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Indicação ao Oscar e uma pitada de Dilma no cinema

07 de janeiro de 2013 0

O diretor português Miguel Gonçalves Mendes. Foto: Divulgação

Na minha coluna do dia 23 de dezembro passado dei um presente de natal antecipado aos leitores do Diário Catarinense, uma entrevista com o português Miguel Gonçalves Mendes, diretor do documentário “José e Pilar”, sobre José Saramago e sua mulher, Pilar. Elel esteve em Floripa laçando o filme a convite da UFSC, durante a semana de integração promovida pela Pós-Graduação em História e Sociologia.

Pra fazer o documentário, claro, conviveu com o escritor, único da língua português a ganhar um Nobel de Literatura, em 1998.

Miguel é destaque de matéria na edição de hoje no jornal Folha de São Paulo, e contando sobre o seu próximo trabalho. A novidade é que ele convidou a presidente Dilma Roussef a participar do filme, agora sobre o sentido da vida, que, aliás, é o título da mistura de ficção e documentário.

E o seu filme “José e Pilar”, sobre o qual falou à coluna, foi indicado por Portugal para disputar o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.  Aqui o bate-papo exclusivo com Miguel Gonçalves Mendes à coluna no finalzinho de 2012.

Quantos foram os seus encontros e conversas com Saramago para fazer o documentário?

A gravação durou quatro anos e foram captadas 240 horas de material para condensar em duas horas. Um trabalho hercúleo que não desejo nem ao meu pior inimigo.

O que mais lhe comoveu neste trabalho e contato com o escritor?

Sobretudo a sua humildade, o seu sentido de humor e o seu espirito de missão. Saramago afirmava que um escritor para além de escrever tinha a obrigação de intervir na sociedade como cidadão que é. Apesar de se falar muito sobre a morte, trata-se de um filme, sobretudo sobre o desejo de viver e de lutar por aquilo em que se acredita.  E no fundo sobre o que nos deve mover enquanto estamos aqui. Saramago dizia que não era um pessimista mas o mundo sim era péssimo. E tendo em conta que esta é a única vida que nos temos não podemos perder tempo reclamando sobre a vida ou sobre o estado do mundo. Se a vida ou o mundo é ruim cabe-nos a nós transformá-lo.

O que de novo sobre ele o espectador vai assistir em “José e Pilar”?

Na realidade este não é um filme sobre literatura nem sobre política. Claro que também acaba por ser na medida em que tudo é um reflexo daquilo que somos. Mas é sobretudo um registo intimista de um dos melhores escritores em língua portuguesa e uma oportunidade única para conhecer Saramago na sua intimidade.

José Saramago, Pilar e Miguel. Foto: Acervo pessoal de Miguel Gonçalves Mendes

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