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Posts com a tag "humor"

Sois rei, Jô Soares?

23 de março de 2010 0

Último programa de humor comandado por Jô Soares na Rede Globo, Viva o Gordo se amparava em duas vertentes. Uma estruturada na simples presença do humorista, sucesso nacional com stand-up comedy, sendo a mais famosa delas Viva o Gordo – Abaixo o Regime. A outra em cima dos programas de variedades, com vários personagens dividindo-se em esquetes de humor.

Jô, que já havia participado de Faça Humor, Não Faça Guerra (1970), Satiricom (1973) e Planeta dos Homens (1976), ganhava agora um programa exclusivo. Lançado em março de 1981, Viva o Gordo era dirigido por Cecil Thiré e Francisco Milani e reunia um timaço de redatores: Max Nunes, Hilton Marques, Luis Fernando Verissimo, Armando Costa e Afonso Brandão. O elenco trazia tanto nomes cosagrados, como Paulo Silvino, Brandão Filho, Walter D’Ávila e Berta Loran, quanto jovens promessas como Cláudia Raia, Louise Cardoso e Ângela Vieira.

Respeitado como grande criador de personagens, Jô iria ampliar ainda mais a sua galeria. Viva o Gordo lançaria quadros como o de Bo Francineide, atriz de pornochanchadas à procura de trabalho na televisão, sempre acompanhada da “porno-mãe” (Henriquieta Brieba), Sebá, o último exilado, que não conseguia voltar para o Brasil, Reizinho, um pequeno monarca (interpretado por Jô de joelhos) e que tinha o bordão “Sois rei?” e o Capitão Gay, um super-herói que, ao lado do seu fiel escudeiro, Carlos Suely (Eliezer Motta), defendia os fracos e oprimidos.

Viva o Gordo durou até dezembro de 1987, quando Jô decidiu não renovar seu contrato com a Rede Globo. No ano seguinte, ele passaria a ser funcionário do SBT e, no canal do Silvio Santos, poderia desenvolver um projeto que tinha havia anos, mas que nunca fora aprovado pela Globo: um programa de entrevistas.

Para quem quer matar a saudade dos personagens do Jô, um DVD duplo com os melhores momentos do programa Viva o Gordo acaba de ser lançado.

Três coisas curiosas

> O bordão “Sois rei?” foi criado por Max Nunes baseado em uma história verídica. Um integrante da Academia Brasileira de Letras saía atrasado para uma recepção e, vestido com o fardão, pegou um táxi. O motorista, ao vê-lo, perguntou: “Sois rei?”.

> Numa das aberturas de Viva o Gordo, Jô Soares aparecia em imagens de arquivo ao lado de celebridades internacionais como Fidel Castro, Mikhail Gorbachev e Margareth Thatcher.

> Um dos quadros de maior sucesso foi o do telespectador Zezinho, uma espécie de alter ego de Jô que aparecia no final de cada programa criticando a performance do comediante.

(Coluna publicada em 28/2/2010)

É tudo verdade

24 de novembro de 2009 0

Esse vídeo genial – que mostra como os Beatles seriam vistos daqui a mil anos – deixa na gente a impressão de que todos os documentários que se vê na TV estão nos enganando. Dica do meu amigo @dgdgd.

O mais infantil dos Trapalhões

19 de setembro de 2009 0

Se Mussum encarnava a malandragem e a malícia, um outro trapalhão se destacava pela figura ingênua, quase infantil. Ao escrever, em Jeito de Corpo, “Sou Zacarias, carinho. Pássaro no ninho. Qual tu me vê na tevê”, Caetano Veloso homenageava o comediante, flagrando o que havia de mais explícito na figura de Mauro Faccio Gonçalves, o Zacarias, humorista nascido em 1933, em Sete Lagoas (MG), que obteve reconhecimento nacional ao lado dos colegas Renato Aragão, Dedé Santana e Mussum.

Último integrante a se juntar ao grupo, Zacarias tinha uma carreira artística iniciada em 1955 na Rádio Cultura de Sete Lagoas, num programa humorístico chamado Em Babozal Era Assim. Mudando-se posteriormente para Belo Horizonte, Mauro começou a se destacar pela capacidade de imitar vozes, passando por diversas emissoras de rádio da capital mineira até estrear na televisão, também em Belo Horizonte, na TV Itacolomi, em 1963.

