Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
 

Metade de entrada e prestações por 35 anos

03 de maio de 2015 0

Você está enganado se procura um bem durável em alguma rede de varejo a partir do que o título deste artigo possa sugerir. Não é nada disso. O título está sintonizado com a nova regra de financiamento habitacional.

* * *

A partir desta segunda-feira, dia 4, será mais difícil comprar imóveis usados com financiamento da Caixa Econômica Federal. Com a obrigatoriedade do mutuário de dar 50% de entrada, e não só 20%, a retração dos negócios vai ser inevitável. E não só para bens usados. O mercado de casas e apartamentos novos também sentirá impacto.

* * *

Isso tem a ver com o fato de que a aquisição de um novo passa, muitas vezes, pela venda anterior ou simultânea do imóvel usado, onde a pessoa mora. Evidentemente, um dos efeitos óbvios será a queda no fechamento de contratos habitacionais junto à Caixa. Não custa nada lembrar que o banco federal é o maior agente financeiro de habitação do País. E quando ele anuncia restrições de crédito, dá para imaginar o comportamento coletivo.

* * *

São a classe média e a classe média baixa os diretamente atingidos pela medida. Exatamente o público mais motivado a melhorar de vida. Geralmente, a parte da sociedade que aspira por mais conforto e status. Até mesmo para demonstrar ascensão social para amigos e vizinhos. Vai ser menos provável comunicar sucesso profissional e financeiro.

* * *

Chegar a um novo patamar vai exigir destes milhões de brasileiros muito mais esforço de poupança. Uma característica incomum do consumidor brasileiro, que adora gastar e se endividar no dia a dia. Adquirir um apartamento ou uma casa é bem diferente de ir ao shopping e comprar uma geladeira ou uma televisão. Há a imperiosa necessidade de uma preparação financeira e emocional para enfrentar o longo prazo.

* * *

O objetivo do governo é evitar crescente desencaixe dos recursos depositados na poupança, já afetada porque sua remuneração é abaixo da inflação, e o conjunto dos aplicadores está fazendo retiradas bilionárias. Claro que Dilma e Levy “salvaram” o Programa Minha Casa, Minha Vida desta paulada. Nem poderia ser diferente. Implodir programa social de tamanho alcance é impensável politicamente.

* * *

As famílias com renda mensal superior a R$ 5 mil sofrerão com a alta dos juros e terão de dispor de valor maior para fazer o financiamento. Um exemplo ilustra a nova realidade. A compra pelo Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI) para imóveis avaliados em mais de R$ 750 mil exigirá que o mutuário pague, à vista, 60% do valor. Antes, a Caixa exigia uma entrada de apenas 30%.

* * *

As compras pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH) para imóveis de até R$ 750 mil precisarão de uma entrada de 50% do valor. Antes, a exigência era de apenas 20%. As mudanças valerão para os contratos que seguem o sistema de amortização constante (SAC), em que a prestação vai caindo ao longo do tempo. O mutuário pode financiar seu imóvel por até 420 meses, ou seja, 35 anos.

* * *

Muita coisa acontece neste longo período. Planejamento é estratégico.

Envie seu Comentário