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Posts na categoria "gente"

Underground

09 de agosto de 2010 0

Há poucos meses conversei com o jornalista, escritor e filósofo, Luiz Carlos Maciel. Aos 72 anos, este gaúcho de Porto Alegre mas há mais de quatro décadas radicado no Rio de Janeiro recordava como foram os frenéticos anos 60. “Foi um tempo de muita agitação e criatividade.

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Cervejazz

03 de junho de 2010 0

Jazz e cerveja combinam.

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Nelson fala

10 de maio de 2010 1

Nelson Coelho de Castro fala muito. Tanto em conversas de bar quanto no palco. No belo show que apresentou na última sexta, tocando por quase duas horas, mais uma vez ele falou bastante. Nas duas conversas que teve comigo também falou muito. E mais: nas perguntas que lhe enviei as respostas igualmente foram longas. Como não pude usar tudo na matéria que fiz para ZH, achei que a boa conversa de Nelson não poderia ficar perdida. Por isso, reproduzo aqui a íntegra da nossa conversa por email:

Por que tanto tempo sem gravar?
Nelson – Depois de lançar o Da Pessoa em 2001 e, quase na mesma época, o Juntos 2 (com Bebeto, Gelson e Totonho), comecei a disputar nos projetos culturais do Fumproarte e da Petrobras o patrocínio de um novo disco. Rodava em ambos, seguidamente. No final de 2006 fui aprovado na Petrobras. Depois da natural jornada burocrática, a gravação prevista para 2007, pula pra 2009. Na manha, surfei no fluxo. A vontade de registrar um novo trabalho era grande durante este período, mas dependia, claro, de condições (recursos) que estes expedientes proporcionavam. Poderia ter gravado um disco, tipo, voz e violão. No entanto, com o parecer favorável da Petrobras, aguardei a melhor oportunidade. Valeu a espera.

As composições já vinham sendo feitas ou foram preparadas especialmente para o disco?
Nelson – Algumas vinham sendo feitas ao logo do tempo. Outras não.

É um disco de samba, certo? É a linguagem musical que tu melhor te comunica?
Nelson – Penso que é um disco de MPB e que tem samba. Faço samba instintivamente. Não me considero um “sambista”. Ficaria sob “rubor” com esta legenda. Mas o gênero samba sempre esteve nos meus discos. Como exemplo, no meu primeiro compacto tinha o samba Faz a Cabeça, 1979. No entanto, nos outros discos, havia também a valsa Armadilha, a marcha rancho Aquele Tempo do Julinho, a balada Ver-te Algo Teu ou o batuque afro de Vim Vadiá. Quer dizer, faço pocadinho de tudo. Lua Caiada tem sete sambas, mas tem ciranda, valsa, chorinho…Este disco, de certa forma, ficou mais coeso. Voltando. Da minha geração, acho, fui o compositor gaúcho que mais gravou sambas. Como em Porto Alegre, nos últimos quase 30 anos, a mídia de rádio está mais para o pop rock, quem faz MPB parece propor uma excentricidade. Mas isto vem mudando com o surgimento de novos grupos de sambas, melhor, de pagode “jovem”, também de uma nova geração de grandes músicos fazendo choro, samba de raiz nos bares da cidade baixa etc e com uma platéia expressiva!

Existe um samba feito no RS? Se sim, quais seriam as características desse samba?
Nelson - Sempre houve. Os compositores das escolas de samba de Porto Alegre, de Pelotas, de Uruguaiana, fora do período do carnaval, fazem samba. Mas ficam “nublados” depois da folia. No RS, podemos passar pelo Túlio Piva, Lupi etc ou pelo samba/rock do Bedeu. Mesmo na geração dos anos 60, influenciados pelos festivais e pela bossa nova, como Paulo e César Dorfman, Raul Ellwanger, Paulinho do Pinho, Giba Giba entre outros, havia o samba. Pena que muito pouco há de registro desta época. Poucos destes gravaram discos. A característica do samba gaúcho é a partir do Rio de Janeiro, mas isso se deu em todo o país. Antes do Rio, começa lá com o jongo, o samba de roda baiano, o samba chula, que vai ser seminal para o samba carioca no início do século passado. Depois vem a Rádio Nacional e…. Bueno, nossas etnias negras no sul vão dar um sotaque especial ao samba. Especialmente pelas religiões afro que aqui no sul são em grande número. Há, nos tambores, uma levada para cada entidade, assim por diante. Por exemplo, em se tratando de carnaval, as baterias das Escolas de Samba de Pelotas tem outra “levada”, mais manhosa e menos marcial que as de Porto Alegre. Basta ver, ouvir as charangas, tanto dos times Brasil ou do Pelotas, em comparação com as do Inter ou do Grêmio num jogo qualquer. Na do Brasil, inclusive, a charanga usa o Sopapo. Uma maravilha.

