Encontramos Raquel na manhã de Lisboa, junto a Confeitaria Nacional, onde tomamos um bom café. Eu não me furtei a comer os saborosos bolinhos de bacalhau da confeitaria. Já gravando acompanhamos Raquel pelas ruas do centro. Ela nos ofereceu suas primeiras palavras de sua vida neste país, que, apesar de nos paracer tão próximo, é bastante particular e cheio de curiosas e envolventes características únicas. Aqueles que dispensam Portugal do seu roteiro de viagem só porque lá falamos a mesma lingual (sera mesmo que falamos?) e porque são nossos colonizadores, estão perdendo uma grande experiência. Lisboa é uma bela cidade, com suas ladeiras tortuosas e íngremes, sua noite melancólica banhada pela luz amarelada dos postes e embalada pelo cântico do fado. Outro atrativo é a ótima gastronomia, que vai muito além do bacalhau. A prática de confeitaria é ótima, os pães e os vinhos também. A carne de caça, os preparos com ervas e sabores do forno fazem um belo sincretismo entre tantas influências que os portugueses absorveram, como as culinárias dos países colonizados, a culinária árabe, o requinte frances e alegria espanhola.
Raquel nos levou para sua primeira atividade do dia: uma sessão de fotos, com
Vania, uma fotógrafa búlgara que, junto com seu marido português (também fotógrafo), vive entre o estúdio de Lisboa e Paris, fazendo seus trabalhos. A sessão de fotos começou no estúdio, como uma espécie de aquecimento, e logo continuou no prédio ao lado – uma pequena mini-metalúrgica, onde equipamentos de ferro e muita graxa foram um ótimo cenário para a expressiva Raquel. A sessão foi longa e fizemos várias imagens e também alguns depoimentos de Raquel sobre suas atividades, seu dia-a-dia e sobre a própria sessão. Vania também colaborou e nos contou porque escolheu Raquel para aquele ensaio fotográfico.
Fizemos uma parada para um almoço num dos restaurantes preferidos de Vania, que não nos deixou abrir a carteira.
De volta aos flashes, Vania pediu a Gabi para incluí-la em algumas fotos. A princípio recusado o convite. Mas Vania, com seu jeito carinhoso e sutil acabou convencendo Gabi a dar o ar da graça com uma pesada maquiagem sobre os olhos e uma peruca negra e reta que nos lembrou uma figura egípcia que vimos no Cairo dias antes!
À noite fomos num jantar em um restaurante próximo ao Chapitô. A mesa cheia de atores e acrobatas. Foi muito divertido estar no meio desse povo das artes, que não mede sorrisos e não nega uma noitada das boas! Depois do jantar fomos navegando nossos corpos pelas ruas lisboetas e gravando a trupe de Raquel; todos a plantar bananeiras pelas ruelas e até mesmo na faixa de segurança! Nos deixaram no hotel em meio a cantarias e seguiram para o resto da boemia. Com a escuridão da madrugada e nossos corpos ainda meio cansados da viagem, decidimos ancorar no hotel para despertar cedo e fazer imagens. Um dia longo e estimulante vinha pela frente!