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Posts de julho 2009

A sensualidade das cabras

31 de julho de 2009 2

Amor, estranho amor em filme de 1972./Divulgação.

Hoje o caderno Variedades do Diário Catarinense traz matéria de Jacqueline Iensen sobre a peça A Cabra ou Quem Matou Sylvia, que tem José Wilker no elenco e será encenada de hoje a domingo em Florianópolis. Parece que conta a história de um marido que trai a esposa com uma cabra. Bacana, até porque a história não é exatamente nova. Não estou acusando ninguém de plágio, mas algo semelhante foi destaque no filme Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo mas tinha medo de perguntar, de Woody Allen. Como diz o texto do Diário, esse negócio de amor é mesmo desconcertante!

Postado por Maicon Tenfen

Nikola Tesla

31 de julho de 2009 2

Tesla: genialidade e excentricidade em exagero./Divulgação.

Você sabe quem inventou o rádio? Se procurarmos nos livros didáticos ou mesmo no Google e na Wikipédia, a maioria dos verbetes citará o nome do italiano Guglialmo Marconi. E os mecanismos que fazem funcionar os eletrodomésticos, quem inventou? Thomas Edison, certo? Errado. Tão errado quanto as respostas sobre o rádio.
Bem, pelo menos essa é a tese dos biógrafos de um inventor croata chamado Nikola Tesla (1856-1943). Segundo eles, além de ser o verdadeiro pai das tecnologias supracitadas, Tesla também descobriu o Raio-X um ano antes de Röntgen tê-lo feito na Alemanha e já usava lâmpadas fluorescentes quatro décadas antes de elas chegarem ao mercado.
Entre inúmeras outras engenhocas que marcariam o século 20, criou o radar, o motor de corrente alternada e uma série de artefatos bélicos que felizmente foram ignorados pelos exércitos da época, como o controle remoto para submarinos e — motivo de infinitas controvérsias — o lendário Raio da Morte.
Mas, que diabo, se Nikola Tesla era tudo isso, então por que não ouvimos falar do sujeito com mais frequência? Há duas formas de responder essa pergunta. A primeira, mais pé no chão, compara a genialidade do inventor a uma sofrível capacidade administrativa. Além de ingênuo e manipulável, Tesla sempre foi um péssimo negociante. Se tivesse se preocupado menos com o laboratório e mais com o registro de patentes, a sua vida — e a nossa! — seguiria caminhos mais promissores.
A segunda resposta — especialidade deste blog — é nada menos que uma teoria da conspiração. É fato que Tesla, logo depois de se mudar para os Estados Unidos, contou com o patrocínio de P. J. Morgan, o famigerado banqueiro de Wall Street. Como o inventor acalentava o sonho nada capitalista de criar mecanismos que possibilitassem a distribuição de energia barata ou mesmo gratuita para o mundo, Morgan não se contentou em apenas retirar a verba das pesquisas. Com a ajuda de Thomas Edison, moveu uma violenta campanha de difamação contra Tesla.
Como resultado, nosso inventor foi excluído da comunidade acadêmica, adquiriu fama de cientista maluco (chegou a inspirar um arquivilão nos quadrinhos do Superman) e morreu esquecido em Nova York. Tudo bem que as teorias da conspiração são suspeitas, mas não deixa de ser curioso que as diferentes formas de energia, apesar dos avanços tecnológicos, continuem com um custo tão abusivo. Se Nikola Tesla planejou o seu barateamento no começo do século 20, pergunto-me sobre o que ou quem impedem a realização desse sonho na era da internet.

Postado por Maicon Tenfen, republicando a pedido.

BR-470

31 de julho de 2009 0

Com a proximidade de um fim-de-semana chuvoso, começo a pensar nos perigos das rodovias catarinenses. Por motivos óbvios, a BR-470 ocupa um local de destaque nas minhas meditações. Quem dirige sabe: são quilômetros e mais quilômetros de armadilhas compostas por buracos, sinuosidades, falta de acostamento e má sinalização. É um asfaltinho vagabundo e traiçoeiro.
Se vivêssemos num país que correspondesse a apenas dez por cento dos discursos oficiais, a 470 estaria duplicada há mais de 20 anos. Entretanto, como as coisas costumam demorar por essas bandas, devemos ter paciência, e muita. Por isso, nesse fim-de-semana, nesse e nos inúmeros outros que enfrentaremos sem pistas duplicadas, sugiro companheirismo, responsabilidade e atenção. Se o governo está se lixando para nós, o mínimo que devemos fazer é preservar nossas vidas, as nossas e as dos outros.
Por que nos tratamos tão mal no trânsito? O contrário é que deve acontecer. Por uma questão de sobrevivência, precisamos compensar a ruindade do asfalto com um espírito mais franco e colaborativo. Vamos dirigir com mais cuidado. Chegarmos à segunda-feira sem cadáveres me parece ser uma bela forma de vencer a incompetência, o descaso e a corrupção.

