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Posts com a tag "série"

História de uma enfermeira negra

05 de julho de 2010 0

O ano que não acabou foi movimentado também na televisão. Em 1968, para ficar apenas nos EUA, o país era incendiado pelos assassinatos de Martin Luther King e Bob Kennedy, pelo acirramento dos conflitos no Vietnã, pelas constantes manifestações pelos direitos civis e pelos protestos populares. A TV refletia esta realidade conturbada, e uma fatia expressiva do público, a dos afroamericanos, começava a se reconhecer na tela da televisão.

Grande representante dos seriados criados nesta época, Julia colocava uma atriz negra como protagonista e abordava assuntos dos mais atuais. Criado por Hal Kanter e Harold Stone, o seriado acompanhava o cotidiano de Julia Baker (Diahann Carroll), uma enfermeira negra de pouco mais de 30 anos, que levava a vida ao lado do filho Corey Baker (Marc Copage), de nove anos (juntos, na foto).

A série foi produzida pela rede NBC, estreou em setembro de 1968 e permaneceu na programação por três anos, até 1971, tendo no total 86 episódios de meia hora cada. No elenco, também estavam Lloyd Nolan, Betty Beaird, Michael Link e Mary Wickes.

TALENTO VERSÁTIL

Fenômeno entre as atrizes de seriado da década de 1960, Diahann Carroll se destacava não apenas pela beleza como pelo talento. Foi das mais versáteis e importantes intérpretes de sua geração na TV americana, atraindo fãs e ganhando prêmios.

Nascida em julho de 1935, no Bronx, em Nova York, Diahann começou a carreira em 1954 participando de musicais da Broadway. Na década seguinte, ganharia ainda mais destaque ao participar de seriados como Peter Gunn e The Naked City, até ser convidada para ser protagonista.

Por Julia, ela venceria o Globo de Ouro em 1968 (melhor atriz feminina da TV), além de ter sido indicada ao mesmo prêmio em 1970 (melhor atriz principal em seriado de comédia ou musical) e ao Emmy, em 1969 (melhor atriz principal em um seriado cômico). Em 1975, concorreria ao Oscar de melhor atriz pelo filme Claudine.

Hoje, aos 74 anos, Diahann participa de seriados televisivos e atua como cantora.

(Coluna publicada em 4 de julho de 2010)

O policial dos policiais

01 de fevereiro de 2010 1

Herói outsider, figura carismática, justiceiro solitário, o policial nova-iorquino Frank Serpico influenciou muitos de seus contemporâneos. Mais: seu exemplo foi forte e edificante, ajudando a conter a corrupção e dando um novo formato à polícia americana. Seu estilo único e singular inspirou um livro (escrito por Peter Maas), um filme (dirigido por Sidney Lumet e protagonizado por Al Pacino) e uma série televisiva (com David Birney no papel principal).

Criado por Robert E. Collins, o seriado Serpico passou a ser apresentado a partir de setembro de 1976 pela rede NBC – no Brasil era exibido pela Rede Bandeirantes. Ao contrário do filme e principalmente do livro, que mostravam um Serpico intelectualmente curioso e pessoalmente atormentado, o seriado trazia uma leitura mais linear do personagem, pouco se detendo em inquietações filosóficas. Escolhido como protagonista, David Birney era um nome conhecido da televisão americana, com participações em seriados como Police Woman, Cannon e Casal McMillan. Tom Ewell completava o elenco.

Apesar de um início promissor, o seriado não teve sorte. Sem muito sucesso de audiência, Serpico, a série, durou apenas uma temporada, dividida em 15 episódios.

UM HERÓI DE VERDADE

O verdadeiro Frank Serpico nasceu em Nova York em 1936. Aos 18 anos, alistou-se no Exército americano, passando dois anos na Coreia. Em 1959, Serpico entrou para a polícia de Nova York, tornando-se rapidamente um dos principais investigadores de sua geração. Insatisfeito com o excesso de corrupção dentro da própria polícia, Serpico passou a denunciar os casos, primeiro numa comissão interna e, posteriormente, em reportagens jornalísticas. Perseguido pelos próprios colegas, Serpico foi baleado numa emboscada em maio de 1971. Aposentado um ano depois, recebeu a Medalha de Honra da polícia de Nova York e retirou-se para um exílio voluntário na Suíça.

