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Posts na categoria "tv"

O motoqueiro voador

20 de setembro de 2010 1

Entre tantos desenhos animados inspirados em personagens reais, Devlin, O Motoqueiro destacou-se por dar uma versão cheia de aventuras e perseguições à vida do dublê Evel Knievel.

Nome conhecido nos Estados Unidos dos anos 1970 e ídolo de milhares de garotos naquela época, Knievel teve sua vida adaptada pelos estúdios Hanna Barbera. Além de ressaltar suas habilidades, o desenho colocava o personagem principal, agora batizado de Ernie Devlin, envolvido em perigosas tramas. No seriado, Devlin fazia parte da trupe de um circo que viajava por diversas cidades americanas. Ao lado de seu irmão Tod e de sua irmã Sandy, Devlin fazia arriscados números com sua moto – como o salto em rampas e o globo da morte. Quando não estava envolvido com as turnês, Devlin descansava ajudando pessoas da comunidade a resolver crimes e prender bandidos.

Produzido pelos estúdios Hanna Barbera e apresentado pela Rede ABC, Devlin, O Motoqueiro não repetiu o sucesso de público entre os milhares de fãs de Evel Knievel. O seriado teve uma curta carreira de apenas 16 episódios, que foram exibidos originalmente nos EUA entre setembro e dezembro de 1974. No Brasil, o desenho foi reprisado por várias emissoras ao longo dos anos 1970 e 1980.

A América em duas rodas

Capitão América montado numa moto, Evel Knievel encarnou o herói fantasiado que está sempre em busca de desafios e superações. Nascido em Montana em 1938, Knievel começou a andar de moto ainda na adolescência mas só nos anos 1960, depois de ter se apresentado em corridas e rodeios, passou a imaginar um espetáculo em que pudesse mostrar suas habilidades.

Por duas décadas, Knievel amealhou prêmios e reconhecimentos por inventar uma fórmula de espetáculo que misturava diversão com manobras arriscadas. Com sua moto, Knievel ia encarando desafios como pular sobre rios e fileiras de caminhões ou ainda saltar de um edifício para outro. Nessas temporadas, Knievel bateu dezenas de recordes, entre eleso de maior número de ossos quebrados, pois muitas vezes a apresentação não saía como planejada.

Knievel morreu bem longe das aventuras. Com a saúde muito debilitada, Knievel dedicou seus últimos anos à pintura e a um projeto chamado fundação Make a Wish, criado especialmente para crianças com doenças terminais. Ele morreu numa sexta-feira, dia 30 novembro de 2007, aos 69 anos, por conta da diabetes e fibrose pulmonar. O estilo de pilotar que criou vem sendo mantido por Robbie Knievel, seu filho.

(Coluna publicada em 19/9/2010)

Um bem-amado desde 1973

28 de agosto de 2010 0

O Bem Amado, o mais novo filme de Guel Arraes (responsável pelo sucesso O Auto da Compadecida), recupera um texto de Dias Gomes que já foi novela da TV Globo nos anos 1970. Na trama de O Bem-Amado, sob o pretexto de mostrar o cotidiano da população de uma cidade fictícia no litoral baiano, Dias Gomes satirizava, com ironia e senso crítico, o Brasil da ditadura militar. No elenco, destacavam-se nomes conhecidos como Paulo Gracindo, Jardel Filho, Rogério Fróes, Zilka Sallaberry, Carlos Eduardo Dolabella, Ida Gomes, Milton Gonçalves e Lutero Luiz. Para lembrar este que foi um dos maiores sucessos da televisão brasileira – exibido entre 24 de janeiro e 9 de outubro de 1973 –, aí vão 12 curiosidades sobre O Bem Amado.

> A peça de Dias Gomes – Odorico, o Bem-Amado ou Uma Obra do Governo – foi encenada pela primeira vez em 1969 no TV de Vanguarda da TV Tupi.

> A inspiração para o personagem principal veio do ex-governador da Guanabara Carlos Lacerda.

> O Bem-Amado foi a primeira novela exibida em cores no Brasil, em 1973.

> A trama gira em torno do prefeito Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo), um político corrupto e cheio de artimanhas, que governa Sucupira, no litoral baiano, e tem como principal objetivo a inauguração do cemitério local.

> As cenas externas de O Bem-Amado foram gravadas em Sepetiba, bairro da cidade do Rio de Janeiro.

> A trilha sonora de O Bem-Amado foi totalmente composta por Vinicius de Moraes e Toquinho. No total, são 11 canções, entre elas o sucesso Meu Pai Oxalá.

> A música de abertura teve de ser substituída por uma versão instrumental, já que a censura implicou com o verso “Estamos sentados em um paiol de pólvora”.

> Paulo Gracindo foi o responsável por criar um dos grandes bordões da TV brasileira quando Odorico abreviava conversas e raciocínios dizendo “Vamos botar de lado os entretantos e partir logo pros finalmentes”.

> Em uma entrevista concedida em 1993, Paulo Gracindo contou que Odorico era um sucesso tão grande que os prefeitos de todas as cidades que visitou, durante e depois da novela, queriam tirar fotos ao seu lado.

> O Bem-Amado foi a primeira novela de Sandra Brea.

> O Bem-Amado foi a primeira produção da TV Globo a ser exportada.

> O sucesso da novela fez com que a trama fosse recriada em forma de seriado no início dos anos 1980.

(Coluna publicada no jornal de 29/08/2010.)

Carros animados

28 de julho de 2010 0

Se a dupla William Hanna e Joseph Barbera havia revolucionado os desenhos animados na década de 1960, principalmente por dar hábitos humanos aos mais variados tipos de animais, a sequência na década seguinte seria dar vida a seres inanimados. Carros, por exemplo. A inspiração pode ter vindo do cinema, com Se Meu Fusca Falasse. E pelo menos dois desenhos fizeram muito sucesso.

“Carangos e Motocas” (“Wheelie and the Chopper Bunch”)

Os protagonistas eram um casal automobilístico: Wheelie, um simpático e romântico fusca vermelho, e Roda, sua namorada, um modelo conversível amarelo bem semelhante ao carro de Penélope Charmosa. Eles eram constantemente importunados por uma gangue de motocicletas: Avesso, Risada e Confuso. Os três eram liderados por Chapa. Todos os personagens tinham voz e eram muito falantes. A única exceção era o próprio Wheelie, que curiosamente só buzinava e exibia símbolos em seu para-brisas, mostrando seus pensamentos, tais como um coração para o amor ou uma lâmpada de uma ideia.