Postado por Maicon Tenfen

Consumismo

30 de julho de 2009 5

Foto: campanha anti-consumismo da Albusters.

Educar uma criança no midiático século 21 é um desses desafios que exigem mais do que amor, paciência e dedicação. Exigem um tremendo jogo de cintura, um estado de espírito sempiternamente aberto ao aprendizado.
Há uns três anos, logo depois que minha filha aprendeu a ler, desfiei uma cartilha corujo-pedagógica sobre os perigos das ideias que, via comunicação de massa, começariam a atingir sua cabecinha:
— Não acredite em tudo que você assiste na TV, nem em tudo que lê nos livros ou na internet.
Digo em minha defesa que agi sem pedantismo, falei com a naturalidade e a experiência de um “entendido” em educação infantil. Dali a uns meses, quando percebi que ela estava bebendo refrigerante demais, chamei sua atenção e tentei alertá-la sobre os males que o exagero poderia causar.
— Vê se te ajeita, guria! Assim os seus ossos não vão mineralizar direito. Daqui a pouco me aparece com uma perna ou um braço quebrado.
— Como é que o pai sabe?
— Li numa revista.
— Ué?! Mas o pai não disse que não devemos acreditar em tudo que lemos por aí?
É, meu amigo, as crianças de hoje são assim, rápidas e rasteiras, logo devolvem o que recebem, e isso é bom. Ruim é saber que a capacidade delas pode ser canalizada para causas pouco recomendáveis. Não importa o que façamos, nossos filhos sempre ficarão mais expostos à TV e à internet do que ao nosso papo quadrado e edificante.
Ao contrário de quase todos os movimentos que querem legislar sobre a programação infantil, não temo a chamada banalização do sexo e da violência pelos produtos audiovisuais (no fim das contas, são elementos que podem gerar frutíferas conversas entre pais e filhos). O que temo — e temo pra valer — é a forma obscena e reiterativa com que as atrações direcionadas aos “baixinhos” pregam o consumismo.
Não acredito que alguém possa se tornar sociopata por causa de games ou desenhos animados, mas sei que muitos já mataram por um tênis de marca ou se prostituíram para renovar o guarda-roupa. O problema não está na forma, mas no sentido; não está no que vemos explicitamente na tela, mas no que é sugerido pelo contexto.
O que fazer quanto a isso? Confesso que não sei, daí as minhas aflições de pai. Atenção e diálogo são o máximo que posso sugerir.

Postado por Maicon Tenfen

Gripe A

30 de julho de 2009 4
Não quero fazer descaso com a tal Gripe A, é sempre melhor prevenir do que remediar, mas suspeito que, graças à paranoia em que vivemos, a imprensa acabou divulgando um gigante por um pigmeu. Quantas pessoas morrem a cada ano de malária e tuberculose ao redor do mundo? Quantas pessoas são assassinadas a cada mês no Brasil? Quantas pessoas perdem a vida a cada dia nas rodovias catarinenses? Isso sem falar na voracidade mortal da própria gripe comum, se é que alguma gripe pode algum dia ser chamada de comum. Estatisticamente, é muito mais fácil morrer de sarampo do que de Gripe A.
(Prévia da crônica de amanhã, no Santa)

Postado por Maicon Tenfen

Brigitte Bardot antes e depois

30 de julho de 2009 4

Brigitte nos bons e nos velhos tempos!/Divulgação.

Dois dos meus três amigos (pode parecer incrível, mas ainda me restaram três) queixaram-se do post sobre a Nouvelle Vague. “Citar a Brigitte Bardot sem publicar uma foto é desaforo!” Acho que eles têm razão. Por isso prometi que exibiria no blog o rostinho da musa. Mas aí me vi num impasse repentino. Qual dos rostinhos exibir? O que brilhou, encantou e enlouqueceu há 40 anos? Ou o atual, de uma simpática e rechonchuda vovozinha? Para ser honesto com os leitores, optei por uma imagem do gênero antes e depois. E aproveito para fazer uma pergunta: quem é o maior ladrão do mundo, o mais impiedoso, o mais inclemente, o que mais rouba em toda a nossa vida? O tempo!

