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07 dez12:02

O RS que encolhe: Moradores abandonam o Pampa

Itamar Melo, Zero Hora

A divulgação dos primeiros dados definitivos do Censo 2010 deu contornos precisos a um fenômeno que atinge a mais emblemática das regiões gaúchas. Conforme os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais da metade dos municípios perdeu população desde 2000, e um dos epicentros do esvaziamento demográfico é o pampa, berço da cultura gaúcha e velho esteio econômico do Rio Grande.

Grandes cidades da Campanha e da Fronteira Oeste já não são tão grandes assim, mostra o Censo. Santana do Livramento, o município que mais perdeu gente na década, tem 8.336 moradores a menos hoje do que em 2000 – um recuo de 9%. Levando em consideração 10 cidades da região (Livramento, Alegrete, Cachoeira do Sul, São Borja, Jaguarão, Itaqui, Dom Pedrito, Uruguaiana, Rosário do Sul e Quaraí), a diminuição chega a 31,2 mil pessoas.

Ao todo, 257 dos 496 municípios gaúchos perderam habitantes na década, o equivalente a 51% do total. Enquanto o pampa concentra as cidades que tiveram a maior diminuição absoluta, proporcionalmente estão nas Missões e no extremo norte gaúcho as localidades que encolheram de forma mais acentuada. Em Engenho Velho, a campeã de recuo demográfico, 28% da população evaporou.

A explicação para as sangrias populacionais está nas migrações. Elas sempre ocorreram, mas um dado novo mudou sua importância: a queda na natalidade. No passado, os habitantes que iam embora para outra cidade eram repostos nas maternidades. Hoje, como as taxas de fecundidade despencaram no Estado, fazendo o número de filhos por mulher cair de 5,2 em 1950 para 1,7 em 2005, os municípios fornecedores de migrantes não conseguem mais substituir os filhos perdidos.

Com base nos dados preliminares do Censo 2010, o economista Pedro Silveira Bandeira, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, fez um levantamento para descobrir quais são as principais características associadas à diminuição populacional. Chegou a duas conclusões. A perda está relacionada à distância da Capital e à base econômica. Quanto mais longínquo e rural um município, mais ele tende a encolher. Os dados do professor ajudam a entender porque é justamente nos extremos do Estado – o Norte, o Oeste e a Fronteira Sul – que o fenômeno da população minguante mostra garras mais afiadas.

Os números

As 10 cidades que mais perderam habitantes em número absolutos (2000-2010)

Santana do Livramento – 8.336

Alegrete – 6.665

Cruz Alta – 4.525

Cachoeira do Sul – 4.046

São Borja – 3.207

Santa Vitória do Palmar – 2.302

Alpestre – 2.239

Jaguarão – 2.151

São Luiz Gonzaga – 2.130

Palmeira das Missões – 2.063


As 10 cidades que mais ganharam habitantes em número absolutos (2000-2010)

Caxias do Sul – 75.063

Porto Alegre – 49.349

Gravataí – 23.133

São Leopoldo – 20.663

Canoas – 17.932

Santa Maria – 17.416

Passo Fundo – 16.411

Bento Gonçalves – 15.855

Viamão – 11.805

Alvorada – 11.750


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Um Comentário »

  • Fernando disse:

    O Alcy está equivocado. O culpado é o governo (estadual e federal), como sempre. Pagamos impostos, mas todos os investimentos se concentram nas capitais. Todos querem morar nas capitais. Só aqui tem bons hospitais, bons aeroportos, bom (ok, nem tão bom) transporte público, boas escolas, boas universidades. No interior, tudo isso que falei, tem, mas bem menos, muito menos do que precisava. O governo precisa investir em infraestrutura para o interior, e atrair empresas, mesmo que reduzindo impostos – o que é um drama para os petistas…

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