Como invariavelmente os planos de Chapa davam errado, o grande personagem da gangue de motos acabou sendo Confuso, quase um ciclomotor de tão pequeno, mas que criou o bordão “eu te disse, eu te disse”, que ficava repetindo sem parar.

A série teve no total 13 episódios, cada um com meia hora de duração, que foram exibidos de setembro de 1974 a agosto de 1975.

“Speed Buggy”

Contemporâneo de Carangos e Motocas, Speed Buggy seguia uma fórmula semelhante, porém com mais aventuras e perseguições. A série tinha uma estrutura parecida com a de Scooby Doo, só que em vez de um cachorro era protagonizada por um carro, um buggy, no caso. Outra referência muito forte era Josie e as Gatinhas. Três episódios de Speed Buggy, inclusive, tiveram seus roteiros quase que praticamente copiados das tramas de Josie.

Ao lado de seus amigos – Debbie, Tinker (piloto e mecânico) e Mark –, o buggy aventureiro pulava de corrida em corrida. Nos intervalos, o intrépido veículo ajudava a polícia a resolver mistérios e desaparecimentos. Speed Buggy estreou na TV americana em setembro de 1973 e durou até agosto de 1975. Apesar da curta temporada, o seriado foi tão bem recebido pelo público americano que acabou sendo apresentado pelas três grandes redes de TV (CBS, ABC e NBC). No Brasil, a voz do automóvel era feita pelo ator Olney Cazarré.

(Coluna publicada em 25/7/2010)

História de uma enfermeira negra

05 de julho de 2010 0

O ano que não acabou foi movimentado também na televisão. Em 1968, para ficar apenas nos EUA, o país era incendiado pelos assassinatos de Martin Luther King e Bob Kennedy, pelo acirramento dos conflitos no Vietnã, pelas constantes manifestações pelos direitos civis e pelos protestos populares. A TV refletia esta realidade conturbada, e uma fatia expressiva do público, a dos afroamericanos, começava a se reconhecer na tela da televisão.

Grande representante dos seriados criados nesta época, Julia colocava uma atriz negra como protagonista e abordava assuntos dos mais atuais. Criado por Hal Kanter e Harold Stone, o seriado acompanhava o cotidiano de Julia Baker (Diahann Carroll), uma enfermeira negra de pouco mais de 30 anos, que levava a vida ao lado do filho Corey Baker (Marc Copage), de nove anos (juntos, na foto).

A série foi produzida pela rede NBC, estreou em setembro de 1968 e permaneceu na programação por três anos, até 1971, tendo no total 86 episódios de meia hora cada. No elenco, também estavam Lloyd Nolan, Betty Beaird, Michael Link e Mary Wickes.

TALENTO VERSÁTIL

Fenômeno entre as atrizes de seriado da década de 1960, Diahann Carroll se destacava não apenas pela beleza como pelo talento. Foi das mais versáteis e importantes intérpretes de sua geração na TV americana, atraindo fãs e ganhando prêmios.

Nascida em julho de 1935, no Bronx, em Nova York, Diahann começou a carreira em 1954 participando de musicais da Broadway. Na década seguinte, ganharia ainda mais destaque ao participar de seriados como Peter Gunn e The Naked City, até ser convidada para ser protagonista.

Por Julia, ela venceria o Globo de Ouro em 1968 (melhor atriz feminina da TV), além de ter sido indicada ao mesmo prêmio em 1970 (melhor atriz principal em seriado de comédia ou musical) e ao Emmy, em 1969 (melhor atriz principal em um seriado cômico). Em 1975, concorreria ao Oscar de melhor atriz pelo filme Claudine.

Hoje, aos 74 anos, Diahann participa de seriados televisivos e atua como cantora.

(Coluna publicada em 4 de julho de 2010)

Oeste selvagem

28 de junho de 2010 0

A década de 1960 foi marcada por uma onda de westerns televisivos, seguindo um caminho que havia sido aberto pelos westerns cinematográficos produzidos em Hollywood nas décadas de 1940 e 1950. Quase todos tinha como modelo Bonanza, um dos fenômenos de audiência. E alguns destacavam-se por qualidade e originalidade. Um desses casos era Chaparral (High Chaparral, no original).

A ação se passava na segunda metade do século 19 mostrando a trajetória de duas famílias – os Cannon e os Montoya – que controlavam áreas de terra no Arizona. Num misto de convivência pacífica com disputas pelo poder, as duas famílias viviam em confronto. Os Cannon eram liderados por Big John (Leif Erickson), casado com Victoria (Linda Cristal), filha dos Montoya. Ex-oficial da Guerra da Secessão, Big John havia sido casado com Annalee, assassinada em um ataque dos Apaches.

A série se destacava também pelo humor através do papel coadjuvante de Manolo Montoya, o Manolito, interpretado por Henry Darrow. Criada por David Dortort (responsável também por Bonanza), a série estreou em 10 de setembro de 1967 pela rede NBC dos EUA. Teve um total de 98 episódios divididos em quatro temporadas.

Sangue latino

Poucos nomes são tão facilmente reconhecidos pelo telespectador de seriados quanto o de Henry Darrow, um dos mais frequentes coadjuvantes da TV americana.

O intérprete do irreverente e engraçado Manolito nasceu em setembro de 1933, em Nova York, filho de pais porto-riquenhos. Tomás Enrique Delgado Jr., seu nome de batismo, começou a atuar ainda criança, depois de sua família ter retornado para Porto Rico. Adulto, ganhou uma bolsa da Pasadena Playhouse, na Califórnia, passando a orar nos Estados Unidos.

Ao todo, participou de mais de 75 séries de televisão, sendo em Chaparral seu trabalho mais conhecido. Nos anos 1960, foi um dos fundadores da Nosotros, organização que direciona atores hispânicos para assumirem papéis não estereotipados. Aos 76 anos, Darrow vive na Carolina do Norte, nos EUA, com sua segunda mulher, Lauren Levian.

(Esta coluna, publicada em 27/6/2010, foi uma sugestão do leitor Vladimir Corrêa.)

O suspense em forma de seriado

14 de maio de 2010 0

Lembrado quase sempre pela sua imensa contribuição ao cinema – com clássicos absolutos como Janela Indiscreta, Disque M para Matar e Um Corpo que Cai –, Alfred Hitchcock (13 agosto de 1899 – 29 de abril de 1980) também teve uma presença importante na televisão, levando para o formato de seriados sua genialidade para criar histórias de suspense.

