A Braskem aposta em crescimento do PIB brasileiro de apenas 2,5% neste ano. A empresa administra seus negócios a partir de princípios de informalidade, delegação de responsabilidades e cobrança por resultados, diz o presidente, Carlos Fadigas. A quinta maior empresa brasileira tem, em Santa Catarina, 10% dos seus negócios.
Perfil
Carlos Fadigas é presidente da Braskem desde 2010. Foi diretor presidente da Braskem América, responsável por finanças e relações com investidores. Criada em 2002, a Braskem era uma empresa regional até 2010, quando comprou a Sunoco Chemicals. Hoje é a quinta maior empresa do Brasil.
Informalidade
O formalismo atrasa os resultados. E muita hierarquia também não é bom. A hierarquia está mais nos objetivos do que nos cargos. Quando recrutamos gente madura para alguns postos, procuramos gente alinhada com este perfil. Na hora que delego responsabilidades, torno-me apoio desta pessoa para ela atingir a meta. A nossa rotatividade é de 2% ao ano. Se o jovem ficar dois anos na Braskem, dificilmente sai. Ninguém vai ganhar nada aqui por ter mais tempo de casa. Em compensação, não há o máximo a ganhar, não há teto. E isto é desafiador.
Descentralizar
Temos alguns conceitos essenciais nas relações de trabalho. A descentralização de decisões é uma delas. Esta característica reforça as relações de confiança entre líder e liderados. Há, entre eles, planejamento para a delegação acontecer positivamente. Os resultados são positivos para o desempenho dos negócios e o amadurecimento para estas conquistas se consolidarem.
Cultura corporativa
Nossa cultura corporativa é embasada no que se pratica no Grupo Odebrecht. E isto determina como a companhia é administrada e como as pessoas devem-se coordenar no dia a dia. Refiro-me à forma de como se conduz o que chamamos de tecnologia empresarial. O crescimento da Braskem está, em grande parte, ancorado neste modelo. E serve de modelo para as operações no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa.
Decisões
A tomada de decisões passa, necessariamente, pela confiança nas pessoas de crescer e se desenvolver. Isto é mais do que caráter. A confiança que queremos é aquela que as pessoas devem ter com motivação em busca de resultados de curto prazo, mirando no longo prazo.
Individual
Cada um deve saber suas responsabilidades. No processo de delegação, tem sempre só uma pessoa que é responsável por uma decisão específica, não importando o nível hierárquico dessa pessoa. Tudo se dá na relação líder-liderado. É a reunião de duas pessoas que define o que vai acontecer.
Contratação
A contratação de profissionais privilegia o pessoal em início de carreira. Isto evita contaminação de hábitos antigos. Queremos formar pessoas. Acreditamos que ninguém faz nada sozinho. Quem está responsável por um resultado tem o desafio de motivar os outros para esta finalidade. Na última seleção que fizemos para trainees e estagiários, tivemos 37 mil candidatos para 300 vagas.
Planejamento
Todos os 7.500 funcionários da Braskem recebem um documento, onde constam os planos de negócios e as metas principais. O documento é uma contratação de objetivos feitos individualmente, por cada empregado. Assim, se quer personalizar responsabilidades e comprometer cada um com o atingimento de resultados. Não trabalhamos com o modelo de comitês.
Bônus
Ao final do ano se confere o desempenho e se confronta com o que ficou acertado. Assim é determinado o bônus, dado em dinheiro, aos profissionais. 20% do valor do bônus é discricionário e fica a critério do líder arbitrar. Esta dinâmica acelera o processo de gestão e faz com que as pessoas operem numa linguagem única. Fazemos reuniões de acompanhamento e de comunicação interna. As promoções dependem dos resultados.
Indústrias
A indústria está sofrendo. As exportações são de commodities. E importamos produtos industrializados. Os incentivos à importação são um grande equívoco. Felizmente, isto foi alterado. A Braskem foi afetada neste semestre. A resina importada prejudica os fabricantes nacionais. E os portos são um caos.