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Indústria e trabalhadores preparam manifestação

06 de março de 2012 0

Algumas das principais lideranças da indústria e de trabalhadores em âmbito nacional vão promover a primeira manifestação pública do ano contra a política industrial. Será  em Itajaí, no dia 28 de março. A cidade foi escolhida porque é por lá que chegam toneladas de mercadorias importadas a competir com a indústria nacional. Os organizadores – Fiesp e Abimaq à frente – querem reunir entre 15 mil e 20 mil pessoas.
As lideranças do chamado “Grito de alerta” vão pedir, em correspondências, para que os empresários catarinenses liberarem parte de seus funcionários e os levem até o local da manifestação para engrossar o protesto. Mas isso não deve acontecer, dado o perfil conservador do empresariado.
A ausência quase total de lideranças locais da indústria no encontro de ontem, na Acij, em Joinville, chamou a atenção e já é um claro sinal de desinteresse. Outras três reuniões preparatórias ainda vão acontecer, nas próximas segundas-feiras.
Assinam o manifesto a Fiesp, Força Sindical, UGT, CGTB, CUT, Sindicato Metalúrgicos de São Paulo, Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Federação das Indústrias do Paraná, Federação das Indústrias de Minas Gerais, entre outras entidades.
Os signatários querem redução da taxa básica de juros; medidas urgentes para atenuar a sobrevalorização cambial, desoneração integral do investimento produtivo de todos os tributos federais e estaduais;    conteúdo local mínimo efetivo em todas as compras governamentais e privadas quando beneficiadas por financiamento público e/ou incentivos fiscais, e em setores estratégico; utilização do compulsório não remunerado como instrumento de incentivo ao desenvolvimento de linhas privadas de financiamento de longo prazo e utilização das compras governamentais, inclusive da Petrobras, como indutoras da produção nacional.
Razões
A gritaria da indústria brasileira se explica: só no setor de máquinas e equipamentos, há 770 mil desempregados porque a indústria brasileira importa da China e de outros países a preços mais em conta. Atualmente, um quarto de todos os produtos consumidos pelos brasileiros é importado. E a indústria de transformação, nos anos 70, representava 25% do PIB; hoje participa só com 14%. A Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) estima que 80% dos trabalhadores na indústria ganham até dois salários mínimos. Para piorar a situação, em 2001, o câmbio estava em R$ 1,85 por dólar, e hoje vale R$ 1,75. No período, a inflação foi de 115%.
Como o quadro macroeconômico é confortável para o governo – desemprego mínimo, balança comercial favorável; crescimento econômico de 3% contra Europa e EUA em crise; e nível de emprego em alta – é improvável ações radicais por parte de Brasília. Em Santa Catarina, pelo lado patronal, o movimento é coordenado pela Fiesc.
A Abimaq dá o alerta: ou o governo age agora e faz mudanças já, ou, daqui a algum tempo virá a catástrofe, quando o preço das comoditties cair no mercado mundial, o câmbio explodir e a inflação retornar com força.

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