
Ontem, fui ao município de Penha conferir a obra de dragagem da Lagoa do Quinca Ludo, no Bairro Praia Alegre. A ida rendeu reportagem publicada no Santa de hoje.
A Fatma paralisou a obra em razão de irregularidades cometidas pela prefeitura de Penha. Nos chamou atenção a área de mangue nas margens da lagoa, atulhada de sujeira e areia. O monturo de lixo foi levado pela força das águas durante a tragédia do ano passado.
No mangue, os caranguejos tentam sobreviver ao lado de um esgotão imundo e fedorento. O Marcos Porto fez algumas imagens e mandamos três fotos para a professora da Univali e bióloga Carina Catiana.
Carina avaliou as imagens e fez algumas ressalvas, já que não esteve no local. Segundo ela, os manguezais são berçários naturais e locais fundamentais para a reprodução e abrigo de alimentação de diversos animais, como aves marinhas, camarões e peixes de relevância econômica.
Segundo Carina, a destruição do manguezal impacta todo ciclo de vida da zona costeira. Além disso, os mangues são protegidos por lei como Área de Preservação Permanente (lei federal 477/1965).
_ No caso deste local, o contato do ambiente com o oceano parece ter se perdido. Sem esta conexão, a tendência é o desaparecimento do manguezal. Importante mencionar que o restante do rio é afetado, pois o manguezal serve como um filtro que regula a entrada da água salgada no rio. Apesar de ser área degradada, não perde sua função ecossistema e deve ser protegida mesmo assim _ afirmou a bióloga.
E a bióloga sentencia:
_ Enquanto estes materiais de dragagem e outros rejeitos continuarem sendo despejados nestes locais, estes ambientes tendem a morrer. Infelizmente, o litoral catarinense tem loteado importantes e frágeis ambientes que regulam uma ampla cadeia de vida do planeta.
Postado por Raffael do Prado