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Uma lição da África do Sul

11 de julho de 2010 1

Felizmente, o quadro caótico e paranoico pintado por todos, no setor da segurança pública, antes do Mundial da África do Sul acabou, na prática, não se confirmando durante a competição. A ideia inicial passada no período pré-Copa é de que havia risco de assaltos em qualquer esquina. Claro que tivemos conhecimento de alguns episódios de roubos a jornalistas em hotéis e até mesmo de casos com delegações, mas nada que tenha manchado a imagem dos sul-africanos. Foram ocorrências que, por exemplo, poderiam ser registradas também no Brasil ou em qualquer outro país em desenvolvimento.

Nas áreas de maior circulação dos envolvidos com a Copa - atletas, torcedores e jornalistas -, foi possível verificar que havia policiamento suficiente, dando uma clara sensação de segurança. A África do Sul investiu bastante para dar tranquilidade aos seus visitantes. Dados do governo sul-africano dão conta da presença de aproximadamente 40 mil policiais extras que atuaram nas cidades-sede, cuidando das seleções e das instalações. Uma comitiva da Brigada Militar fez um intercâmbio em solo sul-africano para captar informações tendo em vista à organização da Copa de 2014. Certamente o que foi visto será aplicado na segurança do Mundial no Brasil.

Nos estádios, mesmo com a presença de grandes públicos, não foram registrados quaisquer tipos de problemas com torcedores ou casos de violência ou brigas. Mesmo com a venda de cerveja nos locais de jogos. Na chegada, os torcedores eram submetidos a detectores de metais, e bolsas passavam por máquinas de Raio X para verificar a presença de algo indevido. Os torcedores só tinham acesso à área dos estádios com ingressos na mão, evitando-se assim a circulação de pessoas que estivessem interessadas em praticar algum ato ilícito.

Com base no que foi visto, a África do Sul conseguiu fazer uma Copa do Mundo segura, apesar de todo o ceticismo que envolveu a capacidade de organização dos sul-africanos.

Epitáfio

06 de julho de 2010 3

A caminhada termina aqui. Foram 30 dias intensos, inesquecíveis. Além de todos que estiveram na África do Sul, o trabalho só é do jeito que o público merece, porque há um batalhão de abnegados, que abraça a sua causa e traduz em resultados.

Muito obrigado a turma do clichês que postou o meu bloco. Agradeço o Boró pela experiência e orientações na coluna de ZH. Foi uma realização e deixou o desejo de continuar. Já a turma da rádio Gaúcha, produção, reportagem e técnica foi espetacular na realização do No Mundo da Copa separado pelo Atlântico. Cito alguns... Marcus Wesendonk, Davis, Rogério, Vergara, Paulinho. Celestino, Jean Pierre, Otavio e Zé Carlos... A produção da cental de copa comandada pelo Cechin com toda turma: Andrezinho, Gabriel, Cléber, Franklin, Tomás, Guazzelli, Serra, Leo, Gamba, Diori, Peixoto... E mais os outros parceiros de outras andanças, onde destaco os amigos de Santa Catarina, Cacau Menezes e Roberto Alves.

Valeu mesmo!!!

Deu pra ti, Brasil

03 de julho de 2010 1

O Brasil nadou, nadou, nadou e morreu na bela praia de Port Elizabeth, no Oceano Índico. O sonho do Hexacampeonato fica adiado por mais quatro anos. O coração brasileiro, mais uma vez, parou nas quartas de final como há quatro anos na Alemanha. O encontro com a poderosa Holanda e seus jogadores extremamente eficientes acabou sendo o último capítulo de uma história que tinha tudo para ter um final feliz. No primeiro tempo, o Brasil até deu a impressão de que passaria fácil. A etapa final mostrou um time holandês pragmático. Virou com folga.

