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Torna a Surriento, e mamãe agora repousa no mar

10 de fevereiro de 2015 24
Morro das Pedras, Floripa - Foto: juliana Wosgraus

Morro das Pedras, Floripa, agora também o local para cultuar minha mãe – Foto: Juliana Wosgraus

Ontem tomei coragem e liguei para a soprano e maestrina Rute Gebler para agradecer e fazer uma pergunta: qual o nome e por que aquela música que ela cantou no velório da minha mãe em dezembro. Ela me disse que já há uns três anos minha mãe pediu que em seu velório ela cantasse “Torna a Surriento“. Rute cumpriu a promessa lindamente. Não gravou, canrou a capela de novo pra mim ao telefone, que privilégio, e segui seu conselho buscando esta gravação do Luciano Pavarotti no YouTube.

Nesta terça-feira fiz o sepultamento da minha mãe, amanhã faz dois meses que ela se foi e eu precisava sentir o momento e local onde depositar suas cinzas. Pensei em cerimônia, pensei em muitas coisas, afinal para uma grande mulher queria algo grandioso. Vários profissionais com mais talento já traduziram melhor e com imparcialidade quem foi de fato essa catarinense, Ivone de Oliveira Lemos Ferraz Wosgraus, nascida em Porto União, Norte do Estado, e que morreu aos 86 anos, assumidos dia sim, dia não, em Florianópolis, no dia 11 de dezembro passado.

Nossa família – meu pai Francisco, morto em 1999, advogado com muito orgulho da profissão -, minha mãe, escritora e escultora, e eu, engenheira e colunista também com muito orgulho , sempre fez as coisas de um jeito diferente. E ser diferente tão sozinha ficou difícil.

Mas hoje deu aquele start, eu e ela falamos da cremação, mas do local pouco, e teria de viajar. A terra de seu pai, Minas Gerais, eu sei que era um desejo. Mas viajar hoje em dia carregando cinzas quase brancas não me pareceu dar o clima de paz para tal momento. E assim lá fui eu para o local que me veio à mente desde a primeira indagação: o Morro das Pedras.

Fotos: Juliana Wosgraus

Fotos: Juliana Wosgraus

Céu de brigadeiro, a maré bem baixa e eu pude descer pelo costão de pedras até chegar pertinho do mar, jogar suas cinzas logo levadas pela energia das ondas brancas e imensas pelo marzão aberto. Uma gaivota chegou pertinho, tanto que até o moço que vendia água de coco ali no acostamento se admirou. A gaivota se foi, mais ondas vieram, fotografei, filmei, e voltei para o carro onde a Lua me aguardava sabendo que tínhamos ido cumprir uma missão muito importante. Na volta uma paz interior, apesar da saudade que agora eu sei é uma coisa que nunca acaba, me deu a certeza de que minha mãe aprovaria a homenagem e o local para onde a levei, o Oceano, onde a vida na Terra começou.

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Fotos: Juliana Wosgraus

Fotos: Juliana Wosgraus

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Comentários (24)

  • Marina diz: 10 de fevereiro de 2015

    Juliana, muito comovente este luto público e compartilhado aqui. E sábio, porque o luto precisa de palavras, não de clausura…
    Que ente querido não aprovaria uma homenagem linda como esta?

  • Jorge dal Toé diz: 10 de fevereiro de 2015

    Juliana, apesar dyo seu sofrimento,tenho a certeza que foi um momento lindo. Fica em paz. Beij

  • Daise diz: 10 de fevereiro de 2015

    Que lindo, Ju!
    Beijão.

  • Lu de Moraes diz: 11 de fevereiro de 2015

    Linda homenagem Ju! Ouvindo a música e lendo seu texto a emoção tocou forte.
    Um grande beijo em vc e na companheira Lua ! <3

  • Lúcia diz: 11 de fevereiro de 2015

    Apesar dela não estar mais perto de você, fisicamente, estará eternamente em seu coração. Que homenagem magnífica…e que emoção …

  • Juracy Bitencourt Furtado diz: 11 de fevereiro de 2015

    Minha querida… Sem palavras…
    Meu coração está em lágrimas…
    Misto de alegria e tristeza.
    Alegria por você ter conseguido tornar um momento tão difícil em algo tão mágico e sublime.
    Tristeza por saber da tua dor e compartilhá-la contigo.
    Só posso desejar muita luz e paz para a nossa amada Ivone e para você.
    Um abraço bem apertado e um beijo no coração

  • Acemi Fiuza diz: 11 de fevereiro de 2015

    Bela homenagem amiga!
    Nada como a beleza e a grandeza do mar para a eternidade e a paz no Senhor.Beijos!

  • Evelise Marini diz: 11 de fevereiro de 2015

    Querida Ju, muito lindo!!!! Fiquei emocionada lendo seu relato e vendo suas fotos.
    Uma homengem merecida, esse mar maravilhoso do Morro das Pedras foi uma escolha acertada. Fique em paz…saudades de vc..bjs

  • Davi Paes e Lima diz: 11 de fevereiro de 2015

    Linda homenagem. Me emocionei. Parabéns pela força. Beijo no coração.

  • Antonio Luiz diz: 11 de fevereiro de 2015

    Seu gesto ultrapassou todo sentimento ! a beleza e a imensidão do mar traduzem o amor que sua querida Mãezinha deixou em seu coração Juliana, imagino que a dor da distancia (saudade) nunca cessará, porém, vc frizou bem, ” a paz interior” ajudará muito seu caminho.

  • Rute Gebler diz: 11 de fevereiro de 2015

    Olá, Juliana, ontem me surpreendeste com o teu telefonema e, posso dizer, que foi bom para nós duas. Relembramos o dia que corri para cumprir minha promessa e pelas palavras carinhosas que trocamos sobre Da. ivone. E hoje, me surpreendeste com a delicada homenagem na tua coluna. Não era necessário Juliana, fiz de coração, como te disse. Daqui para frente vamos lembrar somente as coisas boas, a alegria, a faceirice, a amorosidade, e procurar, como fizeste com as cinzas, deixar que o tempo e o vento levem as marcas que ainda ficaram. Um beijo com carinho da Rute Gebler

  • Marlene Bürger diz: 11 de fevereiro de 2015

    Que lindo, Juliana. Tenho certeza que ela está muito feliz com essa homenagem. Você é uma filha especial!

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