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Livro, documentário e experiência de vida

12 de dezembro de 2013 0
Max Gonçalves: Foto Bruna Gonçalves

Max Gonçalves: Foto Bruna Gonçalves

Continuando a entrevista com Max Gonçalves…

O livro atual é uma obra de ficção, biográfica ou as duas coisas juntas?

No meu entender, quando se escreve com emoção sempre existe um fundo autobiográfico. No caso, este livro, conta a estoria verdadeira de duas excepcionais mulheres, mas acredito que o fato de conseguir retratar as suas vidas tem muito haver com as experiências que vivi. O tipo de literatura que eu faço, inspirado em estórias reais e ou textos para documentários, está ligado com a minha experiência e vivência profissionais, o que leva a utilizar lembranças e dados autobiográficos.

Direta ou indiretamente a trajetória das personagens do livro têm a ver com a situação vivida por milhões de pessoas no mundo todo, oprimidas e sobreviventes em condições desumanas ou quase?

Com certeza, a trajetória destes personagens tem tudo haver com quem sofreu qualquer tipo de injustiça no mundo e teve que pagar por causa disso um preço muito alto. Ao mesmo tempo, a estoria destas personagens regata o período da América Latina em que países como o Brasil e a Argentina sofreram as ditaduras militares que  sacrificaram toda uma geração de estudantes, artistas, escritores, liberais, jornalistas, enfim, todos que lutavam por um continente mais justo e mais desenvolvido. Estas estórias mostram a necessidade do ser humano resgatar a compaixão pelos outros. Em um mundo dominado pela tecnologia, vamos perdendo este olhar.

O que te levou a escolher estas duas personagens?

Começou com a ideia que é o título do livro , “Seduções, Remissões e Submissões”, um teorema que na realidade retrata a vida de todos nós. Sempre começamos pela sedução, seja no amor, na amizade, no trabalho ou até no simples ato de comprar alguma coisa. Depois vem a remissão, que é o momento em que analisamos o que a sedução provocou em nós e na nossa vida e buscamos transformar esta sedução em felicidade. Por último a submissão, que na realidade é o que vai decidir os caminhos que vamos seguir pela vida, mesmo mantendo nossa liberdade e livre julgamento, temos que nos submeter às realidades que construímos durante a nossa existência e sobreviver com ela.

O Max das festas e viagens principescas ainda existe?

A imagem que os outros fazem de nós é sempre distorcida da realidade. Gosto de festas, de alegria, de música, de boas comidas e obviamente do luxo. Como dizia Joãosinho Trinta, o mais genial carnavalesco que o Brasil produziu até hoje “quem diz que não gosta do luxo, está mentindo ou com inveja. Pobre que é pobre adora o luxo, rico que é rico vive o luxo e quem é inteligente se aproveita do luxo.”

O que mudou em você neste período em que esteve morando longe de Floripa?

Mudei muito. Viver sozinho em outro país, longe da família e dos amigos, iniciando um novo trajeto de vida, escrevendo e por isso me relacionando com pessoas diversas das que antes faziam parte do meu mundo, faz com que eu, como qualquer outra pessoa, mude na analise de certos valores. Entretanto, meu pai foi um grande escritor, tendo publicado mais de cem livros, e por isso sempre vivi o clima da criação literária. Me sinto muito bem assim.

Também está fazendo documentário sobre a Síria?

Conheci o fotógrafo e amigo Tim Hetherton, com quem fiz parte dos documentários do Afeganistão e da Libéria e que foi morto faz alguns meses na Síria. Estamos planejando, um documentário contando o que se passou de fato na Síria. E estou escrevendo meu próximo livro, “Aula de Tango “, sobre uma colombiana de Medelin que trabalhou mais de 20 anos como secretária particular de Pablo Escobar.

E o vai contar que ninguém ainda sabe sobre artistas como Vinícius de Moraes e Tom Jobim no livro que vai lançar em 2014?

São dez histórias divertidas, originais, dos personagens que transformaram esta época nos anos de ouro de Ipanema. “Os Garotos de Ipanema” terá muitas surpresas e trará muita alegria e diversão a quem ler.

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