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Crescer menos e desenvolver mais

09 de maio de 2015 0

Mostramos na coluna de quinta-feira a redução do número de projetos de construção de imóveis para diferentes finalidades aprovados pela Prefeitura de Joinville nos três primeiros meses deste ano em relação a igual período de 2014. A lembrar: são 219 mil m² de área autorizada a construir no começo deste ano contra 324 mil m² entre janeiro e março do ano passado.

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Os dados colhidos junto à Secretaria de Infraestrutura são reveladores de um momento econômico instável. Ninguém com algum conhecimento de causa imaginaria, agora, ritmo ascendente neste campo de negócios importante pela sua capilaridade, ampla repercussão social e de impacto grande sobre o nível de emprego. Ninguém com visão menos imediatista se espanta. Um olhar atento ao comportamento cíclico da economia sugere que, de 2016 em diante, a expansão tenderá a ser maior.

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A busca por locais apropriados para estabelecer empreendimentos na cidade obedece a uma lógica na qual os critérios de escolha são praticamente universais, mesmo que dependentes da latitude. E do que está à volta do endereço preferencial para instalar negócios, morar ou investir. As perguntas mais frequentes são semelhantes. Cuidam de aspectos de legislação ambiental, do tempo médio de abertura de empresas, de fatores urbanísticos diversos, de política de desenvolvimento atrativa ou não e de diferenciais tributários, entre outros.

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Alguns problemas antigos persistem a atravancar novos investimentos, apesar de ter havido melhoras a se reconhecer no modelo de licenciamentos. O esforço que se fez – e se faz – para garantir mais agilidade aos processos nem sempre resulta em efeito positivo na prática. Estamos longe da perfeição. Sequer perto dela. De todo modo, há alguma evolução.

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Vamos decompor este raciocínio, então. Numa argumentação simplificada, Joinville é atrativa para pelo menos dois tipos de empreendimentos imobiliários: para a construção de prédios de dois quartos e para aqueles localizados em posição geográfica onde a oferta de serviços básicos – escolas, panificadoras, ponto de ônibus, farmácias e supermercados – já está devidamente posta.

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Por isso, o enorme cuidado dos investidores em achar o melhor ponto, aquele que converge para todas estas facilidades, e a garantir fácil deslocamento de pessoas e carros. Os eixos de corredores viários próximos ao Centro e de fluxo direto de tráfego ao Norte e ao Sul e os espaços em periferias a serem desenvolvidos são polos bem procurados. Muito possivelmente, os de maior valorização futura. Cada um deles, de acordo com suas peculiariedades próprias, definidas para atividades empresariais ou de moradias.

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Uma leitura mais abrangente nos indica alguns caminhos que vamos percorrer. Por exemplo: a expansão urbanística e a consolidação de espaços geoeconômicos de bairros ainda não adensados e carentes de serviços vai ser equacionada apenas no médio e longo prazos.

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A confirmação do crescimento de regiões mais afastadas do centro, com a estruturação de seus núcleos habitacionais e de atividades empreendedoras distintas e complementares, sujeita-se a um novo ordenamento territorial ainda a acontecer. Por ora, Joinville ainda tem verde suficiente em meio à paisagem que vai tomando formas cada vez mais verticais. Encontrar o equilíbrio entre o desejável e o inevitável crescimento com o desenvolvimento humano e manutenção de qualidade de vida é o desafio a encarar.

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A palavra da moda é legado. Teremos, como sociedade, a responsabilidade cívica de deixarmos uma Joinville melhor para os nossos descendentes. Um legado de conquistas, e não somente de desejos. É a Joinville que queremos: rica e humanizada. Parodiando um político conhecido, lanço a pergunta: dá para fazer?

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