O belo estádio Nelson Mandela Bay, com sua arquitetura moderna, ficará marcado como palco de mais uma eliminação do Brasil. Entra para o grupo de locais com triste memória para os brasileiros. Quem não lembra do Sarriá, em Barcelona, no ano de 1982, quando o time brasileiro mais incensado de todos os tempos não conseguiu deter a Itália do endiabrado Paolo Rossi? Não dá para esquecer a eliminação nos pênaltis para a França em Guadalajara, em 1986. Volta-se ao Delle Apli, em Turim, em 1990, quando Maradona pifou Canniggia para classificar a Argentina e mandar o time de Sebastião Lazaroni mais cedo para o Brasil. E a memória se fixa também na despedida em Frankfurt, 2006, quando a festiva Seleção do técnico Carlos Alberto Parreira foi novamente eliminada pelos franceses do carrasco Zidane.

Perder é do jogo. E ninguém desta turma que disputa Mundiais ganhou mais do que nós. O mais triste é a reversão de expectativa tanto para os milhares de torcedores em todo o Brasil quanto para a galera que veio até a África do Sul. Usando um velho jargão, o Brasil vira a pátria de chuteiras com homens, mulheres, crianças, jovens e idosos torcendo na mesma batida.

Uma pena. A Laranja Mecânica de Robben, Sneijder e Van Persie teve um gosto extremamente azedo. A volta pra casa será frustrante. Mas a vida continua.

Gauchada em Port Elizabeth

02 de julho de 2010 2

Antes da derrota para a Holanda e a eliminação da Copa da África do Sul, a galera do Brasil era só confiança na vitória. Confira os gaúchos que estiveram no Nelson Mandela Bay aqui em Port Elizabeth.

Claudinei Caramez Jr, de Rio Grande

Cristiano Schultz, de Porto Alegre. Mora em Angola há quatro anos

Carlos Alberto Colombo e Cesar Anderson, de Farroupilha

Rodrigo Görgen, de Porto Alegre

Cícero e Vicente Santini, colorados de Porto Alegre

Marcílio Domiciani, de São Paulo, Roberto Bertelli, de Porto Alegre e Bruno Zangari, de São Paulo

O colorado Luiz Motta, de Novo Hamburgo com Elisabeth e Franz Erni

De Pelotas: Otávio Lima, torcedor do Lobão e Cláudio Lima, da galera Xavante

Douglas Coltro, Fabrício Nedeff, Alexandre Peruzzo e Lúcio Sotilli, de Nova Prata

Luigi e Carlitos Silvestri, de Marau

Rafael Jabouski, gremista de Brasília mora em Melbourn

Ricardo Horvath, Lucas Costa, Dênis e Mário Soffer, João Felipe Kayser, Marcello Brandão e André Paiva

Eduardo Tavares, de Porto Alegre mora em São Paulo

Brasileiros e holandeses juntos

02 de julho de 2010 0

Encontrei esses torcedores na entrada do Mandela Bay.

Imagens que só a Copa do Mundo proporciona.

Os torcedores em Port Elizabeth

01 de julho de 2010 0

A frente do hotel em que a Seleção Brasileira está hospedada na beira-mar aqui em Port Elizabeth está repleta de torcedores!

Hoje tá difícil de acompanhar o treino do Brasil

30 de junho de 2010 46

As musas da imprensa estão por toda a parte:

Acho a repórter mexicana espetacular!!!

Mais uma entrevista do Zé Alberto. A oitava do dia! Detalhe pra colega jornalista. Que espetáculo!!!

Meu Deus! Tá difícil de cuidar o treino!!!

Pra fechar! Grande treino do Brasil.

Cadê os craques?

30 de junho de 2010 5

No Brasil, talvez por provincianismo ou por achar que tudo que vem de fora é maravilhoso, nós temos a mania de endeusar jogadores que jogam na Europa, só pelo fato de atuarem no glamuroso futebol do Velho Continente.

