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E agora?

11 de fevereiro de 2011 0

A ficha tá caindo. Aos poucos vou percebendo que o dia de apagar a luz e fechar a porta dessa fase está cada vez mais perto. E isso assusta. Muito.

Não tem muito o que explicar, não sei ao certo se é confusão ou divisão mental o mal que toma conta de mim neste período de 'desapego'.

Preciso praticar o desapego de muitas coisas. Dar um simples adeus pras coisas que mais marcaram a minha vida em Londres. Assim, tchau, até algum dia. E nunca pensei que seria uma das coisas mais difíceis de se fazer.

Quando saí de Porto Alegre sabia que um dia ia voltar, então a minha despedida foi mais para 'até logo' do que qualquer outra coisa. Mas dessa vez, saindo de Londres, não sei o quão logo eu volto.

Desde o dia em que pisei nesta terra comecei a construir um mundo meu, só meu. Depois de três anos, muito tombo e muito esforço para levantar a cabeça e seguir em frente, chegou o momento de congelar tudo isso. Empacotar bem direitinho para não mofar e deixar num canto do coração, bem quietinho.

Desculpa dizer isso, Home Office, mas o senhor é o responsável por uma banda não estar dando certo neste mundo. Se não tivesse a burocracia de visto e dinheiro que vai como água para a renovação, eu poderia dar mais uma chance para a sorte e lutar para ela chegar em algum show ou estúdio de gravação. Mas não, ao invés disso, vou amassar o sonho de viver de música e jogar no lixo. A pressa é inimiga da perfeição, e com tempo limitado ninguém consegue fazer muita coisa em certas situações.

Este post está mais para desabafo do que qualquer outra coisa. Mas tenho certeza que muita gente já se sentiu assim e vai entender.

Voltando para casa

04 de fevereiro de 2011 0

Post escrito no celular, na sala de embarque do Aeroporto Galeão, Rio de Janeiro.

Um dia você resolve morar no exterior, ter uma vida toda diferente daquela que você estava acostumado. Nove meses não é o suficiente, então você decide que ainda não é hora de voltar para casa. E renova o visto.

Um ano se passa e você ainda não está satisfeita, então lá vai a renovação mais uma vez para o Home Office dar uma carimbada básica. Nesta função toda você acaba se dando conta que passou dois anos longe de tudo e todos. Da familia, dos amigos, da profissão, do sol, do cheirinho do litoral brasileiro, do chimarrão no calçadão de Ipanema, dos churrascos com os amigos. E decide fazer uma visita de férias para matar a saudade.

É exatamente aí, neste ponto, que a ficha cai. Quando você vê as pessoas q você mais ama no mundo te esperando com uma ansiedade sem tamanho, quando o nervosismo bate só de pensar em que reação ter quando sair do portão de desembarque e ver toda aquela gente de novo.

Cada sorriso e abraco que ganha faz você se dar conta de que isso tudo é insuportavelmente necessário para o seu bem estar. Afinal, tem coisa melhor do que estar rodeado de família e amigos?

Sentir toda aquela energia e aquele amor transbordando dentro de você é uma sensação impossível de explicar. E a coisa toda só aumenta quando a hora de voltar a realidade chega, o desespero bate e você pensa: e agora?

Aí você pára pra pensar e volta na questão que aqui já foi citada uma vez: quanto vale esse esforço todo de estar longe de tudo isso?

Para mim, estes três anos foram os melhores e mais aproveitados da minha vida até agora. E eu sempre disse que todo mundo deveria experimentar o gostinho de morar fora para crescer sozinho, cair uns tombos e aprender a se virar.

Mas eu digo mais: depois de todo o sonho, voltar pra casa simplesmente não tem preço. Nem visto que pague.

A guerra no Rio

28 de novembro de 2010 1

Tomei chá de sumiço neste blog, eu sei. E peço desculpas.
Essa vida Londrina não é fácil, ainda mais quando está cada dia mais frio e tudo o que você quer é ficar embaixo das cobertas assistindo filmes.