Quem são os compositores que te inspiram?
Nelson - A MPB toda dos anos sessenta: Chico, Milton, Caetano, Gil, Edu Lobo, João Gilberto, também a Jovem Guarda e dantes como Lamartine, Ari Barroso, Dorival, Lupi… Escutei também música americana, música clássica e o rock londrino dos Beatles e Rolling Stones. Uma salada das buenas.

Explique um pouco melhor aquela tua tese que me falaste no Tuim, de que as pessoas precisam se “esbarrar” mais?
Nelson - na verdade, somos, nesta província, um bando de aquários lindeiros e estes com as suas faces vítreas justapostas, translúcidas, onde todo mundo se vê, se reconhece, mas as águas não se visitam e muito menos os peixes. Nos apartamos por pueril estranhamento, medo e preguiça. Um exemplo disso. Nos anos sessenta, as TVs locais possuíam na sua grade de programação conteúdos produzidos regionalmente. Para tal, era necessário artistas, atores, cantores, orquestras, redatores, cenógrafos, apresentadores, etc… na sua maioria vindos do Rádio. Com o surgimento do vídeotape, e logo após das transmissões via satélite, acontece a “natural” debandada destes profissionais das emissoras locais. Simples: os conteúdos vinham prontos das matrizes de São Paulo e Rio de Janeiro, e com custos bem mais baixos. O legado é que interessa à tese. Uma filigrana: os edifícios das emissoras locais ficaram áridos, até mesmo fóbicos, à cultura regional com a ausência daqueles profissionais. Só agora se retoma isso. 50 anos depois. Esse seria dos lugares que poderíamos “esbarrar” com a classe artística em suas diferentes praias. Em 1980, numa entrevista, falei: os porto-alegrenses só se vêem de manhã, ao escovar os dentes. Isto mudou um pouco, com a TV produzindo curtas gaúchos e as rádios executando a música daqui sem o embaraço de antes. Culpa dos lúcidos conspiradores nestas mídias Cabe a nós re-significar isto. Ainda há tempo.

Em ritmo de aventura

23 de abril de 2010 0

Lembrado aqui na semana passada como protagonista de Casal McMillan, Rock Hudson também teve papel de destaque em outra série televisiva: Operação Devlin (Devlin Connection). Criada por Jerry Thorpe, Cliff Gould e Howard Rodman, Operação Devlin tinha um ritmo mais acelerado do que Casal McMillan – com alguns momentos claramente inspirados em Missão Impossível – e acompanhava as aventuras de Brian Devlin (Rock Hudson), um agente da inteligência militar que havia ficado milionário e se aposentara. Da juventude, Devlin lembrava-se de um caso amoroso que teve com uma mulher chamada Nicole Corsello, que, na época, ficou grávida, mas nada falou a ele. Quase três décadas mais tarde, Nick Corsello (Jack Scalla), então um homem muito rico e que trabalha como investigador particular, decide procurar seu pai para que possam trabalhar juntos.

Como as tramas não eram das mais fascinantes e as histórias quase sempre previsíveis, Operação Devlin teve curtíssima duração, sendo apresentada apenas por pouco mais de dois meses (de outubro a dezembro de 1982). Produzido pela rede NBC, Operação Devlin teve no total somente 14 episódios, sendo que dois ainda permanecem inéditos. No Brasil, a série foi apresentada na temporada de 1983, pela Rede Globo.

Rock Hudson, do cinema para a TV

Ator formado no cinema, Rock Hudson soube antever que sua carreira poderia entrar em declínio e, por conta disso, transferiu-se rapidamente para a TV na década de 70. Além dos já citados Casal McMillan e Operação Devlin, o ator obteve destaque na telessérie Dinastia.

