caçar o verdadeiro assassino. A série foi um sucesso de audiência nos Estados Unidos e no Brasil e, depois de seu encerramento, Janssen trabalharia em muitos outros seriados como Cannon, Route 66 e Police Story.

Estava em plena atividade quando não resistiu a um enfarte em fevereiro de 1980 em sua casa em Malibu.

(Coluna publicada em 14/3/2010)

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