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26 fev04:10

Morte de Alex Thomas completa 25 anos

A família de Alex Thomas, de 16, de Lajeado, teve um trágico final de veraneio, no balneário de Xangri-lá. O garoto morreu ontem de madrugada, no hospital Santa Luzia, em Capão da Canoa, depois de ser massacrado a socos e pontapés na avenida Paraguaçu, em Atlantida, por seis ou sete rapazes ainda não identificados, conforme depoimento de dois amigos seus na delegacia de Capão da Canoa.

O parágrafo acima foi publicado no jornal Zero Hora em 27 de fevereiro de 1986, uma quinta-feira. É o inicio da primeira das dezenas de reportagens que seriam publicadas ao longo daquele ano sobre o crime que ficou conhecido como Caso Alex Thomas.  Este é o nome do adolescente lajeadense brutalmente assassinado há exatos 25 anos, no Litoral Norte, em um crime que causou revolta em todo o Rio Grande do Sul, pela violência e também pelo perfil dos envolvidos – jovens de famílias ricas de Porto Alegre, que formavam a negativamente famosa Gangue da Matriz.

O assassinato de Alex trouxe à pauta de discussões a violência praticada por adolescentes, independente da classe social, e também a influência de academias de lutas marciais na agressividade.

Leia a matéria completa do Zero Hora de 27 de fevereiro de 1986

Alex Thomas, um rapaz calmo, nascido e criado em Lajeado, foi morto durante uma temporada de veraneio. Era madrugada, ele voltava de uma festa para a casa de praia de um tio, na companhia dos amigos Leandro Schimidte Clarice Hespanhol, quando teve o azar de cruzar com os chamados matrizeiros.

Leia mais: No enterro, dor e revolta

A gangue da Matriz já era antiga em PortoAlegre. Desde a década de 70 que seus integrantes costumavam se reunir na Praça da Matriz, entre as sedes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do Estado. O grupo era formado por jovens de classe média alta, filhos de pessoas influentes, freqüentadores de academias de lutas marciais. Todos já haviam se envolvido em episódios de violência urbana. Invariavelmente, acabavam impunes.

O crime de Atlântida, porém, acabaria mudando o rumo da história. Divididos em dois grupos, os integrantes da gangue afixavam cartazes da campanha eleitoral do pai de um deles, candidato à reeleição à Assembléia Legislativa. Quando Alex e seus amigos passaram pela primeira turma, foram ofendidos. Leandro respondeu com gestos, motivo considerado suficiente pelos matrizeiros para que fossem agredidos.

Bolívar Canabarro Tróis Neto, o Dódi, incitado por Carlos Alberto Fiad do Amaral (segundo o processo judicial), saiu em perseguição aos três jovens e, com um único soco, jogou Alex no chão. O agredido conseguiu levantar-se e, a exemplo do que já faziam Clarice e Leandro tentou fugir. Porém, poucos metros adiante, deparou com outro integrante da gangue, menor de idade, que, de passagem, lhe bateu com um cabo de vassoura. Na seqüência, foi derrubado por uma voadora desferida por Cid Olivério Borges. Com o golpe, teve os pulmões e o coração dilacerados e acabou morrendo.

A morte de Alex Thomas provocou protestos em Lajeado, no Litoral e na Capital. O massacre virou até tema de música – Diga não à Violência, composta pelo baixista Zé Natálio.

Dois anos e meio depois, Cid Borges foi condenado a 11 anos de detenção, Amaral a oito de prisão, em regime semi-aberto, e Dódi a nove anos e seis meses. Daniel Sanchez Hecker, que estava junto, mas não teve qualquer participação no episódio, foi absolvido. Três menores envolvidos foram submetidos a medidas sócio educativas. Anos depois, seus pais foram condenados a pagar indenizações à família de Alex Thomas.

A professora aposentada Nersi Thomas, mãe de Alex, continua morando em Lajeado, em um apartamento no Centro da cidade. O marido, Walter, morreu há 10 anos e a filha Betina, irmã mais nova de Alex, mudou para Santa Catarina.

- Passei três dias chorando em casa, sem tomar banho, sem comer quase nada. Essa dor não se supera nunca. Com o tempo, ameniza, a solidariedade ajuda, mas nada faz esquecer. Procurei centro espírita, um médium em Caçapava, uma psicóloga que orientou a pensar nas coisas boas que vivemos. Procurei tudo que fosse possível para buscar conforto – contou ela, no blog de Laura Peixoto.

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3 Comentários »

  • William disse:

    Descobri pela internet que um dos menores na época, o covarde FABIO DELAPIEVE BRESSAN, é agora servidor público, e ainda por cima diretor da 15º vara da justiça do trabalho, no TRT4 (em Porto Alegre).

    Abaixo tem uma foto dele, tirada há pouco tempo (julho/2011):
    http://www.trt4.jus.br/NoticiasPortlet/noticias/366252/15-integrar-te-diretores.jpg

    http://www.trt4.jus.br/portal/portal/trt4/comunicacao/noticia/info/NoticiaWindow?action=2&destaque=false&cod=450051

  • rita de cassia araujo disse:

    Pelo que sei sobre a história de Alex thomas ,veraniava em capão da canoa neste ano trágico …depois de muitos anos morei em capâo onde eu e minhas amigas nós juntamos para escrever o livro de Alex , sei que a namorada de Alex thomas também estava envolvida nesta história , e estava junto na noite que tudo aconteceu …ela foi interrogada também …mas depois de muitos anos ela confessou que teve um envolvimento com um dos matrizeiros …e dizem que aí começou a briga ….Pelo que sei e até onde pude investigar que era o Dodi, Ricardo Macchi , Cid Borges,o Bebeto ,o Daniel Hecker e o Zè do brinco que era o de menor ….O Cid Borges cumpriu pena , o Dódi estava na condicional ,fazia faculdade de Direito na Unisinos , o Ricardo Macchi seu pai pagou a fiança , o pai do Zé do brinco era Delegado (Policial na época mas o Zé do brinco n cumpriu pena que era de menor ,mas pagou para sociedade , o Hecker ficou internado no Hospício para constatar que tinha uma deficiencia mental e não cumpriu a pena ,o Bebeto tinha pai que era político ,também nem foi condenado …..Eles estudavam todos no Colégio Sevigné em Poa ,eram filhos da forte influencia da sociedade classe média alta ….e a última audiencia que teve ,o juíz mandou pagar uma indenização pra a familia a mãe de Alex thomas n aceitou …….

  • rita de cassia araujo disse:

    O Fabio era o zé do Brinco na época 1!!

Comentários