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Verde e amarelo

01 de agosto de 2012 0

Que Deus era, a gente já sabia. A rainha é novidade.

Palavrinhas mágicas
Situação 1: a comida demorou, mas o garçom foi superatencioso.

Situação 2: a comida veio rápido, mas o garçom atendeu mal .

Não tenho mais dúvidas. Para quem chega de fora, o que faz a diferença em um evento como a Olimpíada são as pessoas. Não os atletas, mas os milhares de voluntários e profissionais que lidam com o público. São eles que dão o tom. É olhando pra eles que os visitantes elaboram seus vereditos. Gostei ou não gostei.

As duas hipóteses que abrem o texto, por exemplo. Na primeira, existe a chance de o freguês, apesar do contratempo, voltar ao restaurante. Dar uma segunda chance. Na outra, não.

Porto Alegre vai receber a Copa do Mundo em menos de dois anos. Clamamos por andaimes, cimento e asfalto. É importante. Muito importante. Mas a principal obra é outra. Somos hospitaleiros, mas só isso não basta. Precisamos sorrir mais, ter mais paciência com quem pergunta duas vezes, ceder o lugar para os mais velhos, não buzinar quando o carro da frente está perdido ou esperando para estacionar. Precisamos perder essa mania de cobrar mais de quem não entende a nossa língua, de alongar o caminho dos que não conhecem a cidade.

Se eu fosse gestor de uma Olimpíada ou de uma Copa do Mundo, pensaria menos em tijolos para investir nas pessoas. Treinar, treinar e treinar. Os prestadores de serviço devem ser tratados como atletas de alta performance.

Em Londres, os guardas não economizam expressões como "por favor", "obrigado" e "desculpe pelo inconveniente". E fazem tudo isso sorrindo. Ninguém se importa se a fila demora um pouco mais para andar. Os turistas ainda param pra bater fotos ao lado deles. E depois mostram pra todo mundo.

Em preto e branco

A rebeldia sobrevive em Londres: "Desculpe, mas o estilo de vida que você encomendou atualmente está em falta no estoque".

Redes sociais

Instagram, Twitter, Facebook. É a maratona atrás de um ângulo inédito.

Sinta-se em casa
Shakespeare Globe, em Londres. No palco, se desenrolava o divertido enredo de A Megera Domada. Na plateia, tocou um celular. No volume máximo.

O preço das coisas
Um ingresso para o Tate Modern, que tem uma das maiores e melhores coleções de arte do mundo, custa 0 libra.

Ver para crer
Em março, apenas 40% dos britânicos achavam que o gasto com a Olimpíada valeria a pena.
Depois da cerimônia de abertura, o índice pulou para 50%. Depois da primeira medalha de ouro da Grã-Bretanha, subirá ainda mais.

Online
Mais de 150 bibliotecas públicas foram fechadas no Reino Unido em 2011. Motivo: corte de custos do governo federal, combinado com o avanço dos meios digitais.

Síria
O homem forte de Assad El Bassar em Londres pediu para sair. O diplomata Khaled al-Ayoubi aproveitou que os olhos do mundo estão na cidade olímpica e se demitiu.

Infância
As placas variam de cor e tamanho. Mas carregam os mesmos dizeres: "Proibido jogos com bolas".
Com certa frequência, estão colocadas nos raros espaços verdes em frente aos prédios.
Está provado: eles inventaram o futebol. Para os outros se divertirem.
Generosos, esses ingleses.

Demodê

31 de julho de 2012 1

Ouvi atentamente as instruções: siga em frente uns 50 metros e, na primeira bifurcação, pegue a esquerda. Sim, a esquerda.

O túmulo de Karl Marx estava mesmo logo ali. Só o túmulo de Karl Marx. E eu. Mais ninguém, viva alma. Voltei ao portão de entrada e perguntei "como assim?". O vigia explicou: o movimento durante a Olimpíada havia despencado. Definitivamente, as massas estão interessadas em outras revoluções. Quem sabe uma lojinha de suvenires, com camisetas, botons e canecas? Má ideia.