Na semana passada, Serpico foi tema de uma extensa matéria do The New York Times. Aos 73 anos, casado com uma professora, cercado de cachorros, ele leva uma vida pacata e reclusa em um sítio em Harlemville, Nova York.

(Coluna publicada em 31/1/2010)

Um esquadrão prafrentex

01 de fevereiro de 2010 0

Com os EUA pegando fogo, protestos contra a guerra do Vietnã tomando as ruas e intensas manifestações sociais e culturais, a TV não poderia ficar para trás naqueles dias contraculturais. Uma das apostas foi The Mod Squad, seriado moderno e ousado que colocava a televisão em sintonia com aqueles tempos revolucionários.

The Mod Squad passou a ser exibida a partir de setembro de 1968 pela ABC. Para atrair o público jovem, o elenco não trazia apenas um mas três protagonistas: um branco (Michael Cole), um negro (Clarence Williams III) e uma loira (Peggy Lipton). O trio era comandado pelo capitão Adam Greer (Tige Andrews).

A trama girava nas investigações realizadas pelos três. E como eles transformaram em detetives? Na verdade, eles não tiveram opção. Ou viravam informantes, integrantes de uma equipe que trabalharia undercover, ou seriam presos. Serviço aceito, eles passaram a frequentar ambientes basicamente ligados à criminalidade juvenil e às drogas.

Pelo apelo diferenciado, a série fez sucesso na primeira temporada. Porém, nas seguintes, a temática tornou-se repetitiva e a audiência diminuiu. A série foi encerrada em agosto de 1973 depois de 123 episódios. Uma nova adaptação, The Return of Mod Squad, foi feita em 1979. Um longa foi lançado em 1999 com Giovanni Ribisi, Omar Epps, Claire Danes e Dennis Farina no elenco.

Três coisas curiosas

1 – The Mod Squad foi livremente baseado nos relatos de Bud Ruskin, produtor e roteirista que no final dos anos 1950 havia trabalhado em um esquadrão de policiais disfarçados que se infiltravam em investigações sobre narcóticos.

2 – Peggy Lipton foi namorada de Paul McCartney e mulher de Quincy Jones.

3 –  No Brasil, a série foi exibida pela extinta Rede Tupi, mais ou menos na mesma época em que era exibida nos Estados Unidos.

(Coluna publicada em 17/01/2010)

O golfinho camarada

11 de janeiro de 2010 0

Versão aquática de Lassie, Flipper foi um seriado americano dos anos 1960 em que o protagonista era um golfinho – mais simpático e inteligente do que a maioria dos humanos com os quais era obrigado a contracenar. Criado pela rede NBC, Flipper passou a ser exibido a partir de setembro de 1964. A ideia original vinha de um filme lançado um ano antes.

O criador era o produtor Ivan Tors, um húngaro nascido em 1916 e que, na década de 1950, havia se mudado para os Estados Unidos. No novo país, Tors destacou-se como roteirista e diretor de telefilmes de ficção científica e, antes de Flipper, havia obtido sucesso com uma série de televisão chamada Sea Hunt, que no Brasil ficou conhecida como Aventuras Submarinas, estrelada pelo ator Lloyd Bridges.

No seriado, Flipper vivia no Coral Key Park, uma reserva marinha na Flórida. Lá, ele tinha a companhia do viúvo Porter Ricks (interpretado por Brian Kelly) e seus dois filhos: Sandy (Luke Halpin), 15 anos, e Bud (Tommy Norden), 10. Muito antes de qualquer debate a respeito da consciência ecológica, o quarteto lutava pela preservação enfrentando os inimigos da natureza. Nas horas vagas, o combativo cetáceo ainda ajudava o trio a resolver casos policiais que ocorriam no local. A partir da segunda temporada, todos teriam a companhia feminina de Ulla Norstrand (Ulla Stromstedt), uma oceanógrafa contratada para trabalhar ao lado de Ricks.

A produção cara fez com que a série durasse apenas três temporadas, num total de 85 episódios, sendo cancelada em setembro de 1967.

