Na Zero Hora do último sábado (11/09), p. 43, foi noticiado que a Trensurb bateu recorde de demanda no mês de agosto, com 4.463.560 passageiros transportados. Durante a Expointer, chegou a registrar 186.315 pessoas em um só dia. Tais números, além de significativos, comprovam que o trânsito até Esteio, através da BR 116, está um verdadeiro caos. Aliado a este fato, no penúltimo dia da feira (sábado, 4 de agosto), o trem ficou parado por quase 30 minutos, causando transtorno para a população que se dirigia à Expointer. A melhor opção de deslocamento para o Parque Assis Brasil ainda é o trem, porém, o serviço tem de ser melhorado, ganhar agilidade e diminuir os transtornos. Aliás, por falar nos serviços da feira, é necessário o registro de muitos outros ainda falhos.
A Expointer é uma mostra de negócios, de contatos comerciais e profissionais ligados ao amplo contexto do agronegócio e também um palco de debates inerentes ao meio. Porém, é uma feira que se localiza nos arredores da Capital dos gaúchos e, por isso, recebe a visita de urbanos que querem conhecer o meio rural. Talvez estas e outras peculiaridades contradigam a tese inicial de que a mostra seja voltada para a realização de negócios e tenha amplitude internacional.
Os serviços da Expointer ainda apontam uma série de problemas que necessitam de ações para as próximas edições. Os acessos ao Parque Estadual de Exposições Assis Brasil melhoraram nos últimos anos, mas ainda enfrentam engarrafamentos e confusões no trânsito. Os estacionamentos lotam e em dias de chuva há muito barro e água empossada. Pasmem, há casos de expositores e visitantes que chagam a atolar seus carros e, por consequência, enchem de lama suas botas e passam o resto do dia com os pés molhados! Sem falar que o preço para estacionar o veículo não é pouco, chega a R$ 20,00, fora o ingresso para o motorista, R$ 8,00. Será que não está na hora de construir um edifício garagem para o evento? Imaginem um estrangeiro que vai à Expointer pela primeira vez e se depara com esta situação já na chegada?
Em meio a estes problemas, as atrações culturais dão um toque especial à feira. Posso estar enganado, mas pela primeira vez vi na programação da mostra um show internacional, porém ainda de artistas pouco conhecidos. A localização do palco também é um aspecto a ser estudado, sobretudo em termos de segurança. Ora, se estamos em uma exposição internacional, há de se ter estrutura cultural internacional.
Os problemas não ficam somente nestes, seguem outras falhas como ruas mal pavimentadas, veículos circulando em meio ao público e fora do horário de abastecimento, falta de segurança em dias com grande presença de visitantes, banheiros públicos em péssimas condições de receber visitantes, container de lixo nas calçadas e entre os animais, pequenos comércios aglomerados em calçadas e ruas, atrapalhando a circulação das pessoas e propiciando um aspecto feio à feira, entre outras questões que deixam a desejar e que necessitam de atitude.
É importante ressaltar o tamanho do evento, são aproximadamente 141há de exposição. Pela extensão, podemos dizer que o Parque é uma média propriedade rural. O comércio é voltado para todas as classes econômicas, nas Associações de Raças, localizadas no espaço Boulevard (uma área nobre da feira), uma refeição custa cerca de R$ 35,00. Já no Pavilhão da Agricultura Familiar, ou em qualquer outro espaço destinado à alimentação, se come em média por R$ 10,00. Claro que junto aos preços variam o conforto oferecido ao cliente e a qualidade do atendimento, mas os alimentos são nutritivos e saborosos em ambos.
Outro aspecto que sinto falta, ou posso não ter visto, é uma Central de Informações. Na verdade, pelo tamanho da exposição, deveriam ter umas três ou quatro. Um local para auxiliar as pessoas a se localizarem no Parque, a darem foco em sua visita, enfim, um serviço específico para conduzir o visitante aos bons negócios e ao passeio ágil.
É importante ressaltar que nos últimos anos a Expointer evoluiu, cito alguns avanços, como o estacionamento do Simmers, Boulevard, o novo estacionamento dos visitantes, o anel viário, a área de camping, o Pavilhão da Agricultura Familiar. Coincidência ou não, a maior parte das melhorias feitas surgiram da parceria público-privada. Não quero ser defensor desta tese para o futuro da mostra, pelo contrário, sou muito bairrista e quero a Expointer como sendo nossa, dos gaúchos, do povo gaúcho e não nas mãos de um ajuntamento de empresas estrangeiras, ou de outros estados do Brasil. No entanto, é necessário pensar na melhora de alguns pequenos serviços para que a feira seja realmente uma Exposição INTERNACIONAL, uma feira de negócios, capaz de, a cada ano, atrair mais missões estrangeiras e empresários, propiciando mais riqueza para o agronegócio do RS. Será que o Governo do Estado tem condições de fazer uma Expointer mais Internacional? É importante uma reflexão neste sentido.
Compreendo e defendo a tese de ser global, mas jamais devemos esquecer de onde viemos, quem nos gerou. O RS é tem suas tradições, o povo do interior, que é maioria na feira, é hospitaleiro, educado, conservador e ama seu chão. Acho lindo de ver como, a cada edição, mais e mais pessoas escolhem para ir à Expointer a bota, a bombacha e o lenço no pescoço, vestimentas que, na mesma Expointer na década de 80, eram utilizadas apenas por tratadores de animais, peões. O barro, o andar na chuva, a música e o tipo de comida necessitam ter as características dos gaúchos, porque iremos nos dobrar para outros hábitos, costumes de outros, se a recíproca não é verdadeira? E finalizando, peço que comentem a respeito. Críticas construtivas ou não, opiniões de quem conhece outras feiras, exposições, mostras, rodadas de negócios. O que vocês acham dos serviços da Expointer? Se o foco é nos negócios, o que pode ser melhorado? Ou está tudo muito bom? Reitero que minha posição como jovem é de querer mais para a Expointer! Os gaúchos merecem uma feira grandiosa, que se renova e aprimora para alcançar a excelência, não só em tamanho - como já o faz sendo a maior da América Latina voltada para o agronegócio -, mas também em qualidade!


15 de setembro de 2010 às 7:20
Depois de muito tempo voltei a expointer. Entretanto, por necessidade profissional, tenho visitado várias exposições pelo Brasil a fora. Ao comparar a Expointer com outras grandes exposições do Centro Sul do Brasil, detecto alguns pontos positivos e negativos. Algumas coisas me chamaram a atenção negativamente: poucas vacas de leite e suínos; falta de banheiros; na minha opinião o local é impróprio para uma feira agropecuária; reparei na sujeira (lixo mesmo) ao redor do parque, nos cartazes de políticos espalhados e colados em todos os lugares (que vergonha para o nosso Rio Grande. A prefeitura de Esteio deveria organizar um mutirão para limpeza diaria das ruas ao redor do parque).
Os pontos positivos foram muitos. A forte presença da cultura gaúcha talvez tenha sido o que mais me marcou.