Nascido em novembro de 1925 em Illinois, Leroy Harold Scherer Jr. (seu nome verdadeiro) entrou para o cinema nos anos 1940, logo depois de deixar a Marinha. Seu primeiro grande papel foi em Sublime Obsessão, de Douglas Sirk, e graças ao seu bom porte (tinha 1m93cm de altura), pasou a ser chamado para estrelar westerns, dramas e comédias até. Em 1957, foi indicado ao Oscar de Melhor Ator por Assim Caminha a Humanidade.

Como Hudson era homossexual, seu agente arranjou-lhe um casamento de fachada com a própria secretária, Phyllis Gates, em 1955. Mas, como o ator manteve romances com homens, Phyllis logo depois pediu o divórcio.

Seu último filme foi O Embaixador, em 1984. Desde o início dos anos 1980, já com os primeiros indícios de que estava com aids, o ator se afastou das telas, vivendo cada vez mais recluso. Hudson só assumiu a doença três meses antes de morrer, ao anunciar que doaria US$ 250 mil para uma fundação de pesquisas sobre a aids. Morreu em outubro de 1985, aos 59 anos.

(Coluna publicada em 18/4/2010)

Um astro da TV

23 de abril de 2010 0

O sorriso largo e o queixo proeminente conferiam ao rosto uma feição ao mesmo tempo simpática e facilmente reconhecível. Essas características – aliadas ao fato de o ator ser um bom intérprete, tanto para vilões quanto para mocinhos – fizeram de Robert Culp uma das figuras mais respeitadas da televisão americana. O ator, que morreu no último dia 24, aos 79 anos, deixou em cinco décadas de carreira sua marca na TV e no cinema.

Nascido em agosto de 1930, em Oakland, na Califórnia, Culp começou a estudar arte dramática no final dos anos 1940, mas não chegou a concluir o curso pois, no começo da década seguinte, já chamava a atenção de produtores atuando em seriados como Kraft Television Theatre, Alfred Hitchcock Presents e Trackdown, em que também escrevia alguns roteiros.

Depois que Trackdown deixou de ser exibida, em 1959, Culp continuou a ser requisitado para produções das três principais redes americanas (CBS, ABC e NBC), até que, em 1965, ganhou seu primeiro papel como protagonista no seriado I Spy (no Brasil, Os Destemidos), em que dividia o estrelato com Bill Cosby.

Após o término da série, Culp voltou a emprestar seu talento para outros trabalhos. Ao lado do amigo Peter Falk, participou de quatro episódios de Columbo, tornando-se o ator que mais vezes interpretou um vilão na série. Fez ainda participações especiais em Os Audaciosos, com Tony Franciosa, em Os Novos Centuriões e, mais recentemente, em Chicago Hope (2000) e Everybody Loves Raymond (1996 – 2004).

Paralelamente à TV, Culp também se destacou no cinema, atuando em filmes de sucesso como a comédia Bob & Carol & Ted & Alice, ao lado de Natalie Wood e Dyan Cannon, e no suspense O Dossiê Pelicano, com Denzel Washington e Julia Roberts.

Espionagem na quadra de tênis

Os Destemidos (I Spy) foi um dos grandes sucessos da TV americana no final da década de 1960. O seriado acompanhava as aventuras de um jogador de tênis mundialmente famoso chamado Kelly Robinson, interpretado por Robert Culp, e de seu seu treinador, Alexander Scott (Bill Cosby). Na verdade, o esporte era o disfarce que mascarava a identidade dos dois, que, na realidade, eram agentes secretos a serviço do Pentágono em busca de espiões. Além de protagonista, Culp também escrevia roteiros e um dos sete trabalhos de sua autoria chegou a ser indicado ao Emmy.

Culp e Cosby voltariam a se encontrar em 1987, quando o primeiro fez uma participação no seriado comandado pelo segundo (The Cosby Show). Culp interpretava um amigo do Dr. Cliff Huxtable (Cosby) chamado Scott Kelly, uma combinação dos nomes de seus personagens em Os Destemidos.