Cinco coisas curiosas

> Embora desse a impressão de se tratar de um golfinho-macho, Flipper era interpretado por golfinhos-fêmeas. Suzy foi a que mais atuou, mas também houve outras fêmeas chamadas Patty, Kathy, Scotty e Tutuca.

> O seriado se destacou pela exuberante paisagem da Flórida, além de criativas imagens subaquáticas.

> O fenômeno Flipper deu origem a produtos como lancheiras, livros, discos, quadrinhos, álbuns de figurinhas, talheres e quebra-cabeças, além de dezenas de brinquedos aquáticos.

> Após o sucesso de Flipper e também de Daktari, Ivan Tors se tornou um conhecido defensor dos animais.

> Flipper, o seriado, inspirou a realização de outras produções sobre os golfinhos, como o filme Flipper, de 2005.

(Coluna publicada em 10/01/2010)

Família muito ouriçada

28 de dezembro de 2009 0

Catorze anos antes de ganhar uma segunda versão – mantendo-se no ar até hoje e consolidando-se como um dos programas mais importantes da TV brasileira –, A Grande Família teve um teste de reencontro. A única apresentação foi há exatos 22 anos, no Natal de 1987, quando a Globo reuniu os sete integrantes do elenco inicial, exibida entre 1972 e 1975, para o especial O Natal da Grande Família. O programa mostrava como estava a família 12 anos depois, com o nascimento dos netos de Lineu (Jorge Dória) e Nenê (Eloísa Mafalda).

A ideia de reeditar o programa partiu de Paulo Afonso Grisolli, que havia sido um dos diretores da série nos anos 1970. Como os três roteiristas originais, Paulo Pontes, Armando Costa e Oduvaldo Vianna Filho, já haviam morrido, o roteiro foi entregue a Marcílio Moraes. Ele e a pesquisadora Marília Garcia reviram os episódios da primeira fase e readaptaram às questões importantes da época, como a inflação, a abertura democrática e a mudança de costumes.

Assim, na nova versão, a família ficava maior – ganhando genros, noras e muitos netos – e, como toda a classe média daquele período, mais pobre, com seus integrantes sendo obrigados novamente a morar juntos.

O episódio contava com Osmar Prado (Júnior, o filho mais velho), os falecidos Luiz Armando Queiroz (Tuco), Brandão Filho (Seu Flô) e Paulo Araújo (Agostinho), além de Maria Cristina Nunes (Bebel). O elenco se completava com três novos personagens: Pedro Cardoso (segundo marido de Bebel), Denise Bandeira (esposa de Júnior) e Aída Lerner (esposa de Tuco).

Três coisas curiosas

> A música-tema foi interpretada por Beth Carvalho, a mesma que cantava o tema na série original. Na nova versão a gravação é de Dudu Nobre.

> Pedro Cardoso, que aparecia no especial como o segundo marido de Bebel que, então, estava separada de Agostinho, viria a ser o escolhido para ser o próprio Agostinho na nova versão do seriado.

> Apesar da boa repercussão, o programa teve um baixo índice de audiência, o que fez como que a ideia de recriá-lo como seriado fosse abandonada.

(Coluna publicada em 27/12/2009)

Três detetives em jogo

28 de dezembro de 2009 0

O ator Gene Barry, que morreu no último dia nove, aos 90 anos, foi muito lembrado em seu obituário por seu papel em Bat Masterson, mas o veterano ator também teve atuação destacada em outro importante seriado dos anos 1960.

The Name of The Game (literalmente, O Nome do Jogo, mas que no Brasil ganhou o inexplicável título de Os Audaciosos) foi um seriado exibido pela rede NBC (no Brasil, fazia parte do pacote apresentado pela extinta Rede Tupi).

Baseada em Fame is The Name of the Game, filme feito para a TV em 1966, com Franciosa no papel principal e direção de Stuart Rosenberg, a série tinha três protagonistas, todos trabalhando para uma revista. A cada semana, o mesmo Tony Franciosa (Jeff Dillon), Robert Stack (Dan Farrell) e Gene Barry (Glenn Howard) se revezavam no papel de astro principal, encarregado de solucionar o caso policial que investigavam. Como os três não se cruzavam, a estreante Susan Saint James (interpretando a assistente Peggy Maxwell) era designada para fazer a ponte entre o trio.