Postado por Maicon Tenfen

Filosofada

29 de julho de 2009 6

O Velho Machado: para ele, o ser humano não vale mais que uma caneca furada./Divulgação.

De vez em quando – juro que isso acontece sem querer – me pego a fazer perguntas sobre a natureza humana. Seria o homem uma criatura originalmente má e irresponsável, do tipo que não pode viver sem um cabresto por ser incapaz de enxergar um palmo diante do nariz? Ou, por outra, seria o homem dotado de bondade e nobreza intrínsecas à sua condição, do tipo que prova ser digno ao menor sinal de perigo?
Mesmo que eu tivesse a resposta na ponta da língua, as interrogações não cessariam por aí. Uma vez decidido que o ser humano merece (ou não) nossa confiança, ainda precisamos descobrir se a sua bondade (ou maldade) é inata como quer Descartes, isto é, nasce com o leite materno, ou é empírica como quer Rousseau, ou seja, surge com o convívio social.
Só isso é suficiente para alimentar os debates de todos os filósofos de botequim do mundo. Digo de botequim porque esse papo não pertence apenas aos doutores e eruditos das universidades. Com maior ou menor clareza, todos nós já deparamos com essas questões, e, querendo ou não, as respostas que damos a elas acabam condicionando o modo como agimos, pensamos e nos relacionamos com o próximo.
Nas entrelinhas de contos e romances, grandes autores da nossa literatura lançaram seu veredito sobre a condição humana. Para um sujeito como Machado de Assis, parece claro que a humanidade não vale mais que uma caneca furada. Se pensasse o contrário, não teria finalizado o Brás Cubas com uma frase do gênero “não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria”.
Já Guimarães Rosa via seus semelhantes de um modo diferente. Grande Sertão: Veredas, sua obra-prima, é um tortuoso caminho rumo ao entendimento de que possuímos uma essência positiva e, portanto, temos condições de nos emendar. Afinal de contas, como diz o jagunço Riobaldo, “existe é homem humano”.
Como dei a entender ali em cima, confesso que ainda não sei se fico com Machado ou Guimarães. Dependendo do que leio nos jornais, há dias em que sinto orgulho de pertencer ao gênero humano e, com uma frequência levemente maior, há dias em que sinto vontade de me esconder. Mas de uma coisa estou certo. Instituições como o Governo, a Escola e a Televisão não creem na autonomia das pessoas.
Caso contrário não teríamos tanto populismo, tanto paternalismo pedagógico e tantos reality shows como nos dias que seguem.

Postado por Maicon Tenfen

Nouvelle Vague

29 de julho de 2009 0
Não tem quando você liga a TV de madrugada e está passando um daqueles filmes arrastados, cheios de cenas longas e diálogos que não fazem sentido? Não tem quando você fica olhando para o amontoado de imagens e tentando entender o que significam, se é que significam alguma coisa? Não tem quando você fica grilado com a monotonia das situações e o desequilíbrio das personagens?
Você provavelmente está diante de um filme francês. Ou melhor, de um determinado tipo de filme francês, aquilo que os críticos costumam chamar de Nouvelle Vague, estética cinematográfica que, se não desperta grandes emoções, certamente suscita debates capazes de perpassar a arte, a sociologia, a antropologia e a política. Intensa ou broxante, o fato é que a Nouvelle Vague completou o seu primeiro cinquentenário em 2009.
Tudo começou quando alguns críticos que escreviam na hoje lendária Cahiers du Cinema decidiram passar da teoria à prática e fazer os seus próprios filmes. Foi assim que surgiram Os Incompreendidos (o título é premonitório), de François Truffaut, considerado o marco zero do movimento, e Acossado, de Jean-Luc Godard, que se tornaria o diretor mais polêmico do grupo. Éric Rohmer, Claude Chabrol e Jacques Rivette são outros realizadores importantes que, lançados na época, ainda hoje continuam em atividade.
O objetivo era repudiar a mesmice das grandes produções e dos filmes de estúdio para filmar com base no improviso, na naturalidade e na descontinuidade das ações. Lembra aquele papo cinema-novista de “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”? O princípio disso está na Nouvelle Vague e em certas inovações tecnológicas do período, como as filmadoras Arriflex, mais leves e sensíveis à luz natural, e os gravadores Nagra, que permitiam a captação de som direto.
Em termos de conteúdo, os jovens da Cahiers realizaram um cinema que podemos chamar de pós-moderno, cheio de símbolos e referências, com temática confessional, individualista e nem um pouco tímida em se tratando de sexo e outros tabus ocidentais. Apesar das chatices intragáveis que ganharam notoriedade com o rótulo de Nouvelle Vague, é impossível negar a importância de alguns filmes gestados pelo movimento.
Do Godard, por exemplo, sempre vale a pena rever Alphaville e O Desprezo (este último com Brigitte Bardot no auge de sua beleza), duas obras fundamentais do cinema europeu.