Só que muitos deles, quando chegam na Copa do Mundo, simplesmente não aparecem. Pego alguns exemplos. Wayne Rooney, o carequinha do English Team. Veio para o seu segundo Mundial e não foi às redes nenhuma vez. Não fez um golzinho, nem de mão e nem de impedimento. Nadinha! Saiu mais virgem da África do Sul, do que a Madre Teresa de Calcutá. A Inglaterra voltou para casa depois de levar uma surra da Alemanha, deixando a Rainha Elisabeth com os cabelos em pé. Já o melhor do mundo na atualidade, Lionel Messi, é quase um coadjuvante no competente time da Argentina, ainda não marcou gol e tem a sua figura ofuscada pelo artilheiro Gonzalo Higuaín e por Carlitos Tévez, que têm sido muito mais efetivos do que o 10 argentino.

Outro que só fez figuração na Copa foi o badalado e baladeiro português Cristiano Ronaldo. Muito mais preocupado em aparecer no replay do telão do estádio, ele deixou a seleção de Portugal na mão. Marcou só uma vez contra a pobre e eliminada Coreia do Norte. Passou em branco por aqui.

A Geni da Copa

30 de junho de 2010 7

Na música Geni e o Zepelim, criada em 1978 para a trilha do espetáculo Ópera do Malandro, Chico Buarque fala de uma tal de Geni, uma personagem em quem todo mundo joga pedra, que foi feita pra apanhar, que é boa de cuspir, rainha dos detentos, dos loucos e dos lazarentos. Com base nos inúmeros comentários ouvidos aqui na África do Sul, chego à conclusão de que a Jabulani é a Geni da Copa do Mundo.

Todo mundo disse que a bola é ruim. Vários jogadores já reclamaram do comportamento dela dentro de campo. A Fifa também está ligada na execração pública da coitadinha e promete cobrar da empresa fabricante, caso fique comprovada a sua capacidade de prejudicar o bom futebol. Se o cara dá um chutão e manda a bola no placar eletrônico, mostrando total falta de aptidão com a bola nos pés, a culpa é da Jabulani. Se o goleiro toma um peru incrível, é por causa da maldita Jabulani, que desviou pelo caminho.

Entretanto, ninguém dá crédito para a pelota quando o argentino Tevez acerta um chutaço de fora da área na partida contra o México, deixando o goleiro Pérez sem pai nem mãe. Ou quando David Villa, da Espanha, toca com toda a categoria para o gol chileno após uma saída atabalhoada do goleiro Bravo. Resumindo: quando os jogadores fazem jogadas espetaculares, cruzamentos perfeitos e gols inesquecíveis ninguém dá crédito à Jabulani. É dura a vida de bola numa Copa do Mundo.

A turma do funil

29 de junho de 2010 2

Agora restam apenas oito seleções em busca da Copa do Mundo. Divido o grupo em três tipos: os favoritos, os aspirantes e as zebras. Façam suas apostas!!!

Os favoritos

A turma tem Argentina, Alemanha, Brasil e Espanha. Aposto que um desses deve ficar com o título. A vantagem da seleção de Dunga é que só encontrará um dos três rivais se chegar na decisão. O duelo entre alemães e argentinos tem todos os ingredientes para ser o maior jogo da Copa até o momento. A equipe de Maradona se baseia nas individualidades, enquanto a Alemanha prima pelo estilo de futebol coletivo. Destaques para Özil e Tévez. O argentino Messi, que está apagado no Mundial, pode dar o ar da graça. A Espanha ainda não foi brilhante, mas tem bala na agulha pra chegar lá. O Brasil não precisa de maiores explicações pra estar entre os favoritos. É só o Dunga não inventar e os caras estarem a fim de jogar. Quem tem Júlio César, Lúcio, Juan, Kaká, Robinho e Luís Fabiano está bem na foto.

Os aspirantes

A Holanda quer chegar lá pela primeira vez e o Uruguai pretende voltar aos áureos tempos. O problema dos holandeses, que estão muito bem no Mundial, é topar com o Brasil. Mas muito cuidado com os perigosos Robben e Sneijder. Já os uruguaios comandados por Forlán, Suarez e Lugano têm grandes chances de chegarem na semifinal passando por Gana.

As zebras

Dificilmente alguém apostaria em Gana e Paraguai. Já desempenharam bem o seu papel na Copa do Mundo. Podem ir pra casa com a sensação de dever cumprido.