Nos últimos dias venho ensaiando para escrever aqui mas nunca conseguia decidir o assunto a ser discutido. Foi então que vi notícias no site da BBC de Londres falando da "Guerra no Rio". E foi aí, também, que percebi que o seu Murphy e sua lei me amam e não me largam por nada neste mundo. Depois de quase dois anos, estou indo para o Brasil de férias. Passar deliciosas sete semanas acompanhada da família e amigos, tudo que eu sempre quis. E claro, não vejo a hora de ver o verdadeiro sol batendo nas minhas costas.

E o papel de Murphy nisso tudo é que vou primeiro para o Rio, apresentar a cidade maravilhosa ao bofe inglês que não conhece nada e já está achando que vai presenciar cenas do Tropa de Elite III por lá. O que dizer numa hora dessas?

O que eu disse foi: "Pois é, tá acontecendo tudo isso lá no Rio. Mas não se preocupa, eles já estão resolvendo tudo. Quando a gente chegar lá vai estar mais tranquilo".

Será? Pelo que entendi, a coisa toda está acontecendo na Zona Norte e quem está na Zona Sul não vê nada nas ruas, e assim eu espero que seja. Tomara que tudo se resolva, pelo que vi a Polícia está fazendo um ótimo trabalho para acabar de vez com toda essa baboseira. Vamos torcer para que funcione.

Já estou paranóica o suficiente quando pego o metrô aqui, achando que até senhoras de bengala vão detonar algum explosivo ou sabe-se lá o que. Eu sei que é exagero da minha parte, mas a mídia está avisando que a população tem que ser extra cuidadosa, pois um ataque terrorista pode acontecer a qualquer momento. E é sempre melhor prevenir do que remediar, não é mesmo?

Às vezes me pergunto o que seria melhor: ter medo de ataque terrorista ou de ser assaltada no Brasil? Pelo menos na segunda opcão você tem a chance de sair vivo.

Bonfire Night

05 de novembro de 2010 2

Hoje é dia de comemorar uma tentativa frustrada de explodir o parlamento britânico. É o chamado Bonfire Night ou, em português, Conspiração da Pólvora. Todo dia cinco de novembro os ingleses acendem fogueiras, queimam bonecos e soltam fogos de artifício para celebrar a captura de um soldado católico chamado Guy Fawkes, que acabou sendo interrogado e torturado após a Conspiração ser desarmada.

Resumindo um pouco a história: em 1605, um grupo de católicos tentou explodir as casas do Parlamento em Londres. O alvo principal era o Rei Jaime I, que decepcionou os católicos da época quando não fez nada para mudar as leis impostas pela Rainha Elizabeth I contra esta religião.

O grupo conseguiu acesso aos porões do parlamento britânico e lá deixaram preparados barris de pólvora para explodir no dia cinco de novembro. Guy Fawkes era o responsável por guardar estes barris. O plano acabou sendo descoberto e soldados prenderam, interrogaram e torturaram Fawkes e outros membros do grupo.

Para celebrar sua sobrevivência, o Rei Jaime I ordenou que uma grande fogueira fosse acesa naquela noite. O evento é comemorado até hoje e todo mundo se reune para queimar bonecos que representam Guy Fawkes e assistir aos fogos de artifício que enfeitam os céus da Inglaterra.

Agora a ironia do post: os bombeiros londrinos resolveram fazer greve exatamente neste dia para protestar contra a redução de horas de trabalho.

Piada a Portuguesa

23 de outubro de 2010 0

Perdoem meu post sem acentos hoje. O teclado do computador que estou usando nao fala portugues. Portugues! Eh exatamente sobre isso que queria falar por aqui.

Depois de muito tempo sem saber o que eram ferias decentes, fui para Portugal passar uma otima semana e conhecer o sul do pais. O Algarve eh lindo, cada cidade tem seu charme especial e todas elas tem um detalhe que faz lembrar muito o Brasil. Tive a impressao de estar visitando a Bahia, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Tudo junto, mas na Europa.