Voltei ao túmulo. Li os dizeres gravados na pedra cinza: "Os filósofos apenas interpretaram o mundo de várias maneiras. O ponto, entretanto, é muda-lo". Olhei em volta. Tudo igual. Me propus a desbravar a vizinhança. Três metros abaixo, vislumbrei uma lixeira de arame entrelaçado. Nela, jazia uma laia vazia de Coca-Cola. Vermelha, desafiadora, arrogante, reluzente sob o sol londrino. Inventei, ali mesmo, uma guerra fria de araque. De um lado, uma tumba. Do outro, alumínio reciclável _ o capitalismo representado pelo seu néctar mais puro. Não seria a primeira batalha naquele campo sagrado. Em 1970, uma bomba quase destruiu o memorial. Teria sido colocada por vizinhos, revoltados com o barulho causado por aquele silencioso senhor barbudo.

O tempo foi passando. E como não havia mais ninguém, cheguei perto, bem perto. E olhei nos olhos de Marx _ parcialmente encobertos por um fino tecido de teias de aranha. Ainda bem. Existem coisas que o melhor é não ver. Eu carregava na mão direita o ticket de entrada no cemitério de Highgate. Quem quiser render homenagens ao pai do comunismo, precisa desembolsar três libras.

O PREÇO DAS COISAS
Um pacote com 10 peças de sushi vegetariano: 3,99 libras, ou R$ 12,70.

Aliados

Se não fosse por eles, elas não estariam ali.

Chuvas e trovoadas

O amor, nesse caso, é absoluta falta de opção.

Transferência
Os atletas fazem força, a torcida sente a preguiça.

De leve
Tudo muito sutil, como convém aos bons diplomatas. O assunto Arena do Grêmio/ Copa das Confederações apareceu em pelo menos uma das conversas entre o presidente da Fifa e as autoridades brasileiras em Londres.
As chances são mínimas, quase nulas. Mas tentar não custa.
O fato: Recife está atrasada. E muito.

O eterno herdeiro
Do Sunday Times:
Sugestão: Usar uma foto pequena do príncipe Charles, aplicar um balão de diálogo e escrever dentro:
– A ideia de levar a mamãe para saltar de um helicóptero a 3 mil metros de altura foi minha.

Cheers
Entrar com bebidas alcoólicas para assistir a um jogo de futebol é crime. O aviso está colado nos portões do Old Trafford, em Manchester, onde o Brasil jogou domingo.
Nos pubs e bares, do lado de fora, existe cerveja. Se você tentar sair para a rua com uma garrafa, será parado. E repreendido.
Foi assim, sendo implacável, radical, intransigente, que a Inglaterra conseguiu levar as mulheres e as criança de volta aos seus estádios.

Matando tempo
Metro de Londres, 14h30min de ontem. Num dos vagões centrais na linha norte, havia 29 passageiros.
11 olhavam pro nada
6 jogavam nos seus celulares
5 escutavam música com fones de ouvido
3 estavam com a mão no queixo.
1 teclava no seu notebook
1 abria e fechava os dedos na tela do ipad
1 dormia
1 se divertia fazendo estatísticas inúteis.

Let it free
Divulgado o cachê de Paul MacCartney para o show de abertura da Olimpíada: uma libra, ou
R$ 3,20. A generosidade se deve a dois fatores, não necessariamente com pesos iguais: o patriotismo e a público de 1 bilhão de pessoas em todo o planeta.
Sir Paul havia concordado em se apresentar de graça, mas era preciso assinar um contrato com Londres 2012.

Deu e tirou
O "fiasco dos ingressos" levou os organizadores dos jogos a tomar de volta milhares de bilhetes dos vips que não apareceram nos estádios e ginásios, deixando filas e mais filas de cadeiras vazias. Ninguém ficou corcunda.
Os tíquetes resgatados já foram colocados à venda.
Agora, não parece mais o Porto Alegre em Cena.

Sinta-se em casa
Highgate Hill, norte de Londres. O homem faz seu lanche fast food em um banco na calçada. O telefone toca. Ele atende, se levanta e caminha. Deixa o lixo ali mesmo.

Toma!
Quatro pistas. Sinalização perfeita. Asfalto lisinho. São 350km entre Londres e Manchester. Então, a pergunta ao motorista:
-  Não tem pedágio?.
- Tem sim - respondeu. - Na outra estrada, que é melhor do que essa.

Old Trafford em pé no hino do Brasil

30 de julho de 2012 1

O Old Trafford, estádio do Manchester United, em Manchester, noroeste da Inglaterra, ficou em pé durante a execução do Hino Brasileiro, nesse domingo, antes da partida contra Belarus. Em campo, a Seleção venceu por 3 a 1 e garantiu vaga à próxima fase.