O mestre e a televisão se aproximaram em outubro de 1955, quando Hitchcock foi convidado a produzir episódios com cerca de uma hora de duração e nos quais deveria atuar como anfitrião. A figura rotunda e simpática, ao som de Funeral March of a Marionette, de Charles Gounod, aparecia na tela para dar boas-vindas aos telespectadores e introduzir o episódio, quase sempre com seu tom irônico e seu humor negro. Além disso, Hitchcock fazia questão de manter um estilo sarcástico, falando pausada e arrastadamente.

Já um nome de primeira linha do cinema mundial, Hitchcock emprestava seu prestígio, mas mantinha um certo distanciamento das produções, muitas delas surgidas a partir de cartas e relatos de telespectadores. Cabia aos roteiristas darem o formato final. Ao todo foram 361 episódios, sendo 268 episódios como Alfred Hitchcock Presents e 93 episódios como Alfred Hitchcock Hour.

Interrompida nos anos 50, a série foi retomada em setembro de 1985, recuperando o nome original (Alfred Hitchcock Presents) e trazendo novamente Hitchcock como anfitrião e dando uma atualizada nas versões originais. O detalhe – tão macabro como divertido – é que o grande cineasta havia morrido cinco anos antes. Participação como essa nem Hitchcock teria imaginado.

Quatro coisas curiosas

> A primeira versão, apresentada nos Estados Unidos pela rede CBS, revelou uma série de artistas que mais tarde fariam sucesso no cinema, como Charles Bronson, Robert Redford, Steve McQueen, Cloris Leachman, Gena Rowlands, Katharine Ross, Peter Fonda e Robert Duvall.

> A nova versão da série, exibida entre setembro de 1985 e julho de 1986, contou com John Huston, Kim Novak, Ned Beatty, Bill Mumy, Steven Bauer, Tippi Hedren e Melanie Griffith, filha de Tippi.

> O sucesso do seriado fez com que Hitchcock se tornasse popular, atraindo um público maior para suas produções cinematográficas.

> Hitchcock soube readaptar obras literárias de escritores importantes, como Robert Bloch , H.G. Wells, Robert Louis Stevenson , Sir Arthur Conan Doyle e Mark Twain.

(Coluna publicada em 9/5/2010)

Um ciborgue cheio de humor

01 de maio de 2010 0

Se Feather & Father Gang, lembrado aqui na semana passada, foi uma série que misturava humor com casos policiais, Holmes & Yo-Yo ia mais adiante, fazendo uma curiosa mistura de humor com aventuras policiais e ficção científica. A unir os dois seriados, duas tristes coincidências: o pouco interesse por parte do público e, logo, o cancelamento da curta temporada.

Desenvolvida pelo produtor executivo Leonard Stein, com a colaboração de roteiristas de Agente 86 (Get Smart), Holmes & Yo-Yo acompanhava as aventuras de uma dupla de detetives. Um era o detetive Alexander Holmes (Richard B. Shull), figura trágica que atingia com seu azar qualquer um que estivesse ao seu redor. Como não havia parceiro que se dispusesse a dividir as tarefas com Holmes, a solução foi criar Yo-Yo, na verdade Gregory Yoyonivich (John Schuck), um androide programado para combater o crime.

Embora não fosse muito brilhante, compensava a fraqueza intelectual com força física e capacidade de analisar as pistas de um crime. Além disso, Yo-Yo era dotado de uma máquina fotográfica, do tipo Polaroid, embutida em seu corpo. Cada vez que apertasse o nariz, uma cena era fotografada por seus olhos e saía impressa através do seu bolso de sua camisa.

Completavam o elenco os atores Bruce Kirby, como o capitão Harry Sedford, e Andrea Howard, como a oficial Maxine Moon. No episódio de estreia, o humorista e apresentador Jay Leno interpretava o funcionário de um posto de gasolina.

A baixa audiência fez com que a série não chegasse a durar um ano. Holmes & Yo-Yo foi apresentado originalmente nos Estados Unidos pela rede ABC, entre 25 de setembro de 1976 e 8 de agosto de 1977, num total de 13 episódios com 30 minutos cada.

TALENTO POLICIAL

Para representar o primeiro robocop da história da televisão, os produtores de Holmes & Yo-Yo escolheram um ator que com menos de 40 anos já era um veterano: John Schuck. Nascido em Boston, em fevereiro de 1940, Schuck atuava desde a década de 60 e, nos anos anteriores à estreia de Holmes & Yo-Yo, obteve sucesso como o colega de Rock Hudson em Casal McMillan – não, ele não formava o casal com Rock. Esse papel era de Susan Saint James.

Após a rápida e fracassada temporada de Holmes & Yo-Yo, Schuck continuou a ser bem requisitado como ator, ao participar de Jornada nas Estrelas IV – A Volta para Casa, e como produtor, na minissérie Raízes. Aos 70 anos, Schuck continua na ativa. Os novos espectadores de seriados devem reconhecê-lo como Muldrew, o chefe da NYPD em Law & Order: Special Victims Unit.

(Coluna publicada em 1/5/2010)

Contragolpes de mestres

01 de maio de 2010 0

A dificuldade em rotular o seriado Feather and Father Gang (no Brasil, Contragolpe) talvez explique a curta duração e a baixa audiência. Não era uma série de humor, embora tivesse cenas e diálogos engraçados. Também não era uma série policial, embora acontecessem crimes. Ação era algo mais adiante, ainda mais se for levado em conta que os protagonistas eram uma advogada na faixa dos 30 anos auxiliada por seu pai, um homem com o dobro dessa idade. Essa falta de rumo fez com que o seriado durasse cinco meses, em 1977, num total de 13 episódios.

Produzida pela Larry White Productions e pela Columbia Pictures Television, Contragolpe acompanhava as aventuras de Toni “Feather” Danton (Stefanie Powers), uma esforçada e idealista advogada que, para resolver seus casos, conta com a ajuda do pai, Harry Danton (Harold Gould). Tudo seria normal não fosse Danton um simpático picareta, conhecedor de artimanhas e com passagens pela polícia. Homem das ruas, Danton trazia para o escritório da filha personagens habituados a circular pelo submundo. Desses contatos surgia o golpe que iria derrubar o golpista ou – como explicava o título em português – o contragolpe.