Apresentado originalmente nos Estados Unidos, entre 20 de setembro de 1968 e 19 de março de 1971, Os Audaciosos teve, no total, 76 episódios de 90 minutos cada. Apesar do sucesso de público, a série precisou ser abandonada provavelmente pelo excesso de gastos. Uma matéria da TV Guide de 1969 estimou que os episódios estavam entre os mais caros da TV americana, custando US$ 400 mil cada um.

Antes que o seriado chegasse ao fim, Tony Franciosa pediu demissão, trabalhando em apenas três episódios da última temporada. Para substituí-lo, foram selecionados três outros atores – Robert Culp (como Paul Tyler), Peter Falk (como Lewis Corbett) e Robert Wagner (como David Corey).

Barry & Spielberg

Além da trama inteligente e do charme dos personagens principais, a série também funcionou para revelar novos roteiristas e diretores que depois alcançaram grande sucesso, como Steve Bochco, Marvin Chomsky, Leo Penn e Steven Spielberg. O episódio LA 2017 – sobre como seria viver na cidade californiana daqui a oito anos – foi um dos primeiros trabalhos de Spielberg. O distópico episódio de ficção científica, escrito por Philip Wylie e com Gene Barry como protagonista, mostra o personagem principal sendo caçado numa Los Angeles totalmente poluída em que um governo fascista obriga a população a morar em bunkers subterrâneos para sobreviver à poluição.

(Coluna publicada em 20/12/2009)

Crimes no papel

28 de dezembro de 2009 1

Agatha Christie era a inspiração, mas Jessica Fletcher não ficava apenas nos gabinetes, tomando chá e escrevendo complicadas histórias policias. Ela ia à luta e ajudava a desvendar os casos. Essa era a trama central de Assassinato por Escrito (Murder She Wrote), seriado americano que acompanhava as aventuras de uma professora aposentada que depois de ficar viúva se torna uma escritora de sucesso e, nas horas vagas, colaborava com a polícia.

Jessica, intepretada magnificamente pela simpática Angela Lansbury, vivia na cidade fictícia de Cabot Cove, no Maine, Estados Unidos, mas sua disponibilidade e seu raciocínio apurado faziam com que ela se envolvesse em investigações de roubos, fraudes e assassinatos. Como o perfil da investigadora não estimulava o uso de violência e de cenas de ação, o ritmo de Assassinato por Escrito era outro, privilegiando a intuição e as conclusões inteligentes.

O título do seriado fazia referência a Murder, She Said, uma adaptação de um romance de Agatha Christie. Com roteiros de Richard Levinson e William Link, a série estreou em setembro de 1984 e logo se transformou num fenômeno de audiência nos Estados Unidos.

Produzida pela rede CBS, em parceria com a Universal TV, Assassinato por Escrito foi uma das mais longas séries de ficção policial, durando 12 temporadas num total de 264 episódios. Com o reconhecimento obtido, Angela Lansbury também se transformou em uma das atrizes mais bem pagas da televisão americana.

Uma atriz de recordes

Muito do charme do seriado se deve ao carisma de Angela Lansbury, simpática atriz veterana – espécie de Eva Todor dos americanos – com uma série de (bons) serviços prestados à televisão, ao cinema e ao teatro. Nascida em Londres, na Inglaterra, em outubro de 1925, Angela começou sua carreira artística em seu país Natal em 1944, transferindo-se pouco depois para os Estados Unidos, onde tornou-se cidadã americana em 1951. Em mais de seis décadas de carreira, Angela participou de mais de uma centena de filmes. Com Assassinato por Escrito, seu grande sucesso, ela bateu um recorde positivo – 12 indicações ao Emmy como Melhor Atriz em Série Dramática –, e um negativo: nunca venceu.

(Coluna publicada em 6/12/2009)

Aprendiz de feiticeiro

28 de novembro de 2009 0

Um feiticeiro de 1600 anos – mas com aparência de um simpático velhinho de não mais de 80 – pretende se aposentar, mas antes gostaria de passar seus conhecimentos a um jovem seguidor. Correndo o risco de ser perseguido ou hostilizado, o bruxo opta por um disfarce e por uma maneira, digamos assim, mais sutil de repassar os ensinamentos. Assim, o bruxo transforma-se em mecânico e vai viver numa pequena oficina onde poderá preparar seu sucessor: um jovem e atrapalhado aprendiz.