O intangível

30 de julho de 2012 1

O guarda londrino e a gaúcha Denise Tamer desafiam a sobriedade com o chapéu alheio

Nós, gaúchos, fomos ensinados a valorizar o que é concreto. Nos tornamos especialistas em produzir o que se toca, se sente com os dedos. E somos bons nisso. Gostamos do bastante, desde que seja barato. Nossas leis (muitas de abrangência nacional, é verdade) refletem esse traço cultural com a precisão de uma linha reta —  sem graça. Investir em design? Contratar Calatrava para desenhar um ponte? Em alguma instância, haveria embargos, plenamente embasados na defesa intransigente do mais legítimo interesse público.

Até que um dia, de bota e bombacha, o gaúcho desembarca em Londres. Na primeira banda pela margem do Tâmisa, vê o esplendor dos prédios — novos e velhos. Mais adiante, entra na fila da roda-gigante realmente gigante e se surpreende com os uniformes cheios de estilo dos guardas (foto acima). Em Porto Alegre, terminaria em CPI. Homem público que desperdiça dinheiro com essas bobagens merece o mármore do inferno, no mínimo.

Fiquemos, então, com o nosso mobiliário urbano decadente e com nossas pontes e viadutos cheios de formas óbvias. Todos devidamente aprovados nas inspeções dos órgãos competentes. Quem quiser e puder, que pegue um avião e venha ver esse monte de frescuras na Europa. Dá pra fazer em 10 vezes, no cartão.

O preço das coisas

Um cartão Oyster, que dá direito ao uso ilimitado do transporte público de Londres por uma semana, custa 29,74 libras, ou R$ 95.

Sinta-se em casa

Sobraram lugares no Parque Aquático de Londres. Refletindo a indignação geral, o The Daily Telegraph estampou o título: " Onde estão os ingressos que estavam esgotados?". O próprio jornal responde: "Na mão dos patrocinadores e dos organizadores, que não foram ou não passaram adiante". Parece o Porto Alegre Em Cena.

Salto em distância

28 de julho de 2012 0

A delegação australiana deu um pulinho até Londres.

Sprint
Crise, que crise? A pergunta remete a um LP gravado pela banda inglesa Supertramp em 1975. Um clássico.

A Grã-Bretanha está em recessão pelo terceiro trimestre consecutivo. Crise, que crise? Lojas cheias, carros de luxo pelas ruas, mulheres elegantes e homens de gravata. Está tudo aqui.
Quando a economia da Europa começou a engasgar, as autoridades brasileiras tiraram da cartola o discurso triunfalista: "Estamos imunes", "Queremos ajudar". Aos mais eufóricos, uma má notícia: os subúrbios pobres de Londres ainda são infinitamente mais dignos do que nossas favelas, salpicadas de antenas parabólicas e turbinadas pelo Bolsa Família.

Fizemos festa no dia em que nosso PIB ultrapassou o do Reino Unido, que tem 51 milhões de habitantes. No Brasil, somos 192 milhões. É só dividir a riqueza total de cada um pelo número de indivíduos para descobrir quem é rico de verdade.

Estamos melhorando. Mas corremos um risco: pensar que disputamos uma corrida de 100m quando, na verdade, precisamos de fôlego para uma maratona.

Fila londrina

Pode esperar.
A tua hora
vai chegar.

Mais câmeras, menos ação
O Reino Unido reduziu o seu efetivo de segurança. O corte foi de 10 mil policiais nos últimos dois anos.
Agora, o contingente é de 134 mil homens.

Gato escaldado
Mesmo nos dias de sol, são comuns as bicicletas estacionadas com seus bancos recobertos por plástico. Nas quatro estações, a chuva pode chegar rápido. E sem avisar.

O preço das coisas

Um mascote olímpico de pelúcia _ o Wenlock ou o Mandeville _, com cerca de 20cm de altura: 12 libras, ou R$ 38,40.

Trotando
Cena comum: corredores de rua em Londres praticando esportes com mochilinhas nas costas. Nelas vão, em geral, os documentos, água e uma camiseta seca para depois.

Best friend
Não há cachorros soltos nas ruas de Londres. Nem seus dejetos. Até agora, nenhum foi avistado. Zero.
Estranhos, esses ingleses.