Seriados em série

Ator que havia chegado ao ápice da carreira interpretando Twist Kid, um dos trapaceiros de Golpe de Mestre (1972), Harold Gould voltaria à televisão em 1977 agora para viver novamente um golpista em Contragolpe. Nascido Harold V. Goldstein, em dezembro de 1923, em Nova York, Gould transformou-se num dos atores mais conhecidos de sua geração. A carreira começou em 1947, depois de uma rápida passagem pelo exército. A partir dos anos 50, dividindo-se entre a TV e o cinema, Gould tornou-se um nome muito requisitado pelos produtores atuando em dezenas de seriados. Teve papéis de destaque em Além da Imaginação, Columbo, Agente 86, James West, O Fugitivo, Rhoda, Mary Tyler Moore, Cannon, Hawaii 5-0, O Barco do Amor, Missão Impossível, Gunsmoke e Mister Ed. Tamanho talento e capacidade de trabalho lhe garantiram mais de 300 participações, que se transformaram em cinco indicações ao Emmy e dezenas de outros prêmios.

Aos 86 anos, Gould diminuiu o ritmo, mas continua na ativa. Seus trabalhos mais recentes foram nos seriados Nip/Tuck e Cold Case.

(Coluna publicada em 25/4/10)

Em ritmo de aventura

23 de abril de 2010 0

Lembrado aqui na semana passada como protagonista de Casal McMillan, Rock Hudson também teve papel de destaque em outra série televisiva: Operação Devlin (Devlin Connection). Criada por Jerry Thorpe, Cliff Gould e Howard Rodman, Operação Devlin tinha um ritmo mais acelerado do que Casal McMillan – com alguns momentos claramente inspirados em Missão Impossível – e acompanhava as aventuras de Brian Devlin (Rock Hudson), um agente da inteligência militar que havia ficado milionário e se aposentara. Da juventude, Devlin lembrava-se de um caso amoroso que teve com uma mulher chamada Nicole Corsello, que, na época, ficou grávida, mas nada falou a ele. Quase três décadas mais tarde, Nick Corsello (Jack Scalla), então um homem muito rico e que trabalha como investigador particular, decide procurar seu pai para que possam trabalhar juntos.

Como as tramas não eram das mais fascinantes e as histórias quase sempre previsíveis, Operação Devlin teve curtíssima duração, sendo apresentada apenas por pouco mais de dois meses (de outubro a dezembro de 1982). Produzido pela rede NBC, Operação Devlin teve no total somente 14 episódios, sendo que dois ainda permanecem inéditos. No Brasil, a série foi apresentada na temporada de 1983, pela Rede Globo.

Rock Hudson, do cinema para a TV

Ator formado no cinema, Rock Hudson soube antever que sua carreira poderia entrar em declínio e, por conta disso, transferiu-se rapidamente para a TV na década de 70. Além dos já citados Casal McMillan e Operação Devlin, o ator obteve destaque na telessérie Dinastia.

Nascido em novembro de 1925 em Illinois, Leroy Harold Scherer Jr. (seu nome verdadeiro) entrou para o cinema nos anos 1940, logo depois de deixar a Marinha. Seu primeiro grande papel foi em Sublime Obsessão, de Douglas Sirk, e graças ao seu bom porte (tinha 1m93cm de altura), pasou a ser chamado para estrelar westerns, dramas e comédias até. Em 1957, foi indicado ao Oscar de Melhor Ator por Assim Caminha a Humanidade.

Como Hudson era homossexual, seu agente arranjou-lhe um casamento de fachada com a própria secretária, Phyllis Gates, em 1955. Mas, como o ator manteve romances com homens, Phyllis logo depois pediu o divórcio.

Seu último filme foi O Embaixador, em 1984. Desde o início dos anos 1980, já com os primeiros indícios de que estava com aids, o ator se afastou das telas, vivendo cada vez mais recluso. Hudson só assumiu a doença três meses antes de morrer, ao anunciar que doaria US$ 250 mil para uma fundação de pesquisas sobre a aids. Morreu em outubro de 1985, aos 59 anos.

(Coluna publicada em 18/4/2010)

Os casos de um casal

23 de abril de 2010 0

Muito antes de Jonathan e Jennifer Hart (casal vivido na TV por Robert Wagner e Stephanie Powers), uma outra dupla de marido e mulher já se arriscava em perigosas aventuras na resolução de crimes. Eram Stewart e Sally, que protagonizavam McMillan and Wife (no Brasil, Casal McMillan), seriado lançado nos Estados Unidos em 1971. Casal McMillan era uma das séries que participava do rodízio semanal da faixa NBC Mistery Movie (no Brasil, Os Detetives). As outras duas atrações eram Columbo, com Peter Falk, e McCloud, com Dennis Weaver.

Stewart era interpretado por Rock Hudson, já então um nome importante no cinema americano. Sua mulher era vivida por Susan Saint James (juntos, acima). Completava o elenco a irônica e sarcástica empregada Mildred (Nancy Walker, uma das atrizes mais importantes na evolução do humor televisivo nos EUA). Ao contrário de Jonathan e Jennifer, do Casal 20, dois ricaços entediados que se dedicavam a resolver crimes, o casal McMillan era do metiê. Stewart era um comissário da polícia de São Francisco, que sempre contava com o auxílio da esposa e da empregada para encontrar os vilões.

Por ser a de menor audiência entre as três séries apresentadas, Casal McMillan dava aos produtores maior liberdade. Assim, em muitos episódios eles deixavam os crimes em segundo plano para privilegiar a comédia de costumes e as situações inesperadas.

Porém, com o tempo, a série acabou rachando. Ao final da quinta temporada, o seriado sofreu fortes modificações com a saída de Nancy Walker e com a briga de Susan Saint James com os produtores. Como ela não quis renovar o contrato, o jeito foi eliminá-la da série e transformar Stewart em viúvo (Sally teria morrido num acidente de helicóptero). A reação do público foi péssima, e o seriado acabou sendo abandonado logo depois.

Cinco coisas curiosas

  1. No primeiro episódio, o interior mostrado da casa dos McMillan era na verdade o interior da casa de Rock Hudson.
  2. Apesar de ter aparecido grávida em alguns momentos da série, Sally McMillan, inexplicavelmente, nunca apareceu com um filho em qualquer um dos episódios.
  3. As aventuras do casal foram inspiradas nas do casal Nick e Nora Charles, da série Thin Man, famosa nos anos 1940.
  4. O papel de Nancy Walker teve tão boa aceitação do público que a atriz abandonou o seriado para estrelar sua própria série.
  5. Casal McMillan durou no total seis temporadas divididas em 40 episódios. Deixou de ser exibida em abril de 1977.
(Coluna publicada em 11/4/2010)

Um astro da TV

23 de abril de 2010 0

O sorriso largo e o queixo proeminente conferiam ao rosto uma feição ao mesmo tempo simpática e facilmente reconhecível. Essas características – aliadas ao fato de o ator ser um bom intérprete, tanto para vilões quanto para mocinhos – fizeram de Robert Culp uma das figuras mais respeitadas da televisão americana. O ator, que morreu no último dia 24, aos 79 anos, deixou em cinco décadas de carreira sua marca na TV e no cinema.