(Coluna publicada em 4/4/2010)

Paulo Gracindo, o bem amado

23 de março de 2010 0

Poucos artistas transitaram com tanta desenvoltura por vários ramos da cultura e da arte do Brasil. O número é ainda menor daqueles que fizeram tanto pelo rádio, pela televisão, pelo teatro e pelo cinema quanto Paulo Gracindo. Nascido em uma rica família de Alagoas, em junho de 1911, Paulo Gracindo chegou ao Rio no começo da década de 1930 e rapidamente se enturmou com os artistas das principais emissoras de rádio daquele período. Paralelamente, aproximou-se do Teatro Ginástico Português, passando a ser um nome presente em diversas montagens. Se o rosto e o porte tinham presenças marcantes, a voz era ainda mais relevante. E foi com ela que Paulo Gracindo passou a se destacar em programas radiofônicos. Fez sucesso na Rádio Nacional, apresentando o Programa Paulo Gracindo, e fez mais sucesso ainda com a radionovela O Direito de Nascer, em que interpretou o papel de Alberto Limonta. A consagração seria maior ainda no programa de rádio Balança mas Não Cai, ao lado de Brandão Filho no quadro do Primo Pobre e Primo Rico.

O trabalho seria levado com igual sucesso para a televisão. E seria também na TV – sem deixar de lado participações importantes no cinema, como em Terra em Transe, de Glauber Rocha –, que Paulo Gracindo deixaria pelo menos três contribuições fundamentais para elevar o nível da dramaturgia brasileira. A primeira como o simpático bicheiro Artur do Amor Divino, o Tucão, da novela Bandeira 2 (1971). Dois anos depois seria a vez do folclórico e divertido prefeito Odorico Paraguaçu, líder populista de uma cidade do interior baiano e protagonista da novela O Bem Amado (1973), de Dias Gomes. A densidade de seus personagens ganharia reforço com o inesquecível coronel Ramiro Bastos, de Gabriela (1975), tipo novamente inspirado nos oligarcas da política nordestina mas com um acento mais complexo e dramático.

Paulo Gracindo continuaria em atividade até 1993. Morreu em setembro de 1995 aos 84 anos.

Quatro coisas curiosas:

> Seu nome de batismo era Pelópidas Guimarães Brandão Gracindo.

> Mudou para Paulo depois de cansar de ser chamado de Zé Lopes, Petrópolis e até Envelope, confessou o ator em uma entrevista.

> No ano passado, o filho do ator, o também ator Gracindo Júnior, fez um documentário em homenagem ao pai: Paulo Gracindo – O Bem Amado.

> Seu último papel na televisão, que desempenhou com uma memória já bem debilitada pela doença de Alzheimer, foi na minissérie Agosto, em 1993.

(Coluna publicada em 21/3/2010)

Para lembrar Geraldo Mayrink

29 de agosto de 2009 0

Jornalista de uma brilhante geração surgida em Minas nos anos 60 – com nomes como Adauto Novaes, Antonio Beluco, Murilo Felisberto e Fernando Gabeira -, Geraldo Mayrink foi um dos grandes textos do jornalismo brasileiro. A morte dele, com tantos textos de qualidade deixados no JT, Estadão, IstoÉ, JB, entre outros, me fez lembrar de um pequeno grande livro chamado Memorando.

Escrito por Mayrink em parceria com Fernando Moreira Salles, Memorando é um exercício sobre como a lembrança está presente em toda a literatura, de Homero a Proust, e é todo construído em cima das memórias afetivas dos autores. Alguns trechos, recordo aqui:

Eu me lembro que soma do quadrado dos catetos é o quadrado da hipotenusa.

Eu me lembro que meus professores diziam que conhecimentos como este seriam de grande utilidade pela vida afora.

Eu me lembro que o presidente Figueiredo pediu que a gente se esquecesse dele.

Eu me lembro que o suplemento dominical do Jornal do Brasil saía aos sábados.

Eu me lembro que as sessões de cinema eram às duas, quatro, seis, oito e dez horas.

Eu me lembro de alguns gênios. Um deles se apresentou para uma platéia de apenas quatro pessoas, num cabaré de Berlim, dizendo: Sou ator de teatro e cinema, escrevo contos, programas de rádio e televisão, dirijo filmes e peças, sou ventríloquo, ilusionista e mágico. Pena eu ser tantos e vocês tão poucos. Meu nome é Orson Welles.

E você, do que se lembra?