Ja nem lembrava mais como era ter dias de sol e calor a sua disposicao, sem que uma chuvinha caia para dar o ar ingles na historia toda. Ah, e eh claro que eu tambem tenho uma historia de portugues para contar. Preferia que fosse piada, mas realmente aconteceu:

Visitando Portimao, percebemos que a cidade nao tem muitas distracoes para turistas, entao soh caminhamos pelas ruas procurando alguma coisa diferente para guardar na memoria. A alegria do dia foi achar uma confeitaria para comprar algumas delicias que nao existem em Londres. Meu desejo era uma empada de frango, entao perguntei a simpatica mocinha:

- Tem alguma coisa de frango?

Ao que ela me responde, ja se desculpando:

- Nao, este aqui eh leitao e este, camarao.

Como boa virginiana indecisa, fiquei analisando o balcao para tentar escolher o que comer quando, insistente, perguntei:

- Voces nao tem empada?

E entao veio a bomba:

- Temos sim, esta empada eh de galinha.

Paul McCartney vem aí!

09 de outubro de 2010 6

Estava acompanhando a saga do pessoal para comprar ingressos para o show do mestre Paul McCartney em Porto Alegre. Me fez pensar bastante. Com certeza eu seria uma das pessoas de plantão na fila desde cedo, mas tive a sorte de, além de ver o ex-Beatle duas vezes na Inglaterra, conseguir ingresso como se fosse para ir no cinema. Uma coisa bem normal (para eles, é claro). E sem dúvida alguma veria ele mais umas duzentas vezes se pudesse.

É impressionante a diferença de ver um show em um país diferente. Lembro que o primeiro que vi quando cheguei em Londres foi o do Macca. Embarquei para uma aventura em Liverpool com menos de dois meses de experiência nas terras da Rainha. E foi um dos melhores dias da minha vida, mas isso vocês podem ler aqui.

O fato é que eu estava preparada para ser esmagada, chegar cedo, dormir na fila, acampar, fazer chantagem, o que fosse preciso para conseguir um lugar legal. Mas, para nossa surpresa, chegamos no estádio quase na hora dos shows de abertura começarem e fomos caminhando em direção ao palco. E caminhando, e caminhando, até que estávamos quase na frente! Ninguém dá bola se está perto ou não, o pessoal aqui só quer saber de beber cerveja enquanto curte uma música bem tocada por um rockstar que está no palco. Só isso. Talvez eu esteja errada, talvez nem todos os ingleses são assim, mas esta foi a minha primeira impressão e é a que ficou.

Deixo registrado aqui o meu desejo de boa sorte para todos os fãs que vão finalmente realizar o sonho de ver Paul McCartney ao vivo. O show é inexplicável, nem que eu tentasse conseguiria descrever todos os arrepios que vem lá de dentro cada vez que ele começa uma música. Todas, simplesmente todas as músicas do setlist são de cair o queixo. A banda é demais, os músicos são ótimos e nem preciso falar do nosso querido ídolo.

Preparem a câmera, a voz e o coração. O melhor show da vida está prestes a ficar marcado na sua memória! :)

Paul McCartney tocando no Hyde Park, em Londres

Esclarecendo a imigração

23 de setembro de 2010 1

A pedidos vou falar um pouco sobre como funciona o serviço de imigração aqui em Londres.

Não há nada a temer no balcão do aeroporto. Só torcer. Torcer para que o oficial que vai te atender esteja com o humor nas alturas, que ele tenha tomado um ótimo e reforçado café da manhã, que esteja morrendo de vontade de trabalhar e que não tenha nenhuma pedra no sapato.

É importante ressaltar que escrevo tudo isso com base nas minhas experiências. Aquele maldito balcão sempre me faz suar frio por mais que eu saiba que não tenho nada a temer. E, como toda boa vítima da Lei de Murphy, eu caio sempre nos piores oficiais.