Postado por Maicon Tenfen

Festival de Teatro - 4

28 de julho de 2009 11
Uma vez fiz uma listinha de tudo o que já me chamaram depois que assumi a coluna diária no Santa, em 2007. Aqui vai, com o orgulho de quem possui um salão abalroado de troféus: babaca, cavalo, ignorante, imbecil, “insibido” (assim mesmo), machista, veado, necrocomunista, neoliberal, racista, alienado, riquinho (pareço?), arrogante, palhaço, boçal, maconheiro, menininho (gostei), imbecil, hipócrita e mais recentemente reacionário. Se alguém tiver mais algum adjetivo a acrescentar, favor informar sem muita demora para que eu possa publicar aqui ou na coluna impressa.
Por que estou dizendo isso? Porque já estou mais do que acostumado com ofensas pessoais, na verdade estou até gostando desses ataques que, se por um lado me desqualificam diante do público, por outro revelam muito dos indignadinhos que, no mais das vezes, agem sob a proteção de pseudônimos. Essa história do Festival de Teatro, por exemplo. Xingam-me por e-mail, ou então questionam a minha conduta, por que não levantei bandeiras, por que não saí à rua para protestar? Que é isso, minha gente? Modestamente, procurei trazer o tema para os pequenos espaços de que disponho na imprensa. Não é isso levantar bandeiras? Não é isso “sair à rua” e dar a cara a tapa?
Seja como for, o objetivo deste post não é me justificar. É dizer que ATAQUES PESSOAIS NÃO RESOLVEM NADA. Portanto, se alguém tiver algo a acrescentar ao debate sobre a ausência do Festival de Teatro ou a natureza do Nosso Inverno, gostaria de comunicar que o blog está à disposição, e não apenas no box dos comentários. Artigos com ideias ou questionamentos sobre o trâmite artístico blumenauense serão bem-vindos. Ofensas também, sempre, tanto que farei questão de exibi-las como troféus. Mas com a certeza de que não servirão para nada!

Postado por Maicon Tenfen

Festival de Teatro - 3

28 de julho de 2009 4
Parece que finalmente teremos um debate sério sobre a situação artística de Blumenau. Hoje o Santa publicou matéria a respeito da ausência do Festival de Teatro em 2009 e a forma como isso afeta o nosso relacionamento com os bens culturais.
Do mesmo modo, o escritor Viegas Fernandes da Costa comparece na página 2 com o artigo Sobre Violinos e Invernos, em que diz: “o mais curioso é este silêncio, esta falta de manifestações a respeito da ausência do Fitub, e o anúncio de que parcela da classe artística blumenauense está se organizando para realizar o Nosso Inverno, pretensa ‘virada cultural’ que conta com o apoio de diversas entidades, incluindo aí o Teatro Carlos Gomes, que cedeu gratuitamente suas instalações para a realização do evento”.
Insisto em dizer que, apesar de todas as dificuldades estruturais que acarretaram o cancelamento do Festival em 2009, trata-se de um sintoma grave dos rumos que tomaram as atuais políticas culturais do município. Daí o meu temor de que o Nosso Inverno se transforme numa espécie de álibi para a extinção definitiva do Fitub e de outros eventos importantes no calendário da cidade, excluindo-se disso o Stammtisch e a Oktoberfest, é claro. A classe artística gosta de ficar zangadinha com tudo o que se diz a seu respeito, mas é necessário saber que o risco de cooptação é grande e que não é difícil tornar-se massa de manobra no costumeiro oba-oba que acontece por aqui.
E os blumenauenses fundamentais? Ah, eles adoram dizer que vivem numa cidade cheia de beleza e cultura, mas… alguém abriu a boca para questionar o cancelamento do Festival?

Postado por Maicon Tenfen