Uma explosão de sensualidade

22 de agosto de 2009 1

Com MiéleA beleza era esguia, sensual e refinada, e a graça do corpo, valorizada por um sorriso deslumbrante e olhos negros alegres e ligeiramente estrábicos. O talento lhe permitia atuar em novelas, filmes e musicais. Completando o perfil, o estilo era o de uma mulher avoada, que potencializava o conselho dado a ela pelo ator e padrasto Jardel Filho: “Faça o gênero louquinha. Os homens adoram”. Assim, Sandra Bréa tinha tudo para decolar e foi o que ela fez. Nos anos 1970, apenas Sônia Braga tinha rivalizado com ela. Entre as duas, eu votaria em Sandra.

Sandra Bréa Brito nasceu em maio de 1952, no Rio, e começou a carreira como modelo aos 13 anos. Convidada por Daniel Filho, foi para Globo em 1972 e, logo de cara, pegou um dos papéis principais da novela O Bem Amado, de Dias Gomes. As virtudes enumeradas acima começaram a aparecer, e, em pouco tempo, Sandra era uma das estrelas da emissora. Além das novelas – na primeira década de sua carreira, Sandra chegou a participar, em média, de uma a cada ano, com trabalhos em Corrida do Ouro, Escalada e O Pulo do Gato –, a atriz teria participações importantes na linha de shows, primeiro no humorístico Faça Humor Não Faça Guerra, onde conheceu Luiz Carlos Miéle, que depois seria seu parceiro no musical Sandra & Miéle.

Inspirado nos musicais da Broadway e de Hollywood, Sandra & Miéle alternava números musicais com esquetes cômicos. Exibido na faixa noturna das sextas-feiras, o programa esteve no ar entre março e dezembro de 1976.

Paralelamente ao trabalho televisivo, Sandra transformou-se em símbolo sexual, aparecendo em capas de revistas masculinas e sendo convidada para estrelar diversos filmes, quase todos situados naquela tênue linha que separa as comédias ingênuas (como Cassy Jones, o Magnífico Sedutor) das pornochanchadas escrachadas (como Convite ao Prazer, Sede de Amar e Os Imorais).

Sua carreira entraria em declínio na década de 1980. A situação pioraria em 1987, quando foi acusada de disparar quatro tiros contra um motorista, incidente contornado e divulgado como apenas um mal-entendido. A vida amorosa também era intensa, e, além de inúmeros casos, Sandra foi casada três vezes. A primeira com o engenheiro Eduardo Espínolla Netto, depois com o fotógrafo Antonio Guerreiro e, por último, com o empresário gaúcho Arthur Guarisse, relacionamento que faria com que a atriz, em 1983, morasse por quase um ano em Porto Alegre.

Anos de luta

Fora da televisão, o maior papel que Sandra Bréa exerceu foi o de ativista na luta contra a Aids. Em agosto de 1993, assumiu publicamente que estava com a doença. Sua última atuação seria no capítulo final da novela Zazá, de Lauro César Muniz, em que ela levava uma mensagem às vítimas da Aids. Em 2 de maio de 2000, Sandra foi levada a um hospital na Barra da Tijuca, no Rio, para fazer uma tomografia computadorizada. Acabou morrendo dois dias depois em sua casa, no Rio, uma semana antes de completar 48 anos.

***

E você? Prefere Sandra Bréa ou Sônia Braga? Deixe seu comentário! (Por um pequeno problema, o blog não estava aceitando comentários desde a semana passada. Agora já está tudo certo.)

Tornado é um furacão

21 de agosto de 2009 1

A exaltação e o renascimento de Wilson Simonal pode ajudar a valorizar a carreira de um grande artista – músico e ator – que ainda anda por aí, mas que não recebe o reconhecimento que deveria. Falo de Toni Tornado e destaco um clipe pouco conhecido, em que o mestre do soul brasileiro se diverte ao lado do trapalhão Renato Aragão.

Além de mostrar uma capacidade de deslizar no palco de dar inveja a Michael Jackson.

Paz e amor

18 de agosto de 2009 0

Ele foi o maior profeta da sua geração. Seus milagres – nunca confirmados, mas isso seus seguidores não exigiam – iam da chuva de dinheiro no pregão da bolsa de Wall Street à levitação do Pentágono em um sit-in, da ameaça de jogar LSD nas caixas d’água de San Francisco à invasão da convenção do Partido Democrata que indicaria o candidato adversário do republicano Richard Nixon na eleição presidencial de 1968.