Esta é a trama central de Mr. Merlin (no Brasil, Merlin, o Mago), sitcom do começo dos anos 80 que misturava comédia com pequenas reflexões filosóficas.

O seriado era protagonizado pelo veterano Barnard Hughes. Após adotar um novo nome, Max Merlin, ele escolhera São Francisco, na Califórnia, como seu novo lar. Lá ele iria conhecer Zachary Rogers (Clark Brandon), seu ajudante para serviços mecânicos. Quando certo dia, Zachary consegue arrancar uma alavanca de uma balde de cimento é revelado que, na verdade, aquela era a famosa espada Excalibur do Rei Arthur.

A partir desse “aviso” dos céus, Merlin confessa sua verdadeira identidade. Porém, o aprendizado não é nada fácil, pois o milenar feiticeiro teria dificuldades em mostrar ao jovem discípulo todos os segredos de sua magia. Até porque, como havia uma “moral da história”, a fantasia e os segredos mágicos deveriam servir também como alerta e conselhos para as novas gerações.

Com roteiros de Larry Rosen, Larry Tucker e Tom Chehak, Mr. Merlin tinha na direção Harry Winer, James Frawley e Bill Bixby (o ator que interpretava Hulk quando o monstro verde estava calmo). A temporada teve relativo sucesso, porém foi curta, durando menos de um ano (de outubro de 1981 a setembro de 1982) num total de 22 episódios.

O bom velhinho

O rosto do bruxo era dado por Barnard Hughes, veterano ator americano com forte atuação no cinema, no teatro e na TV. Nascido em julho de 1915 em Nova York, Bernard Kiernan Aloysius Hughes – ele mudou o “E” em seu primeiro nome para um “A” a conselho de uma numeróloga – começou fazendo teatro em sua cidade natal. Mesmo sendo um especialista em Shakespeare e tendo participado de mais de 400 peças só foi se transformar em um nome conhecido pelo público já com quase 50 anos, quando passou a fazer pequenos papéis em seriados como Naked City, All in the Family, Route 66 e Cannon. Hughes morreu no dia 16 de julho de 2006, cinco dias antes de completar 91 anos.

(Coluna publicada em 29/11/2009)

Invisível e previsível

21 de novembro de 2009 2

Jogo da Memória segue na linha de seriados invisíveis e, uma semana depois de ter falado sobre Gemini Man, vai de O Homem Invisível, outro seriado de vida efêmera, mas que marcou pelo menos uma geração de fãs nos anos 1970.

A versão de O Homem Invisível lançada em 1975 tinha um antecessor famoso: um seriado com o mesmo nome produzido em 1958. Ambos eram inspirados na história clássica de ficção científica de H.G. Wells, o Homem Invisível.

Como sempre, a trama era previsível. Por que ele havia ficado invisível? Ora, como sempre, o cientista, no caso, o Dr. Daniel Westin, era vítima de uma experiência. Quando trabalhava em uma fórmula que tornava objetos invisíveis, Westin descobre que poderia tornar invisível a si próprio, mas – também como sempre – com essa grande descoberta vinha uma maldição: no caso, o interesse do governo em usar a técnica para fins militares. Pacifista que era, Westin resolve memorizar a fórmula, destruir o equipamento, tornar-se invisível e fugir.

Apesar da previsibilidade da trama, O Homem Invisível foi inovador nos efeitos especiais. Se na versão original, o protagonista perdia totalmente a visibilidade, sendo obrigado a viver envolto em bandagens. Na versão mais recente, o cientista, interpretado por David McCallum, não precisava de bandagens, podendo utilizar uma máscara de silicone e luvas especiais que imitavam a pele humana. Bastava ele se “despir” para ficar invisível.

Escrito por Steven Bochco – roteirista respeitado com trabalhos em Columbo, Ironside e Hill Street Blues –, O Homem Invisível estreou em setembro de 1975 e durou apenas 12 episódios, sendo cancelado quatro meses depois. Curiosamente, no Brasil a receptividade foi boa, o que garantiu ao seriado sucessivas reprises pelas redes Globo, Manchete e Record.

