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Em busca das raízes

28 de dezembro de 2009 0

Um dos maiores escritores americanos do século passado vai em busca de seus antepassados e acaba construindo um dos mais amplos e detalhados painéis da vida americana. Este é o resumo de Raízes, relato feito pelo escritor Alex Haley publicado em 1976, misturando romance com relato histórico e reconstruindo a vida de seus ancestrais a partir da chegada de Kunta Kinte aos Estados Unidos. Em 1767, Kunta Kinte havia sido capturado em Gâmbia, na África ocidental, e trazido à força para a América dentro de um navio negreiro. No novo país, Kunta Kinte fora vendido como escravo para fazendeiros de Maryland.

O livro deu origem à série de mesmo nome (Roots, no original), um dos maiores fenômenos de audiência da TV nos Estados Unidos. Exibida em uma semana nos EUA, entre 23 e 30 de janeiro de 1977 – e pouco tempo depois lançada no Brasil –, Raízes alcançou índices impressionantes: o último capítulo teve um público estimado de 130 milhões de pessoas.

Além disso, a série reuniu um dos maiores elencos de consagrados atores negros dos Estados Unidos como Ben Vereen, LeVar Burton, Louis Gossett, Jr., Leslie Uggams e Georg Stanford Brown. Raízes também extrapolou os limites televisivos, despertando na população interesse em nomes de origem africana. Um exemplo: Kizzy (personagem interpretada por Leslie Uggams) tornou-se um nome comum para recém-nascidas.

Raízes foi dirigida por Marvin J. Chomsky, John Erman, David Greene e Gilbert Moses, e produzida por Stan Margulies. A trilha sonora, também de grande sucesso, foi composta por Quincy Jones. No total, a série recebeu 36 indicações para o Prêmio Emmy, dos quais conquistou nove, além de vencer um Globo de Ouro.

No Brasil, a série foi exibida pela Rede Globo no final dos anos 1970, e reprisada pelo SBT na década seguinte.

Na guerra contra o tédio

Mesmo com uma obra curta, Alex Haley acabou se tornando um dos nomes mais importantes da literatura americana.

> Nascido em Ithaca, em agosto de 1921, Alexander Murray Palmer Haley era de uma família de classe média. Quando completou 18 anos, alistou-se na Marinha, lutando na II Guerra, mas desse período não trouxe nenhuma recordação maior.

> Anos depois, em um de seus escritos, Haley lembraria que, durante a guerra, o maior inimigo que ele e sua equipe enfrentaram durante as longas viagens marítimas não foram os japoneses, mas o tédio.

> Na década de 1950, trabalharia como jornalista, atuando como repórter da Playboy e ganhando destaque ao fazer entrevista com nomes importantes da cultura e da política americana como Sammy Davis Jr., Martin Luther King, Miles Davis, Quincy Jones e Muhammad Ali. Além de Raízes, outro importante livro deixado por Haley foram as memórias do líder negro Malcolm X.

> Haley morreu em fevereiro de 1992 em Seattle, Washington, de um ataque cardíaco. Foi enterrado ao lado de sua casa de infância em Henning, Tennessee.

(Coluna publicada em 13/12/2009)

Presença de Mel

12 de julho de 2009 0

O público passou a saber quem era Mel Lisboa a partir de Presença de Anita. Gaúcha de Porto Alegre, nascida em janeiro de 1982, filha da astróloga Cláudia Lisboa Alves e do cantor Bebeto Alves, Mel fez sua estreia na minissérie escrita por Manoel Carlos e apresentada em 16 capítulos em agosto de 2001. Manoel Carlos e Ricardo Waddington queriam uma atriz desconhecida para interpretar Anita, e Mel, na época estudante de cinema no Rio, foi aprovada para o papel entre mais de cem jovens.

Adaptação livre do romance homônimo de Mário Donato, Presença de Anita começa com o casal Lúcia Helena (Helena Ranaldi) e Fernando (José Mayer) buscando salvar o casamento em uma viagem com os filhos para Florença, no interior de São Paulo. Os planos se alteram com a entrada em cena de Anita (Mel Lisboa), uma jovem, bonita e atrevida, que passa a morar num antigo sobrado onde, no passado, houve um crime passional.

A presença de Anita interfere na vida de várias pessoas da cidade. Zezinho (Leonardo Miggiorin), ajudante da mercearia vizinha ao sobrado, é o primeiro a se apaixonar pela moça. Logo depois, Fernando tambem é seduzido por ela. O passado de Anita é uma incógnita, apenas com rápidas referências ao romance que teve com o artista plástico, Armando (Paulo César Pereio), muito mais velho do que ela.

O triângulo amoroso que se estabelece entre Anita, Fernando e Zezinho leva os dois personagens masculinos à loucura. Durante uma discussão, Fernando mata Anita com um canivete. Zezinho tenta salvá-la, mas, como os que estão na rua pensam ser ele o assassino, ele tenta fugir e acaba morrendo atropelado. Depois, a tragédia fica ainda maior quando Fernando, solitário, resolve passar a noite de Natal no sobrado abandonado. Enquanto sonha com a Anita, uma vela cai na cortina do quarto e inicia um incêndio, matando Fernando.

O sucesso da minissérie despertou o interesse pelo livro. Lançado em 1948, o romance de Mário Donato – irmão do também escritor Marcos Rey – foi polêmico desde o início, tendo sido reprovado pela Igreja e alvo de manifestos de senhoras católicas de São Paulo. Outro destaque foi a trilha sonora, em especial a música de abertura, Ne me Quittes Pas, interpretada por Maysa.

Presença de Anita foi reapresentada no ano seguinte ao da sua estreia pelo canal Multishow. Na mesma época, a Globo lançou a minissérie em DVD.