Sendo assim, faço minha última colaboração para o Santa - incluindo este blog. Depois de exatos quatro anos de coluna diária – completados no último dia 24 – sou chamado a outros compromissos como escritor e contador de histórias.
Esclareço que minha decisão nada tem a ver com as “forças ocultas” que desde cedo rondaram os ouvidos dos meus editores. Bem que eu gostaria que as coisas tivessem acontecido dessa forma perniciosa e cinematográfica. Já pensaram? Eu, debaixo de uma tempestade, diante da minha mãezinha moribunda, gritando e jurando vingança contra os crápulas e poderosos que me perseguiram e me condenaram ao ostracismo dos pobres desgraçados.
Infelizmente, não foi isso que aconteceu, primeiro porque os crápulas e os poderosos já se tornaram caricaturas do que foram no passado, e segundo porque os editores do Santa, contrariando os meus preconceitos mais íntimos, nunca se pareceram com aqueles personagens de filmes americanos capazes de vender a alma para manter o status quo. Sim, hoje em dia o jornalismo é mais sério do que vocês imaginam. Mais sério do que eu imaginei antes de vivê-lo no dia a dia.
A minha decisão tem a ver, isso sim, com aquela bela dama a que me referi ontem, a Literatura. Mesmo tendo ares de moça sabida e independente, ela me exige casamento e dedicação integral, exige ser amada e até mesmo bajulada, caso contrário ameaça arrumar as malas e me abandonar para sempre. No mesmo passo, vejo que minha colaboração diária, tão frenética e cansativa, já cumpriu o seu ciclo natural, já disse o que deveria ter dito, incluindo os meus erros e acertos de cada dia. Sinceridade: se eu, que sou o autor, já não sinto o mesmo prazer escrevendo diariamente, imagine vocês, que insistem na leitura.
De coração, agradeço ao Santa, que me confiou este espaço, em especial ao Edgar Gonçalves e à Jô Laps, que há quatro anos me fizeram o convite e que, há cerca de 30 dias, aceitaram e compreenderam os motivos que me levaram a encerrar esta fase da minha peregrinação pelo mundo da palavra. Agradeço aos leitores, é claro, aos que me contemplaram com críticas e sugestões, principalmente aos Blumenauenses Fundamentais, com quem pude estabelecer um diálogo de amor e ódio, de honestidade recíproca, de desenvolvimento humano e intelectual.
Que mais falta dizer? Pra ser honesto, que é muito bom, mas muito bom mesmo, não ter que escrever as crônicas da próxima semana, dos próximos meses, dos próximos anos. Nada é melhor do que ficar livre de vocês. E vocês, é lógico, de mim. Valeu muito a pena, mas na vida existe hora para tudo: para começar e para encerrar.