O bom trabalho realizado em Minas chamou a atenção de produtores do Rio de Janeiro e, na mesma época, Mauro acabou sendo convidado para fazer parte do elenco da TV Excelsior, seguindo logo depois para a TV Tupi. Na nova emissora, participaria do programa Café sem Concerto, onde criaria o personagem que o tornaria famoso.

Com uma risada infantil, uma peruca claramente mal colocada – que outros personagens frequentemente roubavam dele –, os dentes saltados,um humor simplório e gestos levemente afetados (embora sem nenhuma referência homossexual), Zacarias foi incorporado ao grupo a convite de Renato Aragão, transformando-se rapidamente no personagem com maior empatia com o público infantil.

Com exceção de um único filme, Atrapalhando a Suate, em 1983, a parceria dos quatro Trapalhões durou da metade dos anos 70, quando Zacarias entrou no grupo, até a morte do comediante. Internado na Clínica São Vicente, no Rio de Janeiro, Zacarias veio a morrer em 18 de março de 1990, aos 57 anos. Como a família do ator proibiu a divulgação do boletim com a causa da morte de Zacarias, o material divulgado pela clínica dava conta de que o comediante teve insuficiência respiratória em consequência de uma infecção pulmonar.

TRÊS COISAS CURIOSAS

- Zacarias era o nome de um galo que Mauro teve quando criança.

- Em 1983, houve uma crise entre Renato Aragão e os outros componentes do grupo, o que resultou na formação da sociedade DeMuZa, iniciais de Dedé, Mussum e Zacarias.

- Longe dos Trapalhões, Mauro participou de três pornochanchadas nos anos 1970: Tô na Tua, Ô Bicho (1971), O Fraco do Sexo Forte (1977) e Deu a Louca nas Mulheres (1977)

Duas faces de Mussum

15 de agosto de 2009 1

Graças ao You Tube, é possível matar a saudade do humorista que foi tema da coluna Jogo da Memória deste domingo. Como trapalhão…

… e como músico dos Originais do Samba…

Um comediantis muito engraçadis

15 de agosto de 2009 2

Quinze anos depois de sua morte – ocorrida em 29 de julho de 1994 – Mussum continua a ser uma referência no humor popular feito no Brasil. Prova disso foi a enxurrada de camisetas e adesivos com a imagem dele como candidato a presidente dos Estados Unidos, o Obamis.

Um dos quatro integrantes da fase áurea de Os Trapalhões – ao lado de Renato Aragão, Dedé Santana e Zacarias –, Antônio Carlos Bernardes Gomes, o Mussum, nasceu no Rio de Janeiro, em 7 de abril de 1941. Chegou à televisão depois de uma bem sucedida experiência musical como membro do grupo Originais do Samba. Para o quarteto, levou um humor inspirado nas gírias e nos trejeitos dos moradores dos morros cariocas. Mangueirense e flamenguista, Mussum – apelido dado por Grande Otelo – chegou aos Trapalhões a convite de Dedé Santana. Até então, sua única experiência televisiva era curta: algumas pequenas participações em uma das primeiras formações da Escolinha do Professor Raimundo, de Chico Anysio.

Mesmo sem deixar a fama e a segurança que os Originais do Samba lhe davam, Mussum envolveu-se com a TV, adaptando-se rapidamente à nova função. Seus personagens eram escrachados, descontraídos e debochados. De seu repertório, surgiram caretas que misturavam choros e gargalhadas e também um novo vocabulário, em que acrescentava as terminações “is” ou “évis” a quase todas as palavras, como forévis (como sinônimo de traseiro, bunda), cacildis (como interjeição de espanto) e coraçãozis.

Além disso, muito antes de Romário, Mussum encarnava o carioca marrento, que debocha dos outros mas sabe rir de si próprio, celebrizando expressões em que satirizava sua condição de negro, tais como “Negão é o teu passadis” e “Quero morrer pretis se eu estiver mentindo”.