Nascido em agosto de 1930, em Oakland, na Califórnia, Culp começou a estudar arte dramática no final dos anos 1940, mas não chegou a concluir o curso pois, no começo da década seguinte, já chamava a atenção de produtores atuando em seriados como Kraft Television Theatre, Alfred Hitchcock Presents e Trackdown, em que também escrevia alguns roteiros.

Depois que Trackdown deixou de ser exibida, em 1959, Culp continuou a ser requisitado para produções das três principais redes americanas (CBS, ABC e NBC), até que, em 1965, ganhou seu primeiro papel como protagonista no seriado I Spy (no Brasil, Os Destemidos), em que dividia o estrelato com Bill Cosby.

Após o término da série, Culp voltou a emprestar seu talento para outros trabalhos. Ao lado do amigo Peter Falk, participou de quatro episódios de Columbo, tornando-se o ator que mais vezes interpretou um vilão na série. Fez ainda participações especiais em Os Audaciosos, com Tony Franciosa, em Os Novos Centuriões e, mais recentemente, em Chicago Hope (2000) e Everybody Loves Raymond (1996 – 2004).

Paralelamente à TV, Culp também se destacou no cinema, atuando em filmes de sucesso como a comédia Bob & Carol & Ted & Alice, ao lado de Natalie Wood e Dyan Cannon, e no suspense O Dossiê Pelicano, com Denzel Washington e Julia Roberts.

Espionagem na quadra de tênis

Os Destemidos (I Spy) foi um dos grandes sucessos da TV americana no final da década de 1960. O seriado acompanhava as aventuras de um jogador de tênis mundialmente famoso chamado Kelly Robinson, interpretado por Robert Culp, e de seu seu treinador, Alexander Scott (Bill Cosby). Na verdade, o esporte era o disfarce que mascarava a identidade dos dois, que, na realidade, eram agentes secretos a serviço do Pentágono em busca de espiões. Além de protagonista, Culp também escrevia roteiros e um dos sete trabalhos de sua autoria chegou a ser indicado ao Emmy.

Culp e Cosby voltariam a se encontrar em 1987, quando o primeiro fez uma participação no seriado comandado pelo segundo (The Cosby Show). Culp interpretava um amigo do Dr. Cliff Huxtable (Cosby) chamado Scott Kelly, uma combinação dos nomes de seus personagens em Os Destemidos.

(Coluna publicada em 4/4/2010)

Charme e muito cor de rosa

23 de abril de 2010 0

Comuns nos seriados televisivos, os spin offs também se fazem presentes nos desenhos animados. Um dos mais famosos foi o que deu origem a Os Apuros de Penélope Charmosa, desenho criado a partir do grande sucesso que o personagem obteve em outro trabalho da dupla Hanna-Barbera: a Corrida Maluca.

Penélope, provavelmente a primeira perua da história dos desenhos animados, dirigia um carro cor-de-rosa em Corrida Maluca (que nunca iria aparecer em Os Apuros de Penélope Charmosa), usava um capacete também cor-de-rosa além de meias vermelhas e botas brancas.

A protagonista vivia sofrendo com as perseguições e armadilhas desenvolvidas por seu inimigo número 1, Tião Gavião. O que Penélope não sabia é que Tião Gavião era na verdade o alter-ego de Silvestre Soluço, seu advogado e tutor. Auxiliado por uma dupla de vilões atrapalhados, os Irmãos Bacalhau, Tião Gavião pretendia matar Penélope para ficar com a fortuna que ela havia herdado. Para escapar dos malignos planos do trio de malfeitores – que quase sempre envolviam desastres aéreos ou perigosas perseguições automobilísticas –, Penélope contava com a ajuda da Quadrilha de Morte, um grupo de sete simpáticos gângsteres, também saído de Corrida Maluca e claramente inspirados nos sete anões que cercavam Branca de Neve. Como boa moça rica, Penélope estava sempre viajando pelo mundo. Assim, suas aventuras tinham como cenário o Egito, a Inglaterra, o Polo Norte e diversas localidades dos Estados Unidos.

Lançado em setembro de 1969 nos Estados Unidos – e pouco tempo depois no Brasil –, o seriado teve apenas uma temporada com 17 episódios – cada um com cerca de meia hora de duração. O último episódio foi ao ar em 17 de janeiro de 1971, mas nas últimas quatro décadas foram raras as temporadas no Brasil ou nos Estados Unidos em que o desenho não fosse reprisado.

Três coisas curiosas

> O título do desenho fazia uma referência a um seriado dos tempos do cinema mudo, The Perils of Pauline.

> Embora tenham se originado de a Corrida Maluca, os personagens nunca fizeram referência ao desenho.

> Um dos bordões clássicos de Os Apuros de Penélope: um dos integrantes da Quadrilha de Morte estava sempre rindo e falava: “Hahaha, Penélope vai morrer, Hahaha!”.

(Coluna publicada em 28/3/2010)

O tédio de ser detetive

23 de março de 2010 0

Na contramão de quase todos os seriados policiais lançados nos anos 1970, Harry-O desprezava as velozes perseguições e as cenas de ação apostando num detetive pacato, quase desligado, entediado com a vida policial e com a resolução de crimes. O que poderia ser a antipropaganda acabou se transformando no grande charme da série, revelando uma maneira curiosa e inteligente de abordar histórias policiais na TV.

Harry-O foi lançado pela Rede ABC em fevereiro de 1974. Uma das garantias de qualidade era o ator principal, David Janssen, na época já um dos nomes mais importantes da TV mundial graças ao seu trabalho como protagonista da série O Fugitivo. Agora Janssen encarnava Harry Orwell, um policial californiano forçado a se aposentar depois de ter sido baleado.

Tudo para Harry era difícil: o tiro que o obrigou a se aposentar ainda doía em seu corpo, e o pessimismo com relação ao sucesso da justiça no combate ao crime jogava o personagem ainda mais para baixo. Para completar o quadro de desânimo, seu velho Austin Healey Sprite estava sempre na oficina, o que fazia com que Harry tivesse que seguir nas suas investigações andando de ônibus.

