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Leite de vaca X Leite artificial - Qual o melhor a partir dos 2 anos de idade?

27 de setembro de 2016 4

Por Giane Guerra

 

 

Foto: Diego Vara / Agência RBS.

Foto: Diego Vara / Agência RBS.

 

 

 

Leite de vaca X Leite artificial (fórmulas e compostos lácteos)

 

O assunto é polêmico e uma dúvida que muitos pais trazem ao blog Lado Natureba. Ou seja, nossas pautas preferidas.

Aquela longa lista de ingredientes dos leites artificiais, é claro, coloca uma pulga atrás da nossa orelha. E sabemos que jamais um nutriente artificial será absorvido pelo corpo tão bem quanto o nutriente que vem da comida de verdade.

Mas antes vamos esclarecer alguns pontos:

- Estamos considerando crianças com dois anos ou mais. Antes disso, a discussão envolve outras questões que não serão abordadas agora neste post. E lembrando que o blog Lado Natureba defende o leite materno até DOIS ANOS OU MAIS. Leia: Amamentação Prolongada – Por que é recomendado amamentar por dois anos ou mais?

- O objetivo não é esgotar o assunto aqui e nem dar a resposta certa para todos. Mas sim provocar a reflexão e o questionamento. E, por isso, buscamos SEIS opiniões.

- Consideramos muito interessante ter orientação conjunta de pediatras e nutricionistas nos cuidados da alimentação das crianças. Por isso, ouvimos profissionais das duas áreas sobre o tema.

A pergunta enviada aos especialistas foi:

Após os dois anos de idade, o que é mais indicado: O leite de vaca ou o leite artificial (que inclui as fórmulas infantis e os compostos lácteos)?

Vamos às opiniões, por ordem alfabética. São longas, mas estão riquíssimas de informação!

 

Fabíola Frezza Andriola, nutricionista infantil especialista em Comportamento Alimentar.

“Leite de vaca é melhor. Tudo entra dentro de um contexto familiar. Ainda temos a cultura de que criança tem que beber leite. Às vezes, a família inteira não toma leite, mas acredita que a criança tem que tomar leite. Mas pensando em qual leite tomar, certamente o leite de vaca. Minha sugestão é o leite de vaca tipo A ou o leite de vaca tipo B, preferencialmente. Uma dica é evitar o leite de caixinha, que é o leite UHT. Este tipo de leite tem três tipos de conservantes a base de sódio. E os leites pasteurizados não têm aditivos. O leite de saquinho, que é o tipo C, também não tem aditivos. Mas recomendo o A e o B porque há menos contaminantes. Se o acesso for difícil, pode usar o leite em pó. Mas o leite em pó puro! Não o composto lácteo ou a fórmula infantil.”

 

Flávio Melo, pediatra especialista pela Sociedade Brasileira de Pediatria e membro da Associação Brasileira de Nutrologia.

“Leite de vaca é melhor. Preferencialmente, leite Tipo A fluido (leite na forma líquida). O leite tipo A UHT (UHT é leite longa vida, mais chamado de caixinha) perde lactobacilos. No geral, fluido A seria o melhor. Em segundo lugar, UHT tipo A. Os estudos mais recentes com milhares de pacientes, incluindo crianças e adolescentes (http://www.nature.com/ejcn/journal/v70/n4/full/ejcn2015226a.html), demonstram que o consumo de laticínios integrais, incluindo o leite fluido, os queijos e os iogurtes, em quantidades adequadas, se correlacionam com melhor composição corporal, menor risco de diabetes e síndrome metabólica. Além de o leite fluido ter um conteúdo maior de vitaminas lipossolúveis, há também um tipo de gordura polinsaturada chamada CLA (nesse caso, natural), que aumenta a taxa metabólica basal e os probióticos (lactobacilos), presentes também nos iogurtes integrais e queijos. O maior teor de gordura do leite também proporciona melhor sabor e mais saciedade. Para as crianças maiores de dois anos, que têm uma dieta diversa e não usam nenhum outro ‘aditivo’ ao leite – como achocolatados, açúcar e farináceos – a evidência é consistente para que se deva recomendar o leite de vaca ao invés das fórmulas e dos compostos lácteos. E importante: limitando seu consumo a duas porções (copos de 200ml) por dia.”

 

José Paulo Ferreira, pediatra da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul.

“Até um ano, não se dá leite de vaca. Entre um ano e dois anos, dar leite de vaca não é um crime. A indústria que estendeu a recomendação de fórmulas e compostos lácteos até dois anos, até três anos e agora fala-se até cinco anos. Mas assim… Se o pai chega no meu consultório com criança de dois anos e pergunta “Doutor, preciso continuar com fórmula infantil?”. Eu digo que não precisa dar fórmulas e nem compostos. E nem leites fortificados com vitaminas e etc. A fonte de alimentação da criança é arroz, feijão, batata. Comida de verdade. Vejo criança de três ou quatro anos ainda com alimentação baseada em leite. A criança não precisa de leite, precisa de cálcio. Leite é mais fácil e barato, mas o cálcio está no iogurte, queijo, leite, legumes… A criança tem que consumir duas ou três porções de cálcio por dia. Fórmulas dão uma pseudo-segurança em relação à qualidade do leite. Mas muitas trazem, por exemplo, aromatizantes e maltodextrina, que é um tipo de açúcar. Então, melhor leite de vaca.”