Abbot Howard “Abbie” Hoffman nasceu em novembro de 1936 em Worcester, Massachusetts. Nos anos 60, consagrou-se como um emergente líder dos direitos civis. Carismático e bem humorado, Hoffman foi um marxista de uma linha que cultuava mais o Groucho do que o Karl. Era um ator que teria muito a dizer, mas que infelizmente optou por sair cedo de cena. Saiu do front, mas não abandonou a guerra.

A partir dos anos 70, enquanto alguns de seus colegas da invasão da convenção Democrata se acomodavam em Wall Street e deixavam de ser hippies para se tornarem yuppies, Hoffman – gordo, grisalho, barbudo, desleixado – abraçava outras causas, como a ecologia, e vivia do que arrecadava em palestras. As agitações culturais, políticas e comportamentais daqueles anos foram a universidade onde Hoffman foi aluno e professor.

Mestre pouco afeito aos didatismos, ele estava com 52 anos quando foi encontrado morto em sua casa, vítima de uma dose excessiva de calmantes – não se sabe se foi suicídio ou acidente – em abril de 1989, nos primeiros meses do obscuro mandato de Bush, pai, e uma década antes do novo milênio, da era que ele ajudou a mudar.

Recentemente, Hoffman renasceu em “Chicago 10″, filme que trata dos protestos contra a guerra do Vietnã que explodiram durante a convenção do Partido Democrata em 1968 e o julgamento bombástico que se seguiu dos ativistas.

Donatural

17 de agosto de 2009 0

Gênio dos primeiros momentos da bossa nova e que até hoje se mantém na linha de frente da música brasileira, João Donato completa 75 anos. Parabéns, mestre!

Um Michael além da imaginação

05 de julho de 2009 0

O adulto esquisito, atormentado e melancólico em que iria se transformar não transparecia na figura alegre e descontraída que Michael Jackson inspirava como figura principal do desenho animado feito em homenagem à família musical mais importante dos Estados Unidos da década de 1970. Jackson Five foi uma aventura psicodélica que tinha como personagens os cinco irmãos, pela ordem: Jackie, Tito, Jermaine, Marlon e Michael.

O quinteto já era um fenômeno como um dos principais nomes da Motown, a gravadora criada em Detroit por Berry Gordy e que colocou no mapa musical grandes nomes da música afroamericana, como Stevie Wonder, Marvin Gaye, Diana Ross e Smokey Robinson. No embalo desse sucesso – que incluía entre os fãs crianças, adolescentes e adultos –, a ABC resolveu criar uma série retratando o cotidiano da banda. A produção era do estúdio Rankin/Bass, de Arthur Rankin, Jr. e Jules Bass, que já havia feito um desenho animado dos Beatles. Os desenhos ficaram sob a responsabilidade de Paul Coker Jr, nome importante da animação nos Estados Unidos e um dos colaboradores da revista Mad.

Jackson Five – ou Jackson 5ive, como aparecia na abertura – estreou em setembro de 1971 com um episódio semanal aos sábados pela manhã. Como a maior parte da animação era feita em Londres ou em Barcelona – sob a direção do hispano-americano Robert Balser –, as vozes dos integrantes do grupo não eram utilizadas, apenas as músicas. A estrutura misturava o cotidiano familiar com aventuras. Já naquela época, Michael era a principal estrela da família, e muitos episódios giravam em torno dele, inclusive na sua paixão por animais domésticos pouco comuns como dois ratos, Ray e Charles – homenagem óbvia ao grande cantor e compositor –, e uma cobra azul, Rosey.

Outros personagens importantes na vida do grupo, como a cantora Diana Ross e o empresário Berry Gordy, também apareciam nos desenhos. No meio de tudo isso, clipes musicais, com destaque para sucessos como I Want You Back, ABC e I’ll Be There.

Jackson Five durou duas temporadas, sendo apresentado até setembro de 1973. A primeira temporada foi dividida em 17 episódios. A segunda, com o título de The New Jackson Five Show, teve apenas seis. No Brasil, a série foi exibida pela Rede Globo e depois pela Manchete. Em 1985, aproveitando o sucesso planetário de Michael Jackson, a ABC reprisou nos Estados Unidos todos os episódios. Da segunda temporada, dois episódios acabaram tornando-se proféticos: Michael in Wonderland e Michael White.

Postado por Márcio Pinheiro