O rosto sem a máscara

> Quando estava visível, o Dr. Daniel Westin tinha a cara de David McCallum, um dos nomes mais conhecidos da televisão nos anos 1960 e 1970.

> Nascido em setembro de 1933, em Glasgow, na Escócia, era filho de violinista e de uma violoncelista da Orquestra Filarmônica de Londres.

> Quando criança, David chegou a estudar oboé, mas já na adolescência passou para a Academia Real de Arte Dramática.

> Seus primeiros filmes foram no Reino Unido. Tornou-se conhecido como o agente Illya Kuryakin de O Agente da Uncle (1964).

> David participou de seriados como Esquadrão Classe A, Casal 20, Law & Order e Sex and the City.

> Atualmente, aos 76 anos, David está fora da TV. Vive com a mulher, Katherine, em Long Island e se dedica a trabalhos comunitários e a jogar golfe.

(Coluna publicada em 15/11/2009)

Marionetes do futuro

25 de outubro de 2009 0

Nos anos 1960, o que havia de mais original e criativo na TV em matéria de ficção científica era o que estava sendo feito com bonecos de madeira. As marionetes da série Os Thunderbirds – com suas caras quadradas e suas perucas malfeitas – enfrentavam ataques a usinas nucleares, explosões em navios, acidentes aéreos e outras catástrofes.

Exibida no Brasil pelas redes Globo e Tupi a partir do final da década de 1960, a série era dividida em episódios de uma hora. No total, foram 32. A ação se passava no distante ano de 2063, e a trama girava em torno do magnata Jeff Tracy, um ex-astronauta que perdeu a mulher em um trágico acidente. Jeff morava em uma linda mansão numa ilha do Pacífico e de lá comandava a organização secreta conhecida por International Rescue, criada para ajudar as pessoas em perigo, com equipamentos de tecnologia avançada. Com ele, estavam o gênio científico Homero Newton 3, o Brains, além dos cinco filhos do milionário: Alan, John, Scott, Gordon e Virgil – todos com nomes dos primeiros astronautas americanos.

Como os efeitos especiais da época ainda eram toscos, sobrava criatividade na hora de colocar os bonecos no trabalho. Gravados nos estúdios da A.P. Filmes, no norte da Inglaterra, os episódios de Os Thunderbirds foram criados pelos produtores Gerry Anderson e Arthur Provis. No estúdio, os peritos utilizavam uma técnica desenvolvida por Anderson conhecida como Supermarionation. As marionetes eram manipuladas por pequenos sistemas eletrônicos instalados em seus corpos de madeira. Um detalhe divertido que acabou se transformando numa das graças do programa era que dependendo da iluminação da cena eram mostrados os fios de náilon usados pelos manipuladores.

Mesmo com todo o sucesso – no total foi vendida para 65 países –, a série foi produzida por apenas 15 meses, deixando de ser feita em dezembro de 1966.

OS CINCO THUNDERBIRDS

  1. Thunderbird 1: Foguete que podia alcançar a espantosa velocidade de 12 mil quilômetros por hora. Era pilotado por Scott Tracy.
  2. Thunderbird 2: Espécie de cargueiro aéreo utilizado para transportar os equipamentos pesados. Era pilotada por Virgil Tracy.
  3. Thunderbird 3: Nave usada para resgates espaciais. Era pilotada por Alan Tracy.
  4. Thunderbird 4: Nave usada para resgates submarinos. Era pilotada por Gordon Tracy.
  5. Thunderbird 5: Espécie de satélite que monitorava toda a superfície da Terra e captava as mensagens de socorro. Era pilotado por John Tracy.

Ben Richards, sangue bom

12 de setembro de 2009 1

Obsessão das mais comuns do ser humano, a imortalidade está presente em milhares de obras de ficção – do cinema à musica, do teatro à literatura –, quase sempre tratada, como só poderia ser, de maneira intangível, inalcançável. Porém, no começo dos anos 1970, um seriado americano tratou o tema de um modo, vá lá, plausível.

