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Posts com a tag "filme"

O policial dos policiais

01 de fevereiro de 2010 1

Herói outsider, figura carismática, justiceiro solitário, o policial nova-iorquino Frank Serpico influenciou muitos de seus contemporâneos. Mais: seu exemplo foi forte e edificante, ajudando a conter a corrupção e dando um novo formato à polícia americana. Seu estilo único e singular inspirou um livro (escrito por Peter Maas), um filme (dirigido por Sidney Lumet e protagonizado por Al Pacino) e uma série televisiva (com David Birney no papel principal).

Criado por Robert E. Collins, o seriado Serpico passou a ser apresentado a partir de setembro de 1976 pela rede NBC – no Brasil era exibido pela Rede Bandeirantes. Ao contrário do filme e principalmente do livro, que mostravam um Serpico intelectualmente curioso e pessoalmente atormentado, o seriado trazia uma leitura mais linear do personagem, pouco se detendo em inquietações filosóficas. Escolhido como protagonista, David Birney era um nome conhecido da televisão americana, com participações em seriados como Police Woman, Cannon e Casal McMillan. Tom Ewell completava o elenco.

Apesar de um início promissor, o seriado não teve sorte. Sem muito sucesso de audiência, Serpico, a série, durou apenas uma temporada, dividida em 15 episódios.

UM HERÓI DE VERDADE

O verdadeiro Frank Serpico nasceu em Nova York em 1936. Aos 18 anos, alistou-se no Exército americano, passando dois anos na Coreia. Em 1959, Serpico entrou para a polícia de Nova York, tornando-se rapidamente um dos principais investigadores de sua geração. Insatisfeito com o excesso de corrupção dentro da própria polícia, Serpico passou a denunciar os casos, primeiro numa comissão interna e, posteriormente, em reportagens jornalísticas. Perseguido pelos próprios colegas, Serpico foi baleado numa emboscada em maio de 1971. Aposentado um ano depois, recebeu a Medalha de Honra da polícia de Nova York e retirou-se para um exílio voluntário na Suíça.

Na semana passada, Serpico foi tema de uma extensa matéria do The New York Times. Aos 73 anos, casado com uma professora, cercado de cachorros, ele leva uma vida pacata e reclusa em um sítio em Harlemville, Nova York.

(Coluna publicada em 31/1/2010)

Paz e amor

18 de agosto de 2009 0

Ele foi o maior profeta da sua geração. Seus milagres – nunca confirmados, mas isso seus seguidores não exigiam – iam da chuva de dinheiro no pregão da bolsa de Wall Street à levitação do Pentágono em um sit-in, da ameaça de jogar LSD nas caixas d’água de San Francisco à invasão da convenção do Partido Democrata que indicaria o candidato adversário do republicano Richard Nixon na eleição presidencial de 1968.

Abbot Howard “Abbie” Hoffman nasceu em novembro de 1936 em Worcester, Massachusetts. Nos anos 60, consagrou-se como um emergente líder dos direitos civis. Carismático e bem humorado, Hoffman foi um marxista de uma linha que cultuava mais o Groucho do que o Karl. Era um ator que teria muito a dizer, mas que infelizmente optou por sair cedo de cena. Saiu do front, mas não abandonou a guerra.

A partir dos anos 70, enquanto alguns de seus colegas da invasão da convenção Democrata se acomodavam em Wall Street e deixavam de ser hippies para se tornarem yuppies, Hoffman – gordo, grisalho, barbudo, desleixado – abraçava outras causas, como a ecologia, e vivia do que arrecadava em palestras. As agitações culturais, políticas e comportamentais daqueles anos foram a universidade onde Hoffman foi aluno e professor.

Mestre pouco afeito aos didatismos, ele estava com 52 anos quando foi encontrado morto em sua casa, vítima de uma dose excessiva de calmantes – não se sabe se foi suicídio ou acidente – em abril de 1989, nos primeiros meses do obscuro mandato de Bush, pai, e uma década antes do novo milênio, da era que ele ajudou a mudar.

Recentemente, Hoffman renasceu em “Chicago 10″, filme que trata dos protestos contra a guerra do Vietnã que explodiram durante a convenção do Partido Democrata em 1968 e o julgamento bombástico que se seguiu dos ativistas.