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Por que a visita de Joaquim Levy é tão esperada

15 de maio de 2015 1
levy

Foto: Wilson Dias, Agência Brasil

Poucas vezes uma visita de autoridade federal a Joinville foi tão esperada como a do ministro da Fazenda Joaquim Levy neste sábado, 16 de maio. As circunstâncias macroeconômicas e a realidade do cotidiano para empresas e pessoas impõem que estejamos muito atentos à fala dele.

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O mais óbvio, claro, é a possibilidade de restritos 50 influentes líderes empresariais do Estado conhecerem, ao vivo, o pensamento do segundo mais importante mandatário do Poder Executivo brasileiro. O homem que ocupa o cargo é responsável pela condução da política fiscal e monetária do governo. Está com ele, e equipe técnica, a formatação de uma lógica que multiplique riquezas a partir de meados de 2016.

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Desde o início do segundo mandato de Dilma Rousseff, Levy age com carta branca e dureza incomum para as duas últimas décadas. Uma ação contextualizada que primeiro derruba negócios e aflige o povo, obrigados a promover fortes cortes de despesas na difícil arte de sobreviver a conta-gotas, em meio a um maremoto.

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A recessão já é dada como inevitável neste ano de 2015, com o produto interno bruto (PIB) tendendo a cair 1%. O desemprego cresce. A inflação está bem acima do centro da meta. O ajuste faz já dezenas e dezenas de milhares de vítimas com o crescimento de demissões massivas em indústrias de diferentes portes e setores – e do comércio, idem. Sem falar da quase completa paralisia nos investimentos em infraestrutura. Nada que ninguém já não antevesse no começo de janeiro.

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Menos mal que dois fatores extremamente preocupantes em fevereiro perdem significância hoje: a chance de racionamento de água e de energia são mínimas; e a hipótese do Brasil ser rebaixado pelas agências de classificação de risco escasseiam muito. O objetivo do ministro é construir um País mais rico e preparado para o desenvolvimento a partir do próximo ano. Erigir as bases para isso impõe-nos estes sacrifícios atuais a desesperar uns mais, outros menos.

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Diante do quadro estabelecido, os olhos e ouvidos estão todos postos na figura do ministro da Fazenda. A lembrar: é ele quem tem a chave do cofre nas mãos. Em face do cenário, as dificuldades financeiras do governo do Estado, a penúria para Raimundo Colombo e Antonio Gavazzoni comandarem investimentos e a urgência em se renegociar a dívida estadual com a União não ficarão de fora da conversa reservada com Levy, em Florianópolis, na manhã de sábado.

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Nenhum documento oficial escrito com reivindicações vai ser apresentado em Joinville. Então, é evidente que um diálogo cara-a-cara, em almoço com Levy, fará dos empresários presentes interlocutores privilegiados para demonstrarem suas inquietações mais profundas. Claro que eles, cada um em seus setores específicos, já têm a sua lista de interesses pronta e na ponta da língua. Algumas das demandas mais óbvias são conhecidas. A pauta informal contempla desoneração da folha de pagamentos; liberação de financiamentos; menor taxa de juros para empréstimos no Finame para aquisição de bens de capital; a rediscussão do Reintegra; e políticas de financiamento menos restritivas. A conversa será olho no olho. Com um certo tom de “ajude-nos, por favor”.

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Não faltam empresas importantes passando por problemas de mercado. Nem mesmo em Joinville. Nem mesmo líderes globais estão imunes à crise instalada. Há situações incômodas, como a de grupo historicamente enraizado, com unidade aqui, pedindo água, no vocabulário popular, para manter-se ativo no município e não ver sua produção transferida para outro país. A competitividade da indústria brasileira está seriamente em xeque. O diagnóstico é antigo. E muito bem descrito em livros, especialmente o mais recente de Paulo Rabelo de Castro.

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Levy vem também para compreender de perto que estamos em polo geoeconômico destacado da região Sul do País, onde germinam empreendimentos que desenvolvem nossa imagem vencedora. A região de Joinville será mais relevante ainda no cenário nacional nos próximos 30 anos. Os portos à nossa volta, e a expansão de atividades industriais de alto valor agregado, vão gerar PIBs crescentes, acima da média do Brasil. É para isso que o ministro deverá olhar, já, neste sábado.

Comentários (1)

  • Shirley Carvalho Alves Loos diz: 15 de maio de 2015

    Vem é chupinhar mais ainda nossa cidade. Estamos fartos de trabalhar como ninguém e pagar impostos como “nunca na história deste país…”

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