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Posts de dezembro 2009

Um ano de acordo ortográfico

31 de dezembro de 2009 5
Faz exatamente um ano que adotamos o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Confesso que no começo fui reticente em relação às mudanças, mas hoje, dentro das novas regras, escrevo com a mesma naturalidade de outrora. E você, meu caro leitor? Nesse primeiro aniversário do acordo, já assimilou as modificações ortográficas?

Postado por Maicon Tenfen

Filosofia da penetração

30 de dezembro de 2009 19
Não sei quanto a vocês, mas eu sustento uma sistemática desconfiança em relação às feministas.
Como costuma acontecer nesta coluna, peço que não me entendam mal. O mundo continua machista, e isso é péssimo para o nosso desenvolvimento humano e econômico. Por que uma mulher precisa ganhar menos que um homem quando exerce a mesma função profissional? Isso precisa acabar, e rápido, bem como a violência que muitos homens ainda praticam contra suas filhas e esposas. A luta por igualdade de direitos pertence a todos, ao judiciário, à imprensa, à sociedade civil organizada.
Se penso assim, então por que venho com essa história de desconfiança em relação às feministas? Simples: uma boa parcela delas ainda acredita que os homens, especialmente os heterossexuais brancos, devem pagar com sangue e lágrimas por tudo que nossos antepassados fizeram para diminuir as possibilidades do universo feminino. Por se basear numa premissa muito parecida com o “olho por olho” bíblico, essa política do ressentimento é equivocada porque só cria confusão e impede o avanço de homens e mulheres em direção a um diálogo consensual.
Outro dia, por exemplo, encontrei uma pérola num artigo de uma feminista famosa pela capacidade de transformar as mulheres em vítimas e os homens em carrascos. Em certa altura, essa senhora afirmou que “a penetração é um ato machista”. Tive que parar e ler a frase de novo. Ato machista? Mas que diabo é isso? Algum desserviço para as causas femininas? Só pode ser. Com tal ideia, nossa feminista está atribuindo a opressão à anatomia humana, como se estivéssemos na época das cavernas, quando os homens “seduziam” as mulheres a pauladas, e não numa era pós-industrial, quando não é o físico, mas o intelecto que determina, em pé de igualdade, a capacidade de ação de ambos os sexos.
Como todo radicalismo, o radicalismo feminista sempre fornece artilharia para a oposição. Ao relacionar penetração e opressão, nossa teórica descarta a legitimidade da interação entre os sexos e reduz um debate complexo ao nível biológico. Isso pra nem citar o comentário dos debochados. “Se a penetração é um ato machista”, diria um bodegueiro, “abrir as pernas só pode ser um ato feminista!” Mas só escrevo isso para lançar uma advertência às mulheres: cuidado com quem se oferece para defender vocês. Tem feminista que, de tão feminista, chega a ser machista.
                            (Crônica publicada hoje, no Santa).

Postado por Maicon Tenfen

Brown à beira-mar

30 de dezembro de 2009 3

Dan Brown: o grande best seller da atualidade./Divulgação.

Se você me lê, é porque lê jornais. Se lê jornais, então já deve ter ouvido falar de Dan Brown, autor de O Código Da Vinci, megassucesso nas livrarias e nos cinemas de todo o planeta. Faz pouco, e disso você também deve ter ouvido falar, ele lançou um novo romance, O Símbolo Perdido, que mais uma vez traz o professor-herói Robert Langdon como protagonista.
Dito isto, vamos ao que interessa na coluna de hoje. Sei de muitas pessoas que estão levando o novo romance do Brown para ler na praia. Fazem bem, e digo isso sem a menor ironia, pois não há nada mais relacionável que um livro escrito em linguagem de best seller e o nosso sagrado direito ao repouso.
Conforme anotado no meu blog, estou trabalhando – muito lentamente, como nos solicita esta época do ano – numa resenha sobre O Símbolo Perdido, ou seja, estou fazendo uma espécie de análise comparativa entre a obra de Dan Brown e a de outros escritores que trilharam o mesmo caminho. É por isso que gostaria de aproveitar o incentivo dos leitores praieiros e tecer algumas considerações sobre o livro.
Primeiramente, é preciso dizer que um romance dessa natureza, escrito para conquistar as massas de diversos idiomas e culturas, precisa ser considerado a partir de condições muito particulares. Não adianta tentar ombreá-lo, por exemplo, a obras de arte como Lolita, de Nabokov, ou Dom Casmurro, do nosso Machado, sob pena de cometer uma injustiça deste ou daquele lado.
Em outras palavras, quando se trata de romances como O Símbolo Perdido, não adianta perguntar se estamos diante de um grande livro ou mesmo de um grande texto. A pergunta correta a fazer é: o romance consegue nos ENTRETER de forma adequada? Como estou prestes a chegar à última página, posso afirmar – sem medo de erro – que a resposta é sim.
Não obstante as pressões que sofreu para produzir um thriller tão atraente quanto O Código Da Vinci, Dan Brown não tropeçou ao recompor as novas façanhas do simbologista Robert Langdon e não se esqueceu dos ingredientes fundamentais de um best seller, ou seja, frases sem muita complicação, que “desçam redondo”, para narrar uma trama movimentada e cheia de guinadas que, apesar de contar uma mesma e eterna história, consegue passar uma impressão de novidade e originalidade.
Mas do que mesmo trata o livro? Bem, você lê jornais, não lê? Então já deve estar cansado de ler sobre a arquitetura maçônica que podemos encontrar na capital dos Estados Unidos. Se estiver bem escrito, porém, o tema é o que menos importa num best seller. Boa leitura, boas férias!
                  (Crônica publicada em 29/12/09, no Santa).

