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Posts com a tag "serpico"

Os disfarces de um policial

17 de fevereiro de 2010 0

Na mesma linha de Serpico, comentado aqui na semana passada, Toma foi um seriado televisivo inspirado num personagem real. No caso, o detetive David Toma, do Departamento de Polícia de Newark, New Jersey.

A principal característica de Toma era mostrar o cotidiano de um policial que rompia com os padrões. Como Serpico, Toma era irreverente, polêmico. Gostava de trabalhar disfarçado, inserindo-se como um espião nos grupos que estavam sendo investigados, e quase sempre agia solitariamente, distanciado de outros colegas policiais.

O papel-título era interpretado por Tony Musante e, ao contrário de Serpico, cujo herói verdadeiro havia partido para um exílio voluntário, Toma contava com a assessoria do próprio inspirador. Paralelamente ao seu trabalho para a polícia, David Toma tornou-se um conselheiro da rede ABC, responsável pelo seriado, e até chegou a participar como ator de alguns episódios.

Toma passou a ser exibido a partir de 4 de outubro de 1973 pela ABC (no Brasil iria ao ar pela extinta TV Tupi). Apesar do relativo sucesso, a série durou apenas uma temporada de 23 episódios, já que Musante se negou a continuar trabalhando. Por esse motivo, os produtores passaram a desenvolver uma série semelhante porém totalmente ficcional: Baretta.

ENTRE A ITÁLIA E OS EUA

Nascido em Bridgeport, Connecticut, descendente de uma família de italianos Tony Musante (30 de junho de 1936) foi um dos mais ativos atores de sua geração, com trabalhos tanto nos Estados Unidos quanto na Itália. Com formação feita no Oberlin College e na Universidade Northwestern, Musante estreou na televisão em 1963, no telefilme Ride with Terror, com Gene Hackman. Nos anos seguintes participaria de seriados como Bob Hope Presents the Chrysler Theatre, The Alfred Hitchcock Hour e O Fugitivo.

Na década seguinte – antes de ser convidado para ser o protagonista de Toma –, Musante passaria longas temporadas na Itália, participando de diversos filmes, dentre eles o clássico O Pássaro das Plumas de Cristal, do mestre do terror italiano Dario Argento. Mais recentemente, no final dos anos 90, Musante interpretou Antonio “Nino”” Schibetta, um temido chefe mafioso na primeira temporada de Oz, seriado da HBO. Aos 73 anos, ele continua na ativa. Seu trabalho mais recente foi no longa Os Donos da Noite, ao lado de Joaquim Phoenix e Eva Mendes.

(Coluna publicada em 7/2/2010)

O policial dos policiais

01 de fevereiro de 2010 1

Herói outsider, figura carismática, justiceiro solitário, o policial nova-iorquino Frank Serpico influenciou muitos de seus contemporâneos. Mais: seu exemplo foi forte e edificante, ajudando a conter a corrupção e dando um novo formato à polícia americana. Seu estilo único e singular inspirou um livro (escrito por Peter Maas), um filme (dirigido por Sidney Lumet e protagonizado por Al Pacino) e uma série televisiva (com David Birney no papel principal).

Criado por Robert E. Collins, o seriado Serpico passou a ser apresentado a partir de setembro de 1976 pela rede NBC – no Brasil era exibido pela Rede Bandeirantes. Ao contrário do filme e principalmente do livro, que mostravam um Serpico intelectualmente curioso e pessoalmente atormentado, o seriado trazia uma leitura mais linear do personagem, pouco se detendo em inquietações filosóficas. Escolhido como protagonista, David Birney era um nome conhecido da televisão americana, com participações em seriados como Police Woman, Cannon e Casal McMillan. Tom Ewell completava o elenco.

Apesar de um início promissor, o seriado não teve sorte. Sem muito sucesso de audiência, Serpico, a série, durou apenas uma temporada, dividida em 15 episódios.

UM HERÓI DE VERDADE

O verdadeiro Frank Serpico nasceu em Nova York em 1936. Aos 18 anos, alistou-se no Exército americano, passando dois anos na Coreia. Em 1959, Serpico entrou para a polícia de Nova York, tornando-se rapidamente um dos principais investigadores de sua geração. Insatisfeito com o excesso de corrupção dentro da própria polícia, Serpico passou a denunciar os casos, primeiro numa comissão interna e, posteriormente, em reportagens jornalísticas. Perseguido pelos próprios colegas, Serpico foi baleado numa emboscada em maio de 1971. Aposentado um ano depois, recebeu a Medalha de Honra da polícia de Nova York e retirou-se para um exílio voluntário na Suíça.

Na semana passada, Serpico foi tema de uma extensa matéria do The New York Times. Aos 73 anos, casado com uma professora, cercado de cachorros, ele leva uma vida pacata e reclusa em um sítio em Harlemville, Nova York.

(Coluna publicada em 31/1/2010)