Em O Imortal (The Immortal), o protagonista Ben Richards (Christopher George) tinha um curioso superpoder que foi descobrir só aos 42 anos. Piloto de teste a serviço de uma grande corporação, Richards aparentava ser bem mais jovem do que a sua idade indicava, além de nunca ter ficado doente um único dia de sua vida. Até então, Richards viveu mais de quatro décadas achando tudo isso muito natural, mas quando precisou fazer um exame de sangue acabou descobrindo que possuía todos os anticorpos e imunidades possíveis. Sendo assim, ele seria imortal.

O que lhe poderia garantir uma eternidade tranquila – à espera de uma bala perdida, um acidente de carro ou um marido ciumento – transforma-se em uma maldição. Pelos exames, seu segredo é descoberto, e ele passa a ser o alvo da perseguição de Fletcher (Don Knight), capanga de Arthur Maitland (David Brian), um bilionário que quer Richards preso para que sirva de cobaia em futuras transfusões.

O Imortal surgiu a partir do desdobramento de um longa-metragem lançado em setembro de 1969. O seriado tinha uma trama linear – centrada na constante caminhada de Richards e nos perigos que encontra –, estimulando a imaginação e fazendo com que o telespectador fosse solidário ao drama do protagonista, um personagem errante, em fuga constante por conta de uma condenação injusta – tema recorrente em diversos seriados americanos como Hulk, Kung Fu e O Fugitivo.

Metafísico demais para um seriado de ação, O Imortal não conseguiu o respaldo popular necessário para continuar sendo produzido, assim acabou cancelado após uma temporada de apenas 15 episódios e somente quatro meses de exibição (entre setembro de 1970 e janeiro de 1971) pela rede ABC. Christopher George, um dos parceiros mais constantes de John Wayne, ainda participou de alguns outros seriados como Vegas, O Barco do Amor, A Ilha da Fantasia e As Panteras. Diferentemente de seu personagem mais conhecido, George não era imortal e veio a falecer em novembro de 1983, aos 54 anos, vítima de problemas cardíacos.

Três curiosidades

  1. Paralelamente à fuga, a série se concentrava ainda na busca de Richards por um irmão que ele nunca conheceu, que deveria ter o mesmo tipo de sangue.
  2. O Imortal foi baseado no romance de ficção científica de James Gunn.
  3. Alguns nomes conhecidos da TV e do cinema americano, como Vic Morrow, Barry Sullivan, Sal Mineo e Bruce Dern, participaram da curta temporada de O Imortal.

Mais gargalhadas

01 de setembro de 2009 0

Se você gostou da coluna do dia 26 de julho não seja pateta e dê um pulo no site www.stoogeum.com. É o endereço virtual do museu dedicado ao trio mais engraçado do planeta, com mais de 100 mil peças sobre Moe, Curly e Larry.

Quadros da dor

21 de agosto de 2009 0

“Boa noite, e bem vindos à exposição particular de três quadros, expostos aqui pela primeira vez. Cada um deles é um item de colecionador a sua própria maneira, não por causa de alguma qualidade artística especial, mas porque cada um captura, suspenso no tempo e espaço, um momento gelado de um pesadelo”. Assim era o texto da vinheta de abertura do piloto de Galeria do Terror, apresentado pela primeira vez em 8 de novembro de 1969.

Você lembra da vinheta de abertura?

Magnum de volta

13 de agosto de 2009 0

Se você não viu na transmissão original, no começo dos anos 80 pela Globo, tem mais uma chance. As primeiras temporadas de Magnum, o detetive número 1 do Havaí – e sobre o qual eu já havia escrito aqui -, estão sendo reprisadas diariamente pelo canal TCM.

Lado escuro de Miami

19 de julho de 2009 1

Não é raro que seriados americanos tenham pontos geográficos como protagonistas. Foi assim com Hawaii 5-0, depois com São Francisco Urgente e, na década de 1980, com Miami Vice. Exibida pela rede NBC a partir de setembro de 1984, Miami Vice rapidamente se transformou num dos maiores fenômenos da TV americana e chega aos 25 anos como uma referência para os novos seriados.

Toda a trama se desenvolvia na cidade de Miami e girava em torno de dois policiais, James “Sonny” Crockett e Ricardo Tubbs, interpretados, respectivamente, por Don Johnson e Philip Michael Thomas.