Postado por Maicon Tenfen

O Relato do Carpinteiro José

24 de dezembro de 2009 8
Bela e discreta como uma flor de tamareira, Maria era tudo para mim. Primeiro amei-a em silêncio, eu, quase um velho, que trabalhava como carpinteiro ao lado do seu pai. Depois me aproximei mais da família, que decidiria o destino da jovem, e noivamos com planos de construir uma casa nas cercanias do vilarejo. Levantamos os esteios em mutirão e, quando nos preparávamos para ajustar a cumeeira, uma desgraça se abateu sobre mim: Maria apareceu grávida!
— Crápula! — disse o pai de Maria, enquanto corria atrás de mim com um facão. — Recebo-te em meu lar, dou-te de comer e beber, adorno-te de cuidados e confiança… e o que fazes? Ages como uma serpente!
Logicamente, não tive oportunidade ou mesmo coragem de dizer que eu ainda não havia conhecido Maria no, digamos assim, sentido bíblico da palavra. Desse modo, as coisas se tornaram bastante claras para mim: ou perdia o pescoço, ou assumia a criança e levava adiante os planos de casamento. Mas, por incrível que pareça, a situação ficou ainda mais complicada. Um anjo me apareceu em sonhos e disse que a gravidez era obra do Espírito Santo.
— Ah, tá bom, muito bonito mesmo! Esse tal de Espírito Santo pinta e borda com aquela desmiolada e eu é que tenho de pagar o pato?!
— Não, José, não estás entendendo a importância de teu papel nesta história. Tudo faz parte de um plano divino para salvar a humanidade. Deves educar a criança para que se torne o Messias.
Mais bobagens para cima de mim! Então não aparece um messias a cada semana e em cada esquina das nossas aldeias? Se os judeus não fazem outra coisa a não ser fabricar e ignorar os seus messias, por que o meu filho — quer dizer, o filho desse libertino Espírito Santo — haveria de ser o verdadeiro? Seja como for, o facão do meu sogro ajudou-me a seguir as recomendações do anjo.
Casei-me então com Maria, que teve o azar de conceber durante uma viagem que fizemos a Belém. Pobre e lascado que sou, sem dinheiro para pagar hospedagem, tive que invadir uma estrebaria e improvisar o berço da criança numa manjedoura. Não fosse o bafo fedorento das vacas, o menino teria morrido de frio. Ora, Messias! Quem nesse mundo dará ouvidos a um bastardinho que nasceu como indigente?
                                 (Crônica publicada hoje, no DC).