Em meio a tantas desgraças, restava a Harry o reconhecimento de seus clientes e a certeza de que ninguém sabia investigar de maneira tão sutil e racional quanto ele. Como recompensa final, Harry ainda tinha um consolo ao voltar para casa. Sua vizinha era a simpática e sensual Sue Ingham, interpretada pela iniciante Farrah Fawcett, morta no ano passado e que, a propósito, não foi mencionada na cerimônia de entrega do Oscar durante o tributo aos atores falecidos. O motivo? Segundo a Academia, ela se tornou mais conhecida por seus trabalhos na TV, como no seriado As Panteras.

Nascido David Harold Meyer, em Los Angeles, em março de 1931, David Janssen (foto) mudou-se com a família para Hollywood quando ainda era criança, estreando no cinema em uma pequena ponta aos 14 anos. Fez várias figurações até assinar o primeiro contrato, aos 18 anos, passando a atuar em filmes dos estúdios Fox e Universal na década de 50.

Sua carreira ganharia um novo impulso a partir da década seguinte. De 1963 a 1967, seria o protagonista de O Fugitivo, seriado que acompanhava os dramas e as aventuras do Dr. Richard Kimble, um homem injustamente acusado de haver assassinado a esposa e que precisava caçar o verdadeiro assassino. A série foi um sucesso de audiência nos Estados Unidos e no Brasil e, depois de seu encerramento, Janssen trabalharia em muitos outros seriados como Cannon, Route 66 e Police Story.

Estava em plena atividade quando não resistiu a um enfarte em fevereiro de 1980 em sua casa em Malibu.

(Coluna publicada em 14/3/2010)

Um detetive ao estilo antigo

23 de março de 2010 0

Detetive durão, forjado nas ruas, Mike Hammer foi a grande criação de Mickey Spillane (foto) e na década de 1980 voltou a sair do papel para se transformar em personagem televisivo.

Com Stacy Keach como protagonista e um elenco que incluia a voluptuosa Lindsay Bloom, além de Don Stroud e Kent Williams, Hammer foi uma série apresentada pela CBS entre 28 de janeiro de 1984 e 12 de janeiro de 1985 – no Brasil seria retransmitida pelo SBT. Os 24 episódios acompanhavam as aventuras de Mike Hammer, um detetive particular que circulava pelas ruas de Nova York.

Mesmo tendo sido realizado nos anos 1980, o filme buscava o clima dos antigos policiais dos anos 1930 e 1940, no estilo de filmes noir como O Falcão Maltês, valorizando o aspecto do detetive e dando destaque a uma narração em off (como se o protagonista estivesse pensando). Hammer fumava e não era sensível. Era machista, misógino e dava em cima das clientes.

A produção do seriado foi interrompida no final da primeira temporada, quando Keach foi preso na Inglaterra por tráfico de cocaína. Ele estava no país filmando uma minissérie quando foi detido e condenado a nove meses de prisão – cumprindo seis, sendo libertado por bom comportamento.

Um escritor durão

Um dos mestres da literatura policial norte-americana, Frank Morrison Spillane nasceu em 9 de março de 1918, no Brooklyn, em Nova York, mas foi criado em Nova Jersey. Começou a escrever na adolescência, época em que dividia a atividade literária com outras funções, como salva-vidas e artista de trampolim. Lutou na Segunda Guerra Mundial e, depois de retornar aos EUA na metade dos anos 1940, passou a se dedicar também ao roteiro de histórias em quadrinhos.

Seu primeiro livro, Eu, o Júri, foi lançado em 1947 e nele Spillane apresentava seu personagem mais famoso: o detetive Mike Hammer. O livro tornou-se um sucesso imediato pela ousada mistura de mulheres, sexo e violência, fórmula que garantiria a Spillane uma carreira exitosa.

Morreu respeitado e rico – seus livros venderam mais de 225 milhões de cópias – em 17 de julho de 2006, de complicações no pâncreas. Estava com 88 anos.

(Coluna publicada em 7/3/2010)

Sois rei, Jô Soares?

23 de março de 2010 0

Último programa de humor comandado por Jô Soares na Rede Globo, Viva o Gordo se amparava em duas vertentes. Uma estruturada na simples presença do humorista, sucesso nacional com stand-up comedy, sendo a mais famosa delas Viva o Gordo – Abaixo o Regime. A outra em cima dos programas de variedades, com vários personagens dividindo-se em esquetes de humor.

Jô, que já havia participado de Faça Humor, Não Faça Guerra (1970), Satiricom (1973) e Planeta dos Homens (1976), ganhava agora um programa exclusivo. Lançado em março de 1981, Viva o Gordo era dirigido por Cecil Thiré e Francisco Milani e reunia um timaço de redatores: Max Nunes, Hilton Marques, Luis Fernando Verissimo, Armando Costa e Afonso Brandão. O elenco trazia tanto nomes cosagrados, como Paulo Silvino, Brandão Filho, Walter D’Ávila e Berta Loran, quanto jovens promessas como Cláudia Raia, Louise Cardoso e Ângela Vieira.

Respeitado como grande criador de personagens, Jô iria ampliar ainda mais a sua galeria. Viva o Gordo lançaria quadros como o de Bo Francineide, atriz de pornochanchadas à procura de trabalho na televisão, sempre acompanhada da “porno-mãe” (Henriquieta Brieba), Sebá, o último exilado, que não conseguia voltar para o Brasil, Reizinho, um pequeno monarca (interpretado por Jô de joelhos) e que tinha o bordão “Sois rei?” e o Capitão Gay, um super-herói que, ao lado do seu fiel escudeiro, Carlos Suely (Eliezer Motta), defendia os fracos e oprimidos.

Viva o Gordo durou até dezembro de 1987, quando Jô decidiu não renovar seu contrato com a Rede Globo. No ano seguinte, ele passaria a ser funcionário do SBT e, no canal do Silvio Santos, poderia desenvolver um projeto que tinha havia anos, mas que nunca fora aprovado pela Globo: um programa de entrevistas.

Para quem quer matar a saudade dos personagens do Jô, um DVD duplo com os melhores momentos do programa Viva o Gordo acaba de ser lançado.

Três coisas curiosas

> O bordão “Sois rei?” foi criado por Max Nunes baseado em uma história verídica. Um integrante da Academia Brasileira de Letras saía atrasado para uma recepção e, vestido com o fardão, pegou um táxi. O motorista, ao vê-lo, perguntou: “Sois rei?”.