Agora tirando um pouco do exagero, a coisa toda funciona mais ou menos assim:

- Chegue sorridente e parecendo saudável para o infeliz que vai te carimbar o passaporte. Isso já é 50% do trabalho feito para evitar que eles impliquem com alguma coisa;

- Você vai ser questionado, é claro. Vale lembrar que o pessoal da imigração é treinado para pegar os safados que vão já querendo fazer coisa errada, então não estranhem se eles te fizerem a mesma pergunta de diferentes maneiras;

- Tenha todos os documentos necessários em mãos para evitar perda de tempo (quanto mais rápido, melhor para você!);

- Responda somente o que lhe for perguntado, nada de mais ou menos. Sim e não, para ser mais básico. Se quiserem saber mais coisa, acredite, eles vão perguntar;

- Não minta, eles tem um detector de mentiras natural;

- Mantenha a calma se, como aconteceu comigo, você escutar algo como "você veio estudar inglês aqui, é? Seu inglês parece perfeito, não precisa de curso nenhum". Sorrir e se fazer de tonto é a melhor saída, sempre.

O principal que você precisa saber é que não tem motivos para nervosismo se está tudo certinho, com documentos em dia e o visto na mão. Eles vão fazer a parte deles e você deve fazer a sua.

Só para constar, se quiserem ler mais a respeito das minhas experiências com imigração e essa coisa toda que é Londres, dêem uma lida nestes posts:

Curiosidades de Londres

Vou pra Londres. E agora?

Desabafo

Should I stay or should I go?

O visto mal visto

A realidade faz falta

15 de setembro de 2010 3

O final de semana passado foi de puro glamour. Me senti quase da Família Real. Tá, mentira, mas era para ressaltar o quanto foi chique ir a uma festa cruzeiro pelo Rio Tâmisa com tudo pago e estar hospedada em um hotel onde o quarto tinha monitores de TV da Apple e o chuveiro não era um mero chuveiro, era água caindo direto do teto do banheiro.

Mas eu não estou escrevendo este post pra contar que alegria de pobre dura pouco. E sim para ressaltar aqui o quão estranho é ser a única estrangeira em meio a tanta gente. O motivo para toda essa coisa chique era um final de semana pago pela Shell, onde meu namorado trabalha. Adorei a idéia, pois de graça, até injeção na testa, não é?

Passei praticamente o final de semana inteiro analisando cada casal, observando seus costumes e os assuntos conversados entre amigos. No final, estava me sentindo até um pouco peixe fora d'água, pois toda vez que alguém vinha conversar eu tinha que explicar que eu tinha um visto de estudante, que não era inglesa, que estava aqui para aprender inglês e por aí segue todo o blablablá de sempre.

É muito estranho estar ali, no meio de tudo, e ao mesmo tempo se sentir somente uma observadora da situação, sem participar muito. Sabia exatamente tudo o que eles estavam falando. Pensei que também vivia isso na minha casa, com a minha família, meus amigos, meu país. Casais que deixaram os filhos com a babá para estar ali, casais que contam de viagens para os amigos, pessoas que falam a mesma língua. Ali, todos juntos, confraternizando. E eu.

Em nenhum momento achei ruim, mas sim estranho. Fiquei pensando em como seria se fosse ao contrário, se um deles estivesse participando de um super evento em meio a tantos brasileiros. Todos felizes, satisfeitos com as conquistas, jogando conversa fora com os amigos e sabendo que no fim todos voltam para o quentinho de casa com a família. E um deles, ali, tentando entender tudo o que se passava e fazendo força para não fazer confusão com tantos sotaques diferentes.

Não posso reclamar de nada que conquistei por aqui, até por que foi tudo escolha minha. Tijolo e cimento criados por mim ajudaram na batalha de conseguir muita coisa que nem pensava em ter nestas terras. O único porém é que de vez em quando a gente se dá conta de que a realidade faz falta.

O visto mal visto

06 de setembro de 2010 0

Depois de finalmente ter o meu passaporte de volta, resolvi viajar e passar o final de semana em Amsterdam. Foi tudo lindo, barato e ótimo. Mas o que me estragou o dia foi ter de reviver o drama do balcão da imigração na chegada no Reino Unido. E eu tenho certeza que isso acontece com muita gente que tem um visto.

