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Preço dos ovos de Páscoa ilustram aceleração da inflação

05 de abril de 2015 0

Loetz

Vida doce em meio ao maremoto de notícias é para poucos. A Páscoa é um destes momentos nos quais a sociedade toda, independentemente de classe social ou econômica, se mobiliza para presentear com chocolate, ovos e coelhos. A tradição cristã, cevada nos ideários de fraternidade e renovação da vida, foi substituída, no capitalismo consumista, pela lógica do comprar desenfreadamente. As campanhas publicitárias e o subconsciente das pessoas criaram a “necessidade” de cada um, individualmente, e, portanto, o conjunto dos grupos sociais, ir a supermercados e lojas para comprar este item “indispensável” para esta data.

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O carinho, nas famílias, subsiste neste domingo, claro. A data também serve para reflexão e aprofundamento de valores de vida compatíveis com a harmonia. Duas frases desconexas com o materialismo vigente? Sim. Nesta era em que o dinheiro se sobrepõe a (quase) tudo, isso parece ser utopia. Sim. Ainda há no mundo real uma enorme distância entre o desejo coletivo de consumir e a possibilidade efetiva da compra. Porque a renda mensal da população permite pouco. E cada vez menos.

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Este é o ponto essencial. A inflação dos ovinhos encolheu os gastos dos consumidores irritados nos supermercados. Os preços assustam. Ninguém sai dos corredores com a impressão de que pagou valor justo. Ao contrário. As pessoas sentem-se apequenadas financeiramente diante dos valores estampados. Constatam que o bolso é minúsculo.

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Não é por acaso que a projeção de vendas de chocolate nos formatos clássicos de Páscoa estão bem distantes daquilo que o comércio esperava há seis meses (ou até antes), quando fizeram as encomendas aos fabricantes. A aceleração inflacionária, no caso específico destes produtos com data de validade – com o dólar nas alturas – para venda, provocou, nas duas últimas semanas, aquele sentimento de impotência. Uma frase ouvida com frequência foi: “Trabalho tanto e nem posso comprar ovos para meus filhos e netos!”.

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Se há esta ideia em função do efêmero de uma comemoração única no ano, fica fácil compreender o significado das queixas quando estas mesmas pessoas se deparam com o dia a dia de preços altos – e subindo. A inflação força a transferência de renda dos mais pobres para as categorias econômicas aptas a melhor se defender dela. E é justamente por causa disso que nem governo, nem os consumidores podem aceitar este processo altista.

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A vida em sociedade exige paz social, este chavão sociológico. No Brasil, o recrudescimento da inflação sempre jogou contra a tranquilidade. Tanto dos gestores públicos quanto de quem luta pela sobrevivência diária. Deixar a inflação crescer para mais de 8% ao ano é um convite à avalanche de insatisfação generalizada.

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