> Numa das aberturas de Viva o Gordo, Jô Soares aparecia em imagens de arquivo ao lado de celebridades internacionais como Fidel Castro, Mikhail Gorbachev e Margareth Thatcher.

> Um dos quadros de maior sucesso foi o do telespectador Zezinho, uma espécie de alter ego de Jô que aparecia no final de cada programa criticando a performance do comediante.

(Coluna publicada em 28/2/2010)

Um veterano policial da ruas

23 de março de 2010 0

Spin-off do seriado lembrado aqui na semana passada, Joe Forrester foi um dos “filhos” de Os Novos Centuriões (Police Story). Por ter surgido a partir de uma série de grande sucesso e por privilegiar apenas um personagem – enquanto o seriado original valorizava ambientes e situações –, Joe Forrester não repetiu o êxito e foi abandonado depois de apenas uma temporada.

O começo - Joe Forrester – a série – foi testada com a apresentação de um episódio-piloto chamado The Returns of Joe Forrester, exibido nos Estados Unidos em 6 de maio de 1975.

O cara - Tendo Lloyd Bridges – na época já um nome reconhecido tanto na televisão quanto no cinema como protagonista – Joe Forrester acompanhava o cotidiano de um veterano policial que se recusava a se aposentar. Também insatisfeito com possíveis promoções que o colocariam atrás de uma mesa num distrito policial, Forrester preferia continuar vestindo seu uniforme azul e circulando pelas ruas da metrópole, ajudando a combater o crime e perseguindo ladrões, assassinos e traficantes. Sua luta contava como o apoio de um amigo, o Sargento Bernie Vincent (Eddie Egan), e de Georgia (Patrícia Crowley), sua namorada.

O fim – Com um formato careta e tramas bem previsíveis, Joe Forrester se amparava apenas no carisma de Lloyd Bridges. Porém, infelizmente, apenas isso não foi suficiente para manter o seriado em cartaz. Em março de 1976, depois de 22 episódios, a série foi abandonada.

Sucesso na terra, no ar e no mar

Ator que manteve uma carreira por quase seis décadas, Lloyd Vernet Bridges Jr. foi um dos mais respeitados nomes do cinema e da TV americana em sua geração, deixando uma herança artística que segue através de seus dois filhos: os também atores Jeff e Beau Bridges.

Nascido na Califórnia em 1913, Lloyd se destacou primeiramente como atleta. O bom porte físico ajudou-lhe a conseguir seus primeiros trabalhos em teatro, no começo dos anos 1940. Na TV ganharia notoriedade a partir da década seguinte quando foi o astro de Aventura Submarina (Sea Hunt), seriado que marcaria também a estreia artística de Jeff e Beau.

Seu talento fez com que participasse de mais de 150 filmes, aí incluídos westerns, policiais, dramas e comédias. Foi fazendo rir que se tornou um nome mais conhecido para a geração nascida a partir dos anos 1970, principalmente pelas suas participações nos filmes da série Apertem os Cintos… O Piloto Sumiu. Lloyd Bridges morreu em Los Angeles em março de 1998, aos 85 anos.

(Coluna publicada em 21/2/2010)

Histórias de dentro da polícia

17 de fevereiro de 2010 0

Se até então era tratada apenas como ficção, a vida policial começou a ser vista por dentro a partir de Os Novos Centuriões ou, como explicava o título original, Police Story. Nos Estados Unidos, o seriado foi apresentado originalmente pela Rede NBC, entre 2 de outubro de 1973 e 5 de abril de 1977. No total foram 87 episódios, de cerca 50 minutos cada. O longa que deu origem à série, com duas horas de duração, tinha o título de The Police Story e se inspirava no livro homônimo de Joseph Wambaugh.

Produzida por David Gerber e Mel Swope, a série era ambientada em Los Angeles, e o protagonista de cada episódio era um policial de algum setor do Los Angeles Police Department (LAPD). Boa parte do sucesso do relato de Wambaugh se deve à análise profunda que ele trazia para a ficção, ressaltando um aspecto mais realista, quase documental, e mostrando o cotidiano de detetives, inspetores, investigadores e policiais que circulavam pelas ruas de uma grande cidade americana. Outra virtude da série era abordar temas polêmicos como alcoolismo, tráfico de drogas, violência policial e corrupção.

Por ter características amplas e diversificadas, Os Novos Centuriões se prestava a muitas participações especiais – com um elenco que incluía Vic Morrow, Ed Asner, David Janssen, Robert Stack, James Farentino, Tony Lo Bianco, Lloyd Bridges e Angie Dickinson – e também a experiências com novos seriados, os chamados spin-offs. Dois, pelo menos, fizeram bastante sucesso: Joe Forrester, com Lloyd Bridges, e Police Woman, com Angie Dickinson. Além disso, Police Story inspirou um seriado que faria muito sucesso nos anos 80: Hill Street Blues.

Da prática à teoria

Autor do livro que serviu de base para a série, Wambaugh sabia do que estava falando. Nascido em janeiro de 1937, na Pensilvânia, ele ingressou na LAPD em 1960. Serviu 14 anos, subindo na hierarquia de patrulheiro a detetive. Seu primeiro livro foi publicado em 1971 e, apesar do sucesso de vendas, ele permaneceu por mais três anos atuando como policial. Só em 1974 deixaria a farda e passaria a se dedicar com exclusividade à literatura, além de continuar colaborando com roteiros para estúdios de TV e de cinema.

Aos 73 anos, Wambaugh continua na ativa. Recentemente lançou a trilogia que reúne Hollywood Station (2006), Hollywood Crows (2008) e Hollywood Moon (2009). Vivendo em San Diego, Wambaugh também dá aulas de roteiros na Universidade da Califórnia.

(Coluna publicada em 14/2/2010)

Os disfarces de um policial

17 de fevereiro de 2010 0

Na mesma linha de Serpico, comentado aqui na semana passada, Toma foi um seriado televisivo inspirado num personagem real. No caso, o detetive David Toma, do Departamento de Polícia de Newark, New Jersey.

A principal característica de Toma era mostrar o cotidiano de um policial que rompia com os padrões. Como Serpico, Toma era irreverente, polêmico. Gostava de trabalhar disfarçado, inserindo-se como um espião nos grupos que estavam sendo investigados, e quase sempre agia solitariamente, distanciado de outros colegas policiais.