Afinada com os loucos anos 1980, a série teria surgido do desejo de Brandon Tartikoff, diretor da NBC, de que fossem criados algo por ele batizado de “MTV Cops”, espécie de tiras que circulariam pelo submundo do crime mas que seriam antenadas com os novos tempos, principalmente no que tivesse a ver com a música pop. Para que pudessem realizar suas investigações, Crockett e Tubbs eram protagonistas de uma armação, circulando com novas identidades nas altas rodas e vivendo num mundo cercado de lanchas velozes, mansões, Ferraris, roupas de grife e relógios Rolex.

Miami Vice passou a ter temporadas marcantes a partir de 1986/1987, quando cada episódio chegou a custar US$ 1 milhão. Além do alto faturamento, a série ganhou prestígio, atraindo nomes consagrados para participações especiais. Passaram pelos episódios, Miles Davis, Frank Zappa, Phil Collins, Bruce Willis, Willie Nelson, James Brown, Bianca Jagger, Little Richard e Don King. Além deles, muitos atores que posteriormente ficariam famosos tiveram pequenos papéis no seriado, como Julia Roberts e Benicio Del Toro.

No total, Miami Vice teve 111 episódios divididos em cinco temporadas. O capítulo final foi exibido em 25 de janeiro de 1990. No Brasil, o seriado foi apresentado pelo SBT entre 1986 e 1990. Em 2005, a caixa com os 22 episódios da primeira temporada foi lançada no Brasil. E, no ano seguinte, a série ganhou uma versão cinematográfica com direção de Michael Mann e Colin Farrel e Jamie Foxx nos papéis principais. O seriado

Quatro coisas legais

1 – Don Johnson foi escolhido para o papel depois que Nick Nolte, Richard Dean Anderson (o MacGyver) e Larry Wilcox, de CHiPs, foram descartados. Para o papel de Philip Michael Thomas, o primeiro nome pensado foi o de Denzel Washington.

2 – Paul Michael Glaser e David Soul, que na década anterior foram protagonistas da série Starsky & Hutch, dirigiram três episódios.

3 – Miami Vice influenciaria mais tarde o jogo Grand Theft Auto: Vice City.

4 – Quando foi lançado nos Estados Unidos, o LP com a trilha sonora Miami Vice ficou em primeiro lugar na parada musical.

Postado por Márcio Pinheiro

De volta ao Planeta dos Macacos

28 de junho de 2009 0

O Planeta dos Macacos foi inovador e revolucionário. Dirigido por Franklin J. Schaffner e com roteiro de Rod Serling – o mesmo de Além da Imaginação –, o filme, lançado em 1968, trouxe uma maneira criativa e original ao abordar questões políticas, sociais, culturais e raciais. O sucesso foi tão grande que o filme deu origem a quatro sequências e, seis anos depois, a uma série televisiva.

Apesar de ter um nível igual às melhores séries dos anos 70, a versão televisiva de O Planeta dos Macacos perdia quando comparada com o filme. Depois dos cinco longas feitos para o cinema, que esquadrinhavam quase tudo que havia de relevante na disputa entre humanos e macacos pelo que havia restado da Terra, a série ficaria restrita, com um elenco de qualidade inferior, enredos mais previsíveis e, principalmente, com uma maquiagem, que não mantinha o realismo das máscaras utilizadas nos filmes.

O primeiro dos 14 episódios da curta temporada do seriado começava em 3085, quando os astronautas americanos Alan Virdon (Ron Harper) e Peter J. Burke (James Naughton) regressam à Terra e a encontram dominada por macacos. Perseguidos pelo tirânico General Urko (Mark Lenard) e pelo Conselheiro Chefe Zaius (Booth Colman), os heróis aliam-se ao chimpanzé Galen (Roddy McDowall, que já havia feito o papel do símio Cornelius na década de 1960). Seguindo a mesma estrutura do filme, a série acompanhava as descobertas e as aventuras da dupla de astronautas, numa convivência que alternava a intolerância de alguns macacos com a compreensão de outros.

Exibida originalmente nos Estados Unidos pela rede CBS, O Planeta dos Macacos chegou quase que na mesma época ao Brasil. Um ano depois seria lançado um desenho animado chamado De Volta ao Planeta dos Macacos (Return to the Planet of the Apes), de David DePattie e Friz Freleng.

Postado por Márcio Pinheiro