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Arroz com charque & figos

26 de setembro de 2009 1

Cleveton Grings

Na seção Cozinhando com Anônimos e Famosos deste sábado, o blog convidou o coordenador da rádio Itapema de Santa Maria, gaitista da banda de blues Red House e escritor, Márcio Grings, para cozinhar sua especialidade: Arroz com Charque & Figos. Além de colocar a mão na massa, o Grings ainda conta um pouquinho da história dos ingredientes que compõe o prato:

“O charque é uma carne salgada que se tornou o principal produto da economia do Rio Grande do Sul no século IX. Pela ausência de refrigeração da carne à época, o animal vacum abatido para retirada do couro, de bom valor de mercado, não tinha sua carne aproveitada adequadamente.

Na época do império, os altos tributos incutidos no charque foram um dos principais motivos que deflagraram a Revolução Farroupilha. O charque, hoje, é a carne bovina, principalmente de vitela ou carne jovem, que é salgada e cortada em pedaços chamados de mantas. Sua principal utilização é na elaboração de pratos típicos regionais como arroz carreteiro ou charque desfiado.

A figueira, originária da região do Mediterrâneo, está em uma das primeiras descrições da Bíblia, quando Adão se veste com suas folhas, ao notar que está nu. Seus frutos, são de estruturação carnuda e suculenta, têm a coloração branco-amarelada até roxa, são comestíveis e altamente energéticos, pois são ricos em açúcar.

Essa mistura acentuada de sal & açúcar é a marca registrada do prato que irei apresentar aos amigos que acompanham o Livro de Receitas do Diário. A origem desse mach up promíscuo tem a marca do improviso. A união da fruta do Mediterrâneo com a tradicional carne salgada gaúcha, somadas a algumas peculiaridades gastronômicas da minha experiência pessoal, talvez tenham construído inconscientemente a origem de tudo.

Rememorando o meu histórico familiar, lembro dos pratos de minha avó paterna. Dona Elma Grings adorava infiltrar em suas receitas o doce no salgado e vice-versa. Outra recordação era de meu pai comendo morcilha frita com chocolate. Voltando a falar do Arroz com Charque & Figos, dou todo crédito ao acaso. Provavelmente tenha descoberto a combinação numa daquelas noites que algumas taças de vinho a mais parece nos encorajar a protagonizar novas experiências.”

Ingredientes
700g de charque
1 lata de figo em caldas  (aproximadamente 350 gramas picados)
1 tomate
1 cebola
3 dentes de alho
1 ovo cozido (opcional)
3 colheres (sopa) de bourbon
1/4 de xícara de calda de figo
Azeite de oliva
Manteiga
Tempero verde
Vermelhão
Queijo ralado

Preparo
— Coloque o charque em água fervente e deixe cozinhar por cerca de 20 minutos. Quando estiver pronto, escorra a carne com água fria
— Coloque o charque de volta à panela para fritar com um pouco de azeite e manteiga. Acrescente pela ordem: alho, cebola e tomate. Passado um tempo, coloque o arroz. Após fritá-lo por alguns segundos, coloque uma pitada de vermelhão e adicione água fervente (o suficiente para cobrir 1 vez e 1/2 a totalidade da mistura). Deixe cozinhar em fogo baixo
— Mexa frequentemente
— O bacana é que na finalização do prato, ele fique com aquela aparência molhadinha. Quando o arroz estiver praticamente cozido, adicione a calda do figo, o bourbon (Jim Bean ou Jack Daniels), o ovo e  o tempero verde
— Após 2 ou 3 minutos, junte o figo picado. Mexa bem e desligue a panela. Deixe-a tampada por cerca de 5 minutos. Acrescente queijo ralado a gosto

Dica do Grings
— Quando você acrescentar o figo, dependendo do tipo de charque usado (e também do tipo de figo), pode ser necessário colocar um pouco mais de sal. É importante haver um equilíbrio entre o doce & o salgado. Como acompanhamento, sugiro um bom vinho tinto e uma salada de agrião.

Postado por Silvana Silva

Comentários (1)

  • Marcelo Aiquel diz: 8 de outubro de 2009

    Esta receita é, além de original, muito interessante. Eu curto muito cozinhar risotos agridoces (camarão ao curry com manga; frango com pápicra e maçã; cordeiro com pimenta e creme de hortelã; filé mignon com mostarda dijon e morangos) e vou provar esta dica.
    Parabéns ao Márcio Grings pela receita.
    Abraços

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