O papel-título era interpretado por Tony Musante e, ao contrário de Serpico, cujo herói verdadeiro havia partido para um exílio voluntário, Toma contava com a assessoria do próprio inspirador. Paralelamente ao seu trabalho para a polícia, David Toma tornou-se um conselheiro da rede ABC, responsável pelo seriado, e até chegou a participar como ator de alguns episódios.

Toma passou a ser exibido a partir de 4 de outubro de 1973 pela ABC (no Brasil iria ao ar pela extinta TV Tupi). Apesar do relativo sucesso, a série durou apenas uma temporada de 23 episódios, já que Musante se negou a continuar trabalhando. Por esse motivo, os produtores passaram a desenvolver uma série semelhante porém totalmente ficcional: Baretta.

ENTRE A ITÁLIA E OS EUA

Nascido em Bridgeport, Connecticut, descendente de uma família de italianos Tony Musante (30 de junho de 1936) foi um dos mais ativos atores de sua geração, com trabalhos tanto nos Estados Unidos quanto na Itália. Com formação feita no Oberlin College e na Universidade Northwestern, Musante estreou na televisão em 1963, no telefilme Ride with Terror, com Gene Hackman. Nos anos seguintes participaria de seriados como Bob Hope Presents the Chrysler Theatre, The Alfred Hitchcock Hour e O Fugitivo.

Na década seguinte – antes de ser convidado para ser o protagonista de Toma –, Musante passaria longas temporadas na Itália, participando de diversos filmes, dentre eles o clássico O Pássaro das Plumas de Cristal, do mestre do terror italiano Dario Argento. Mais recentemente, no final dos anos 90, Musante interpretou Antonio “Nino”” Schibetta, um temido chefe mafioso na primeira temporada de Oz, seriado da HBO. Aos 73 anos, ele continua na ativa. Seu trabalho mais recente foi no longa Os Donos da Noite, ao lado de Joaquim Phoenix e Eva Mendes.

(Coluna publicada em 7/2/2010)

O policial dos policiais

01 de fevereiro de 2010 1

Herói outsider, figura carismática, justiceiro solitário, o policial nova-iorquino Frank Serpico influenciou muitos de seus contemporâneos. Mais: seu exemplo foi forte e edificante, ajudando a conter a corrupção e dando um novo formato à polícia americana. Seu estilo único e singular inspirou um livro (escrito por Peter Maas), um filme (dirigido por Sidney Lumet e protagonizado por Al Pacino) e uma série televisiva (com David Birney no papel principal).

Criado por Robert E. Collins, o seriado Serpico passou a ser apresentado a partir de setembro de 1976 pela rede NBC – no Brasil era exibido pela Rede Bandeirantes. Ao contrário do filme e principalmente do livro, que mostravam um Serpico intelectualmente curioso e pessoalmente atormentado, o seriado trazia uma leitura mais linear do personagem, pouco se detendo em inquietações filosóficas. Escolhido como protagonista, David Birney era um nome conhecido da televisão americana, com participações em seriados como Police Woman, Cannon e Casal McMillan. Tom Ewell completava o elenco.

Apesar de um início promissor, o seriado não teve sorte. Sem muito sucesso de audiência, Serpico, a série, durou apenas uma temporada, dividida em 15 episódios.

UM HERÓI DE VERDADE

O verdadeiro Frank Serpico nasceu em Nova York em 1936. Aos 18 anos, alistou-se no Exército americano, passando dois anos na Coreia. Em 1959, Serpico entrou para a polícia de Nova York, tornando-se rapidamente um dos principais investigadores de sua geração. Insatisfeito com o excesso de corrupção dentro da própria polícia, Serpico passou a denunciar os casos, primeiro numa comissão interna e, posteriormente, em reportagens jornalísticas. Perseguido pelos próprios colegas, Serpico foi baleado numa emboscada em maio de 1971. Aposentado um ano depois, recebeu a Medalha de Honra da polícia de Nova York e retirou-se para um exílio voluntário na Suíça.

Na semana passada, Serpico foi tema de uma extensa matéria do The New York Times. Aos 73 anos, casado com uma professora, cercado de cachorros, ele leva uma vida pacata e reclusa em um sítio em Harlemville, Nova York.

(Coluna publicada em 31/1/2010)

Agonia de um festival

01 de fevereiro de 2010 0

Há exatas três décadas, a Globo tentou reviver o clima dos grandes festivais dos anos 1960 e idealizou um evento que recuperasse o impacto popular e a importância musical daquela época. Como os tempos eram outros, o Festival da Nova Música Popular Brasileira – MPB 80 não teve um alcance tão grande como havia sido esperado, mas ainda assim ajudou a revelar – ou confirmar – novos talentos como Oswaldo Montenegro, Amelinha, Eduardo Dussek (na época, Dusek), Gang 90 e as Absurdetes, Joyce e Jessé.

Dirigido por Walter Lacet e com produção musical de Guto Graça Mello e J.C. Botezelli (o Pelão, nome histórico da MPB), o festival estreou no dia 14 de março de 1980, sendo apresentado nas noites de sexta-feira pela Rede Globo. No início, houve pré-seleção dirigida, que elegeu 60 finalistas entre 16 mil compositores e 20.183 músicas inscritas. O júri era formado por 200 profissionais das mais diversas áreas, como músicos, críticos, jornalistas e DJs.

Algumas músicas se transformaram em sucessos instantâneos como Foi Deus quem fez Você, interpretada por Amelinha, que atingiu a marca de 300 mil discos vendidos. Além dessa, caíram na boca do povo hits como A Massa (de Raimundo Sodré), Porto Solidão (de Jessé), Clareana (de Joyce) e Nostradamus (de Eduardo Dusek).

A grande vencedora foi Agonia, de Mongol, interpretada por Oswaldo Montenegro. A finalíssima, realizada no Maracanãzinho, no dia 23 de agosto, reuniu um público de aproximadamente 30 mil pessoas e reviveu em parte o clima dos antigos festivais, com disputas de torcidas e muitas vaias.

Três coisas curiosas

1 – Entre os apresentadores das eliminatórias do festival, estavam Christiane Torloni, Glória Maria, Luiz Carlos Miele, Marcos Hummel, Nelson Motta e Paula Saldanha.

2 – No ano seguinte, a Globo voltou a investir numa nova edição. Contando com o apoio de um patrocinador o festival passou a se chamar MPB-Shell.

3 – Houve ainda novas tentativas, como o MPB-Shell 1982, o Festival dos Festivais (1985) e o Festival da Música Brasileira (2000), mas nenhum repetiu o êxito da primeira edição.

(Coluna publicada em 24/1/2010)