clicRBS
Nova busca - outros
26 ago16:57

Colaboração do leitor: Copla para uma cidade triste

O santanense Luiz Honório Correa Machado, 57 anos, colabora com o clicRBS Livramento com um poema, inspirado em sua crítica social.

Honório é conhecido em Santana do Livramento como Lobisomen. Atua como poeta, músico e tradicionalista. Já trabalhou como radialista, por 29 anos, além de outros trabalhos, como apresentador, ator e produtor.

COPLA PARA UMA CIDADE TRISTE
 
                                                                               
                                      Mi’a Santana hoje te vejo
                                         Em situação delicada,
                                         De economia parada,
                                      No mais cruel sofrimento,
                                       Jogada ao esquecimento
                                         Num abandono total,
                                      Com uma necrose moral
                                     Que te corrói Livramento.
 
                                      Como corta o coração
                                    Te ver assim mi’a querência,
                                 Aos poucos perdendo a essência
                                      De promissora cidade.
                                           Essa dura realidade
                                    Da mais completa pobreza,
                                   Vem te sangrando a nobreza
                                     E corroendo tua majestade.
 
                                      Como teu filho, confesso,
                                      Com muita preocupação,
                                            Essa triste situação
                                       Que te traz agonizando,
                                   Com teu comercio fechando
                                           Pela falta de dinheiro,
                                        Só faz piorá o desespero
                                 Com o desemprego aumentando.

 

Tuas ruas mal cuidadas

Na completa escuridão,

Nos  causando a sensação

De falta de segurança,

Teu povo já sem confiança

Vai perdendo a auto-estima,

Lutando contra esta sina

Sem perder a esperança.

 

Roubos de motos, de fios,

Assaltos e abigeatos,

Ninguém faz nada de fato,

Ninguém toma uma atitude,

É uma vergonha a saúde,

Estas em coma social

Num sofrimento infernal

Que só queremos que mude.

 

Eu sei que estas palavras

São duras p’ra se dizer,

Mas não da mais p’ra esconder

Com desculpas e omissão,

Porque corta o coração

Ver gente que não se toca,

Te  explorar sem nada em troca

Por interesse e ambição.

 

Até quando vamos ver

Os teus sonhos se extinguindo,

Ver os teus filhos partindo

Em busca de oportunidade,

P’ra conviver com a saudade

E a vontade de voltar,

E aqui poder se somar

A tua prosperidade.

 

Até quando vamos ver

Frigoríficos fechados,

Que foram todos quebrados

Pela ganância e a intriga,

È uma vergonha esta briga

Onde impera a roubalheira,

P’ra  aumentar mais a sujeira

Por empurrar com a barriga.

 

 

No dia trinta de julho

Tiveste de ¨cumple años¨,

E o meu desejo é tamanho

De te ver em crescimento,

Pra que sejas Livramento

M’ia terra bem sucedida,

Em vês da terra sofrida

Que vejo no esquecimento.

 

Ta quase chegando a hora

Pra outra eleição de novo,

Só com o voto do teu povo

Se  muda esta realidade,

Abram o olho com a vaidade

De alguns aproveitadores,

Candidatos sem valores,

Gente de méis verdades.

 

 

Discursos de demagogos

Falsos cristos milagreiros,

A negacear sorrateiros,

Pensando só no seu lado,

Enquanto o povo isolado

Agoniza em sofrimento,

Em total isolamento

Do progresso do estado.

 

Porisso é bom pensar bem

Na hora de confirmar,

Porque é no ato de votar

Que se projeta o futuro,
                                         

Pra não ter que pagar juros

Te  informa bem de quem é,

Pois contra o uso de ma fé
                                      

Ninguém tem plano ou seguro.

 

Fui parido nesta terra

E amo muito o meu chão,

Porisso  abro o coração

Quando a paciência se esgota,

Já cansei destas lorotas
                                             

De muita gente coruja,

Que tem a língua mais suja

Do que a sola da m’ias  botas.

Autor: Luiz Honório (Lobisomem)

Por

5 Comentários »

  • Ari disse:

    Lobisome! Que pena que penses assim de nossa amada terra. Em que mundo vives? no meio da grota? nunca vi tanta construção na cidade, obras e mais obras. Só nao trabalha quem nao quer ou nao se qualificou. Conheço muita gente que esta voltando ou de cavalo encilhado pra rumar de volta aos pagos. Parece que tem um “quê” de política de oposição na tua poesia. Só isso explica tamanha barbaridade e falta de respeito com o nosso chão.

  • Cristiano disse:

    Penso que deve ter feito esses versos algum tempo atrás.

  • Felipe disse:

    Trata-se de uma maneira poética(muito bem feita)de expressar insatisfação
    com a realidade .Poderia ser em forma de música,uma crônica,uma peça teatral,etc.Na forma xucra em que foi feita ficou mais original pois
    representa a nossa cultura.
    O poeta como todo cidadão brasileiro em estado de democracia tem o direito
    à critica .Sabemos que Livramento melhorou em vários aspectos nos últimos
    anos, o que não significa que devemos “tapar o sol com a peneira” e aceitar

    que tudo está bem e que nada há para se fazer.Seria regressar no tempo e
    voltar ao comodismo que nos impediu de crescer por vários anos.

  • fernando disse:

    Tem mais santanenses fora e ainda saindo, procurar emprego – bota politica de oposição nisso.Lobisomem nota 10 pra ti.

  • Ari disse:

    Não falei? Lobisomen! O mais novo filiado ao Partido Progressista, da Acil e otras cositas.

Comentários