Postado por Maicon Tenfen

Reflexões de Natal

24 de dezembro de 2009 3
De todas as histórias de Natal, a mais dramática e pedagógica é a que trata do nascimento de Jesus. Lá vai José com sua pobreza e Maria com sua barriga de nove meses à procura de um abrigo para se esconder do vento. Quem estende a mão aos flagelados? Ninguém, nem um mísero cristão, primeiro porque os cristãos só surgiriam 30 anos depois, e segundo porque o egoísmo e a avareza são características humanas imemoriais. A sagrada família, por isso, passou a noite num curral, onde Maria deu à luz um menino que, tendo como berço um cocho de trato, só não morreu de frio por causa do bafo fedorento das vacas.
Bem, todo mundo conhece a história, sem dúvida dramática, mas por que digo que ela é também pedagógica? Às vezes fico imaginando o que aconteceria se, na noite de 24 de dezembro de 2009, um homem pobre e uma moça grávida fossem bater às portas de Blumenau para pedir ajuda. A fim de afastar de mim a pecha de hipócrita, adianto que eu mandaria o casalzinho passar adiante, já que não tenho estrebaria e, portanto, estou impossibilitado de prestar socorro. Em compensação, escreveria uma crônica para reclamar da falta de atenção de nossa assistência social e de nossos serviços de saúde. Onde está o SUS? Onde estão as ONGs politicamente caretas? Que vergonheira é essa, pô?
E se o casalzinho batesse à porta de um católico fervoroso? “Voltem amanhã”, ele certamente diria, “quando o dia estiver claro e cheio de olhos para admirar minha condescendência.” E na porta de um luterano pragmático? “Lamento”, seria a resposta, “mas só posso ajudar quem quer ser ajudado. Afinal de contas, por que vocês pobres insistem em transar sem camisinha?” Sem alternativa, José e Maria tocariam a campainha da casa de algum dos nossos muitos teóricos da direita. A porta sequer se abriria, e o casal seria obrigado a sair correndo ao ouvir as sirenes da polícia chegando para flagrar uma tentativa de assalto. Às portas de um de nossos também numerosos ideólogos da esquerda, os dois seriam recebidos com um sorriso, mas:
— Vocês são filiados ao nosso partido? Em quem votaram nas últimas eleições? Se fizerem o cadastro, de repente posso conseguir para vocês uma bolsa-cesariana.
Entenderam por que a história do nascimento de Jesus é pedagógica? Discurso, cada um tem o seu; agora, arregaçar as mangas e estender a mão ao próximo, aí é uma outra história. Feliz Natal!
                              (Crônica publicada hoje, no Santa).

Postado por Maicon Tenfen

Torrar a paciência

23 de dezembro de 2009 5

Drummond: ele deu graças a Deus ao abandonar a crônica diária./Divulgação.

Esse negócio de crônica diária pode ser uma forma bastante reflexiva de torrar a paciência, e isso vale tanto para mim, que escrevo, quanto para você, que folheia o jornal e bate com os olhos aqui na coluna. Às vezes sou insuportável, admito, mas às vezes — ai, meu Jesus Cristinho — vocês leitores são capazes de me deixar de cama, deprimido, vivendo apenas para alimentar minhas fantasias mais homicidas.
Deve ser por isso que, nos dias de maior fastio, Rubem Braga desejava tosse e dor de cabeça aos seus leitores (há quem diga que ele fizesse isso de brincadeira, mas não creio). Outro que ergueu as mãos para o céu e agradeceu a bênção de ter se aposentado de uma crônica diária foi Carlos Drummond de Andrade, o poeta, que em determinado momento da vida caiu na armadilha de escrever para jornais.
Quero com isso justificar a minha frequente falta de humor e criatividade? Acho que sim, embora não queira, em hipótese nenhuma, ombrear o meu miserável nome com os do Braga e do Drummond. Só os loucos e os imprudentes aceitam a tarefa de escrever diariamente, e só os mais loucos e mais imprudentes desejam o mesmo festival de loucura e imprudência a cada manhã.
Agora, por exemplo, na manhã de 23 de dezembro, enquanto todos os meus amigos e parentes estão se preparando para o Natal, eu estou aqui, na frente do computador, ou seja, na frente de VOCÊS, seus chatos, com a missão de escrever 36 malditas linhas que sejam pelo menos legíveis. À loucura e à imprudência ali de cima, devo acrescentar algo como, sei lá, masoquismo.
Mesmo assim, há certas ocasiões — muitas, eu diria — em que reconheço o privilégio de preencher este espaço com minha conversa fiada. Isso acontece quando presencio um fato digno de ser contado, quando me meto a dar palpites sobre assuntos que desconheço, quando leio um livro que me desperte os desejos mais irrefreáveis de comentá-lo ou quando sou cara de pau o bastante para me aproveitar de uma página tão comercialmente valiosa para mandar um beijo para minha filha Fernanda.
Apesar da inglória tarefa que estou a alguns caracteres de cumprir, hoje me sinto bem, eu diria até feliz. Mas não por tão pouco perderei a oportunidade de imitar o Rubem Braga. Até amanhã, desejo tosse e dor de cabeça a todos vocês!

Postado por Maicon Tenfen, adaptando e republicando.

Cadê o terceiro filme?

23 de dezembro de 2009 4

Bastardos Inglórios: um dos poucos que valeram a pena em 2009./Divulgação.