SINTA-SE EM CASA
Caiu a internet no hotel onde a equipe da RBS está hospedada. Foi rápido, mas caiu.

No aro
Culpa do nervosismo, com certeza.
Apresentadora oficial da cerimônia de lançamento de uma campanha publicitária do Brasil em Londres, a ex-jogadora Hortência ligou o microfone e arremessou:
- Informamos que haverá transmissão simultânea e que vocês podem retirar seus microfones, entenderam?.
E lá do fundo, um gaiato respondeu, baixinho:
- Sim, a gente entendeu que haverá tradução simultânea e que a gente pode pegar nossos fones.
Quanta maldade!

Novos ares
Lembra do Oscar, que jogava no Inter? Aqui ele virou Óscãr.

Ops!
Sobrou bastante lugar na plateia durante a cerimônia de lançamento da campanha publicitária do Brasil em Londres. A presidente Dilma Rousseff talvez nem tenha notado.

Pódio tudo

28 de julho de 2012 1

Um sorriso vale bronze, prata e ouro.

A origem das espécies
Eles não são do contra. Eles são, orgulhosamente, diferentes. A moeda não é o euro, é a libra. A direção do carro não é na esquerda, é na direita. Eles não têm constituição, são regidos pelos costumes. São cristãos, mas, na sua maioria, não obedecem ao papa. Adoram críquete. Veneram o chá. Numa parte do reino, os homens usam saias. Inventaram o futebol e tinham um primeiro-ministro que ganhou a guerra, mas perdeu a eleição logo depois.

No centro, uma porção de terra cercada de água por todos os lados. A Inglaterra está numa ilha. Para entendê-la, é preciso viajar. Assim fez o britânico Charles Darwin no século 19. Com esforço e grandes riscos, desembarcou numa arquipélago chamado Galápagos. Lá, viu espécies confinadas a um território restrito. Que foram sendo moldadas por ele. Evolução. E surgiram formas de vida fascinantes: iguanas marinhas e os Beatles, por exemplo.

SINTA-SE EM CASA
Seis da tarde na Euston Street. Trânsito engarrafado. Um ônibus vermelho, daqueles com dois andares, avança e cola no carro da frente. Está exatamente sobre a faixa dos pedestres. O sinal fecha. Ele segue ali. Quem quiser passar, que desvie.

O PREÇO DAS COISAS
Um exemplar do jornal The Guardian numa banca de rua: 1,2 libra, ou R$ 3,80.

Com a bola toda
Noticiário das 18h na BBC. Duas personalidades mereceram closes na reportagem que mostrava o encontro de chefes de governo coma rainha Elizabeth.
1) Michelle Obama
2) Dilma Rousseff

Galinho de Quintino
Apenas os cinegrafistas e os fotógrafos estariam autorizados a registrar a chegada da presidente Dilma Rousseff a Downing Street, endereço oficial do primeiro-ministro britânico. Na hora H, toda a imprensa passou. No controle de Raio X, o segurança olhava a fila e gritava, animado:
- Zico! Zico!

Jeitinho
Falando em Dilma: dois repórteres brasileiros não se conformaram quando descobriram que a presidente iria a uma apresentação de Plácido Domingo em Londres sem que a imprensa pudesse chegar perto. Na mesma hora, compraram ingressos para o espetáculo. A boa notícia: suas cadeiras ao quase ao lado da presidente. A má: ao avistá-los, Dilma pronunciou uma única palavra:
- Não.

Ziriguidum
Era pura descontração.
Durante a apresentação de um grupo musical para a comitiva brasileira, a presidente Dilma Rousseff e seus ministros ouviam tudo com reverência. Sentado com o grupo no palco, o presidente da Câmara, Marco Maia, acompanhava o ritmo batucando suavemente com as mãos.
E cantando junto, baixinho.

Antecessores
Eu sou você, ontem.

Benchmarking
Até agora, o colunista não ouviu qualquer policial se dirigir aos turistas sem usar, sempre, as seguintes duas palavras: "por favor" e "obrigado".

Little blues
O trânsito parou ontem em Londres. Em muitas avenidas, passageiros desembarcavam de táxis e ônibus para terminar os percursos caminhando.
Cadê os azuizinhos pra gente botar a culpa?

Nas alturas

A nova modalidade olímpica londrina: levantamento da guriazinha.

No Instagram

27 de julho de 2012 1

Doçura máxima no estúdio da RBS em Londres.