Eu não consigo entender por que os oficiais são treinados para te dar tanto medo. Mesmo sabendo que está tudo certo, só de olhar para aquela gente me sobe um nervoso sem tamanho. E eles tem o faro para gente nervosa.

Para começar, te tratam como se fosse uma atração em um zoológico no momento em que você apresenta o passaporte azulzinho. Depois disso, você passa por uma série de perguntas (normalmente as mesmas feitas de maneiras diferentes para tentar pegar quem está fazendo coisa que não deve) e te fazem sentir como se realmente tivesse algo errado em viajar pela Europa em um simples final de semana.

O que eu acho mais revoltante é o fato de que te dão o visto, a permissão de morar no país por um tempo determinado, e mesmo assim você é tratado como se estivesse ilegal. Eu não tinha bomba na mala, não estava tentando me disfarçar, não tirei sarro de ninguém na fila, não respondi as perguntas de uma forma estúpida, minha cara está limpíssima (até demais) na foto do visto e ainda assim escuto um comentário do tipo: 'você está aqui estudando? Nossa, tem um monte de viagens neste passaporte hein!'. Ao invés de dar a resposta merecida a este tipo de pergunta, resolvi sorrir e me fazer de tonta.

E é isso que a gente acaba fazendo. Se fazendo de tonto na imigração pra não ter complicações. Mas a pergunta que não quer calar é: por que diabos o mesmo órgão que te dá a permissão para morar no país faz questão de não te fazer sentir bem vindo toda vez que se viaja?

Eu sou apaixonada por cada centímetro de Londres, mas essa burocracia não dá.

O carisma brasileiro

01 de setembro de 2010 0

Que brasileiro tem carisma, todo mundo já sabe. Mas eu só fui perceber o quanto isso é importante em uma pessoa depois de morar fora. É impressionante como a gente se acostuma com o jeito das pessoas daqui. Não só ingleses, mas europeus. Talvez os que chegam mais perto dos brasileiros em relação a isso são os italianos. Mesmo assim, igual a nós, não tem.

Este pequeno e importante detalhe me foi ressaltado quando, na primeira semana em que estava indo de ônibus para o trabalho, me perdi (o que nunca foi novidade para mim) e no segundo ônibus que peguei, acabei encontrando a moça que, também brasileira, trabalha na portaria do prédio onde fica a empresa.

No caminho para o trabalho, ela já me contou que estava grávida, onde morava, que era casada com um polonês e seus planos para o futuro. Eu, acostumada com o jeito, digamos, frio, dos ingleses, estava até achando tudo um pouco estranho. Mas percebi que estava tudo bem quando saímos do ônibus, começou a chover e ela, sem pensar duas vezes, abriu a sombrinha e me pegou pelo braço para dividirmos aquele pequeno espaço e ninguém chegar ensopado no trabalho.

A conclusão que cheguei é que brasileiros quando se encontram no exterior se sentem um pouco mais em casa. Não tem muita cerimônia, é mais um clima de "estamos todos no mesmo barco, vamos ao abraço coletivo!".

É até meio chocante para quem não conhece este costume. Sempre me pego dando dois beijinhos e abraço quando sou apresentada para alguém. E logo percebo o desconforto da pessoa, que só esperava um mero aperto de mão. Aí tenho que me explicar dizendo que sou brasileira e é assim que a gente faz e ponto.

Quando morei em um apartamento de três quartos com mais sete meninas, lembro que éramos em sete brasileiras e uma sueca. Hoje ela já se considera uma de nós, mas no início ela fazia comentários que ficaram guardados na minha memória com um certo orgulho. Dizia que adorava o fato de que sempre que uma chegava em casa, cumprimentava as outras com beijo e abraço, mesmo tendo se visto na noite anterior. E que nunca tinha visto tanto afeto acumulado em um só lugar.