 

Karine Durães, nutricionista especializada em Pediatria pelo Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da FMUSP.

“A resposta depende de que criança estamos falando. Sua família toma leite e gosta? Na sua cultura, leite é importante? A criança fez sua introdução alimentar com sucesso e come bem? Leite é mais um alimento e não o mais importante. Prefiro sempre que as crianças se nutram com comida de verdade. Já os compostos são produtos alimentícios – mas, para algumas crianças, pode ser importante. O composto lácteo tem alguns nutrientes importantes associados, mas têm açúcar. O leite integral é só leite, sem os nutrientes adicionados, mas sem açúcar, o que é ótimo. Depende da criança. Se a criança tem uma alimentação que supra a necessidade destes nutrientes adicionados, melhor o leite.”

 

Silvana Nader, pediatra neonatologista e professora da Ulbra, indicada pela Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul.

“O ideal é que, se for possível, o aleitamento materno continue após os dois anos. Não há limite de tempo para amamentar. Mas vamos à proposta de a criança ter dois anos ou mais e estiver desmamada. Então, não precisa dar fórmula e nem composto lácteo. Pode ser o leite de vaca. Preferencialmente, enriquecidos com ferro e vitamina A. E não precisa ser muito e sempre leite. O cálculo está no iogurte, no queijo, no brócolis… Uma ótima opção e barata é fazer iogurte em casa.”

 

Thaiana Lindemann da Silva, nutricionista pós-graduanda em Nutrição em Pediatria do IPGS.

“Leite materno até os dois anos é o indicado. Após os dois anos, sabemos que a criança passa por uma formação da massa óssea importante e o cálcio é o principal. Leite e derivados são ricos neste nutriente. Então, é o modo mais fácil de atingir a quantidade de cálcio. Só que estudos mostram que, para vender em caixas, são acrescidos itens que estão sendo associados a alergias, por exemplo. Mas considerando a comparação com as fórmulas infantis e compostos lácteos, acho que devem ser oferecidos no caso de algumas doenças genéticas da mãe e do bebê ou HIV. Mas não são necessários quando a mãe e o bebê são saudáveis, ainda mais se há a possibilidade de dar ainda o leite materno após os dois anos. Os nutrientes que colocam no leite artificial podem ser consumidos através dos alimentos tranquilamente. E, assim, evita outros itens acrescidos às fórmulas, como o açúcar, que aparece com outros nomes. Por fim, é importante respeitar o comportamento da família e analisar cada criança para ver se todos os nutrientes estão sendo oferecidos. E uma das saídas para garantir a qualidade do leite é buscar no mercado o leite orgânico da vaca. Continua sendo leite de vaca, mas não tem acréscimo de conservantes.”

 

Para encerrar, confira tabela da Sociedade Brasileira de Pediatria e cuidado com dietas muito dependentes do leite. O alimento é um complemento para as crianças.  

 

 

tabela

 
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Comentários (4)

  • Daniel h.k. diz: 27 de setembro de 2016

    Primeiramente, o título da matéria está errada. Leite é: “Leite é uma secreção nutritiva de cor esbranquiçada e opaca produzida pelas glândulas mamárias das fêmeas dos mamíferos (incluindo os monotremados).” TUDO o que não for isso, NÃO É LEITE. Pode ser, líquido, composto, produto, etc. Mas LEITE é LEITE. Eu fico admirado com profissionais que colocam isso.

  • Juliana diz: 27 de setembro de 2016

    Gostaria de sugestões de marcas de leite tipo A, e onde comprar pois aqui na minha cidade não achei… E Tb do B, se possível… Obrigada

  • Raquel diz: 28 de setembro de 2016

    Adorei o artigo, só fiquei com uma duvida: e antes dos 2 anos? Sei que o ideal e o leite materno porém sou mãe de gêmeos e não amamento mais (eles tem 1a2m). Dou aptamil. O que seria melhor dar? Agradeço se alguém me responder.

  • Renato diz: 28 de setembro de 2016

    Hoje em dia se questiona muito a necessidade do leite de vaca e derivados na alimentação humana. Inumeros estudos demontram claramente que além de nao trazer praticamente nenhum beneficio, provoca muitos problemas. O leite de caixinha e o de saquinho pode ser considerado TUDO….menos leite! O leite puro de antigamente simplesmente NÃO EXISTE. Além de ser produzido por animais entupidos de meicamentos, hormonios e outros lixos químicos, o processo industrial destroi qualquer possiblidade de algum proveito parao ser humano. O médico Dr Lair Ribeiro é um dos cientistas que poem em cheque a necessidade de leite…sendo o único leite realmente importante e necessário ao ser humano é o materno, esse sim é essencial. LEITE DE VACA é ara bezerros…….não e e NUNCA foi para humanos. O leite artificial….nem vou comentar…. Respeitando opiniões em contrário, é o meu ponto de vista. Abraços !!!!

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