
Mulheres em aula de datilografia em Manaus já no comecinho do século 20, ainda sem muitas asas pra voar Foto: Reprodução
Dia bem apropriado este 8 de março para lembrar das escritoras pioneiras no Brasil. E acaba de ser lançando o livro “Encantações”, de Norma Telles, antropóloga e historiadora, sobre as jornalistas e escritoras do Brasil no século 19.
Antes de autoras conhecidas, como Cecília Meirelles, tivemos muitas outras, que enfrentaram preconceitos e machismos infinitos. O livro de Norma é uma descoberta preciosa. Um dos destaques é a poeta Júlia Lopes de Almeida, que viveu entre 1862 e 1934, e foi a primeira mulher a ganhar dinheiro com literatura no país. Coisa rara até hoje, em pleno terceiro milênio.
Mas outras também mereceram um estudo minucioso – o livro é resultado da tese de doutorado da autora, ainda em 1987 -, como a romancista Maria Benedicta Camara Bormann, que assina com o pseudônimo Délia. Narcisa Amália, poeta e jornalista, também tradutora e igualmente com reconhecimento em vida. Teve obra publicada em Portugal.
Vale conferir o livro que fala delas, e “capturar” ao menos um pouco o que escreveram. Elas tiveram voz por aqui muito antes da francesa Simone de Beauvoir detonar com a submissão feminina lá na Europa.

Júlia Lopes de Almeida, uma das nossas escritoras pioneiras e a primeira do país que ganhou dinheiro com literatura