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Posts com a tag "novela"

O preto que satisfaz

21 de novembro de 2009 0

Por décadas a chanchada reinou no cinema brasileiro, formando gerações de espectadores e dando ao Brasil o que mais próximo houve de uma indústria cinematográfica. Depois dos anos 60, os filmes do gênero escassearam, até serem transformados numa versão – digamos assim – mais erótica: a pornochanchada. Parte do charme e da ingenuidade daquelas comédias serviram de inspiração para Feijão Maravilha, novela escrita por Bráulio Pedroso e apresentada pela Rede Globo no final da década de 70.

Exibida entre março e agosto de 1979, Feijão Maravilha tinha uma trama central que se passava no Hotel Internacional, no Rio de Janeiro. Lá, a recepcionista Eliana (Lucélia Santos) e o trambiqueiro Anselmo (Stepan Nercessian) se envolviam em confusões, perseguições e desencontros. Se a história estava centrada em dois jovens, o enredo crescia quando entravam em cena os personagens veteranos. Dessa maneira, o caldo deste Feijão Maravilha ficava mais saboroso com as histórias paralelas e as homenagem aos artistas que revolucionaram o cinema brasileiro, como Grande Otelo (Benevides), José Lewgoy (como o mafioso Ambrósio, em que voltava a interpretar um vilão como na época dos filmes da Atlântida), Ivon Curi (como o príncipe árabe Rachid) e Olney Cazarré (cujo personagem era inspirado em Oscarito), além de Eliana Macedo, Adelaide Chiozzo, Anselmo Duarte e Mara Rúbia.

Já que a trama aceitava qualquer ideia, o jeito era torná-la a mais maluca possível, colocando lado a lado bandidos e vedetes, cantores e sheiks, humoristas e jogadores de futebol. Nesta mistura, um dos destaques foi o número de participações especiais, aí incluídos o galã Francisco Cuoco, os comediantes Chico Anysio e Jô Soares, e os jogadores Zico e Sócrates.

Feijão gigantesco

Outro destaque em Feijão Maravilha foi a vinheta de apresentação. O tema era a canção O Preto que Satisfaz, composição de Gonzaguinha interpretada por As Frenéticas, e na abertura foi utilizada uma técnica de sobreposição de imagens de maquetes e chromakey. O cenário trazia a reprodução gigantesca de alimentos e utensílios de cozinha. Assim, um grupo formado por um chef de cozinha e por belas cozinheiras dançava e interagia com objetos como grãos de feijão, dentes de alho, caixas de fósforos, talheres e panelas.

VISITA CÉLEBRE

Zico e Sócrates foram alguns dos convidados especiais da novela, contracenando com José Lewgoy e Grande Otelo

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Deu amnésia no Jogo da Memória. A coluna não lembrou que David McCallum, o personagem da semana passada, continua na ativa, interpretando Donald “Ducky” Mallard no seriado NCIS no canal AXN.

(Coluna publicada em 22/11/2009)

Um herói para os novos tempos

30 de setembro de 2009 0

Se as novelas hoje em dia abordam temas atuais, mostram cenários conhecidos e personagens que poderíamos encontrar nas ruas, devem muito a Beto Rockfeller, telenovela pioneira no avanço de uma nova linguagem televisiva. Produzida pela Rede Tupi e exibida durante um ano (entre novembro de 1968 e novembro de 1969), Beto Rockfeller tirou a sisudez e a caretice que marcavam as tramas até então – principalmente as que eram escritas por Glória Magadan –, dando à novela um caráter mais moderno e divertido.

A ideia original foi de Cassiano Gabus Mendes, na época superintendente da TV Tupi, que encomendou o roteiro a Bráulio Pedroso e entregou a direção a Lima Duarte e Walter Avancini. Beto Rockfeller – o sobrenome fazia uma referência à rica e poderosa família americana proprietária de bancos e poços de petróleo, porém com grafia diferente da original, Rockefeller – acompanhava as aventuras e as confusões do personagem que dava nome à novela. Interpretado por Luiz Gustavo, Beto Rockfeller era de uma família paulistana de classe média, que trabalhava como vendedor de sapatos, mas que fazia se passar por milionário, frequentando festas e ambientes da alta sociedade e namorando uma moça rica, Lu, interpretada por Débora Duarte.

A Tupi foi ousada ao tratar assuntos tão complexos numa época em que o Brasil passava por um de seus períodos mais conturbados, um mês antes do AI-5. Apostando na informalidade e no improviso, Beto Rockfeller deixava de lado uma linha de atuação dramática e forçada, privilegiando os diálogos ágeis, o uso de gírias e oferecendo ao público uma ficção com estilo realista. Aproveitando o momento político e social, os produtores e os diretores da novela muitas vezes deixavam alguns capítulos para serem gravados na última hora para assim inserirem cacos e improvisos. Notícias de jornal e fofocas sobre personalidades conhecidas eram comentadas pelos personagens.

Outra inovação foi a criação de um anti-herói. Se até então os heróis eram sérios, corretos, honestos, com Beto Rockfeller surgiria a figura do bom malandro, simpático, mas sempre disponível para aplicar um golpe e para emendar uma trapaça noutra.

Apesar de seu caráter revolucionário, Beto Rockfeller não teve a mesma sorte quando seus criadores quiseram fazer uma continuação. Em 1973, Bráulio Pedroso escreveu A Volta de Beto Rockfeller, mas, mesmo contando com parte do elenco original, a nova versão não obteve o sucesso esperado.

TRÊS COISAS CURIOSAS

  1. Beto Rockfeller foi pioneira também no uso do merchandising, ressaltando as qualidades do medicamento Engov para combater a ressaca.
  2. Quase todos os capítulos da novela se perderam. É que a Tupi apagava as fitas para que fossem reutilizadas depois.
  3. Além de dirigir a novela, Lima Duarte trabalhou como ator em dezenas de capítulos.