Na metade da década de 1980, o quarteto começou a rachar, situação agravada com a morte de Zacarias, em 1990. Mussum ainda trabalharia com os outros dois colegas no Trapa-Hotel, além de fazer participações especiais em outros programas humorísticos. Mussum morreu em 1994, depois de não resistir a um transplante de coração. Tinha 53 anos.

SAMBA ORIGINAL

Boa parte da malícia de seu humor, Mussum trouxe dos Originais do Samba, conjunto formado nos anos 1960, no Rio de Janeiro. Fundador do grupo, Mussum tocava reco-reco, ao lado de Bigode (pandeiro), Bidi (cuíca), Chiquinho (ganzá), Lelei (tamborim) e Rubão (surdo). Sob o comando de Carlos Machado, os Originais do Samba estrearam com o espetáculo O Teu Cabelo Não Nega. Depois, em 1968, acompanharam Elis Regina na música vencedora da I Bienal do Samba, Lapinha, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro. O sucesso foi maior ainda no ano seguinte, quando gravaram Cadê Teresa, ao lado de Jorge Ben. A partir de então, o grupo passou a receber convites para shows e gravações ao lado de Chico Buarque, Vinicius de Moraes, além de ter sido o primeiro conjunto de samba a se apresentar no Olympia, em Paris.

Atualmente, quase sem nenhum integrante da formação original, o grupo permanece na ativa, excursionando por várias cidades do país e relembrando canções do repertório antigo.

O PENSAMENTO DE MUSSUM

“Crioulo é a tua veia!”

“Casa, comida, três milhão por mês, fora o bafo!”

“Cacildis! Vou me empirulitar!”

*

Para matar a saudade de Mussum, confira os dois vídeos que estão neste outro post.

A receita do pastelão

26 de julho de 2009 1

Fenômeno que alegrou as tardes de sucessivas gerações de crianças a partir dos anos 1930 do século passado, o seriado Os Três Patetas foi um caso impressionante de comediantes surgidos no cinema que souberam fazer a transição para a TV. Prova disso foi o imenso sucesso alcançado inicialmente nos Estados Unidos e, depois, em vários países, inclusive no Brasil, onde a série foi exibida por quase todas as emissoras de TV desde a década de 1950.

Os comediantes Larry (Larry Fine, 1902–1975), Moe (Moe Howard, 1897–1975) e Curly (Jerome Lester Horwitz, 1903–1952) ficaram famosos por uma série de curtas-metragens produzidos a partir dos anos 1920 em que eles exploravam um humor simplório, baseado na banalização da violência física e na confusão causada pelos jogos de palavras. A empatia com o público foi imediata.

Irreverente e totalmente doido, Os Três Patetas arrancou gargalhadas em episódios inesquecíveis. Como o perfil da série permitia qualquer abordagem, os episódios atiravam para todos os lados, contemplando desde celebrações natalinas até combates aos nazistas. O segredo do trio estava no uso de uma linguagem simples e direta, com um humor pastelão que se tornaria referência para grupos surgidos depois, como Os Trapalhões.

Mesmo com sucessivas alterações em alguns personagens, a série conseguiu manter o mesmo estilo por décadas, sendo interrompida apenas com a morte de dois de seus fundadores, Larry e Moe, na metade dos anos 1970. No total, foram quase 200 curtas-metragens.

A voz do humor

- Boa parte do sucesso de Os Três Patetas no Brasil se deve a Fileto Borges de Barros, humorista e dublador que deu voz ao irritadiço Moe.

- Nascido em 1923, Borges de Barros começou no rádio, mas passou a ser notado quando começou a atuar como dublador, principalmente devido a sua incrível capacidade de fazer várias vozes diferentes quase que simultaneamente

- Além de Moe, o pateta que exercia uma certa liderança sobre os outros dois parceiros, Borges de Barros também emprestou sua voz ao Pinguim, de Batman, e ao Dr. Smith, de Perdidos no Espaço.

- Quando saiu dos estúdios de dublagem e pôde mostrar sua cara na TV, Borges de Barros foi convidado por Manuel de Nóbrega para trabalhar em A Praça da Alegria. No humorístico, o ator interpretou o mendigo milionário, criador do bordão “Caro colega”.

- Borges de Barros morreu em São Paulo, em dezembro de 2007, aos 84 anos.

Postado por Márcio Pinheiro