Dress code
A campanha de divulgação do Brasil no Exterior, lançada em Londres, abandonou de vez o mais antigo dos artifícios: no vídeo de dois minutos, não há qualquer imagem ou apelo que possa estimular o turismo sexual.

Nada a declarar
A presente Dilma Rousseff passou o dia em reuniões. Entrou, saiu. Abanou. E não falou com a imprensa. Prometeu uma entrevista coletiva para hoje.

Na mosca
Ruivo e cheio de sardas, o sorridente londrino se aproxima. Quer saber o porquê de tanta aglomeração na calçada.
- Estamos esperando a presidente do Brasil - informa o repórter.
- Se é brasileira, com certeza está atrasada - emenda o sujeito, às gargalhadas.
Espertos, esses ingleses.

Bafão

27 de julho de 2012 1

No quesito conforto térmico, Londres é uma espécie de Porto Alegre às avessas. A cada inverno, a capital gaúcha se surpreende com o frio. E não tem estrutura para ele. Na cidade Olímpica, a onda de calor revela o absoluto despreparo para o calor. Os táxis e os locais públicos não sabem sequer usar o ar-condicionado para refrescar o ambiente.

Questão de estilo
Em Pequim, os cinco mascotes carregavam uma mensagem ideológica: o esforço coletivo é o caminho do sucesso. Em Londres, os bichinhos deram lugar a uma estética mais clássica, quase retrô: os anéis olímpicos e as bandeiras dos países predominam na paisagem da cidade.

Hi tech
É de graça, mas não é injeção. Os 9 milhões de britânicos entre 2 a 17 anos que serão vacinados contra gripe receberão a imunização através de um spray nasal.

O alívio do Rio

27 de julho de 2012 23

Ninguém torce contra. Ninguém seca. Mas alguns tropeços londrinos não passaram despercebidos. Troca de bandeiras das Coreias, enormes engarrafamentos, demoras em estações de trens.  Se tudo isso acontece num país que até rainha tem, nós também estamos liberados para errar.

Publicamente, a presidente Dilma Rousseff repete o discurso: "Londres será a melhor Olimpíada de todos os tempos". Talvez seja. E talvez a forma como os britânicos lidam com seus erros possa nos inspirar, nós que olhamos sempre com uma ponta de inveja para a velha Europa.

Os jornais, as rádios, os sites: ninguém mascara os contratempos. A diferença é que eles não alimentam complexos de inferioridade, nem determinismos históricos, nem teorias sobre um supostamente incurável subdesenvolvimento.

Não. As trapalhadas do Primeiro Mundo não são mais charmosas que as nossas. Embora a gente ache que sim.

SINTA-SE EM CASA
Euston Road, começo da noite. Um barulhento grupo de jovens quer atravessar. A faixa de segurança fica longe. Não há carros passando. E a pressa é muita. São daqui: olharam para o lado certo antes de cruzar a rua.

O PREÇO DAS COISAS
Um pacote com quatro pilhas AA custa 4 libras, ou R$ 12,8.

Offbeat

26 de julho de 2012 4

No lado B de Londres, a vida segue seu ritmo quase normal.

Madonna? Beckham?
A aglomeração de jornalistas em frente ao luxuoso Hotel Ritz chamou a atenção de quem passava por ali ontem pela manhã.  Vestido floreado e passos lentos, uma londrina da melhor idade se aproximou lentamente. " Quem está chegando?", perguntou, em inglês. " A presidente do Brasil", respondeu um dos repórteres, cheio de orgulho. "Definitivamente, não me interessa", respondeu. E foi embora.

What?
Em Trafalgar Square, vasos com flores pendem dos postes de luz. E ninguém arranca. E ninguém quebra.
Estranhos, esses ingleses.

Divine
Aliás, o Hotel Ritz, que recebe Dilma Rousseff, é o mesmo onde Julia Roberts filmou o clássico Um Lugar Chamado Notting Hill.

O preço das coisas
Um tubo médio de pasta de dente Colgate _ 1,99 pound, ou R$ 4,3.

Sinta-se em casa
Mortimer Street, hora do rush. Um motorista entra com seu táxi na contramão para pegar um passageiro. Um colega para ao lado e avisa: "Aqui é mão única".  O infrator faz aquela cara de quem não sabia e segue em frente. Sem perder a fleuma.