Chego ao fim de 2009 com uma tristeza no coração. Algo realmente grave aconteceu – ou não aconteceu – neste ano. Refiro-me ao cinema. Não sei se alguém vai se lembrar, mas uma vez escrevi sobre os dois grandes filmes que me marcaram como apreciador da sétima arte: Pulp Fiction (1995) e Cidade dos Sonhos (2002). Como havia um intervalo de 7 anos entre um e outro, supus, meio cabalístico, que em 2009 apareceria um terceiro filme capaz de virar minha cabeça.
Não apareceu, e temo que isso jamais aconteça, pois o cinema é uma arte que se apresenta cada vez mais insípida, proselitista e artificial. Esses adjetivos se referem, respectivamente, a 2012, Lula – O Filho do Brasil e Crepúsculo.
No momento, por exemplo, todos se esbaldam com Avatar, de James Titanic Cameron, uma excelente HQ, ou um excelente game com infinitas possibilidades de merchandising, mas não um filme com maiúscula, uma obra de arte que nos faça REFLETIR sobre a vida e o mundo. Nesse sentido, e me desculpo de antemão pelo radicalismo, o meu raciocínio é bastante simples: quanto mais efeitos especiais, quanto mais pirotecnias imagéticas, menos poder de abstração possui a obra.
Isso não quer dizer, entretanto, que não surgiram filmes interessantes e bem assistíveis em 2009. Cito, em primeiro lugar, Bastardos Inglórios, dirigido pela mesma mente que concebeu o insuperável Pulp Fiction. Bastardos, a propósito, bateu na trave como o tal terceiro filme, mas não entrou porque com ele tivemos apenas a confirmação do gênio de Tarantino, e não o surgimento de uma nova estética cinematográfica.
Além da câmera nervosa e do roteiro questionador de O Distrito 9, outro que não pode ficar de fora é O Anticristo, de Lars Von Trier, filme forte, visceral, perturbador, capaz de promover uma façanha rara nos dias de hoje: causar pesadelos em adultos. Pena que seja uma obra exagerada e assimétrica demais, cheia de idiossincrasias que por muitos são identificadas como defeitos.
Num giro de 180 graus, também não devemos esquecer a animação UP – Altas Aventuras, da Pixar, feita para crianças de 8 a 80 anos de idade. Mais do que uma simples diversão familiar, o que impressiona em UP é o caráter filosófico do roteiro e a forma como retrabalha o “ser ou não ser” shakespeariano na historinha do velho que, sem sair de casa, pretende chegar ao Paraíso das Cachoeiras.
No mais, o cinema de 2009 foi pura perda de tempo e dinheiro, haja vista a maioria dos filmes cotados para o Oscar. Para ser irônico, vou torcer por Nine, de Rob Marshall, que teve a ousadia de refilmar Fellini em forma de musical.
                              (Crônica publicada hoje, no Santa).

Postado por Maicon Tenfen

Então é Natal

22 de dezembro de 2009 11
Tenho um amigo que vive reclamando dessa época do ano. Para ele, não existe nada pior que luzes acesas na cidade, papais noeis derretendo atrás das barbas postiças e a Simone cantando “Então é Natal” em cada shopping ou lojinha de departamentos do país.
Mas não pensem que meu amigo é ranzinza ou debochado. Tampouco pensem que ele cai nas críticas fáceis ao consumismo, o blablablá de sempre, que as pessoas só querem saber de compras e presentes, que o verdadeiro espírito de Natal se perdeu em nossos corações etc.
Meu amigo não é destes. O que ele critica, mas critica com peçonha e inclemência, é a hipocrisia das reuniões natalinas, a elas somando essas festinhas de fim de ano que as empresas costumam organizar, quer dizer, os funcionários das empresas, já que as empresas, como diria Vinicius, estão “cadando e angando” para tudo que se afaste dos números e daquele sinalzinho de adição.
Então o seu encarregado de setor passou o ano pegando no seu pé e você vai encontrá-lo numa choperia para abraçá-lo e, azar dos azares, revelar ao mundo que ele é seu amigo oculto e lhe custou R$ 1,99 mais o embrulho e a fitinha do presente? E a ceia de Natal, como é que fica? Depois de ouvir por horas o papo-aranha do seu primo pegador, você ainda vai aturar aquela cunhada carola que sempre tem a péssima ideia de bater com o garfo no copo e puxar um “Noite Feliz” antes do jantar?
Respondo ao meu amigo que sim, claro que sim. A melhor alternativa é bancar o hipócrita e, se possível, agir com jovialidade eufórica. A esse propósito, inclusive, tenho uma tese meio controversa: é para isso que servem festas como o Natal, para exercitar nossa civilidade e nossa capacidade de conviver com pessoas que poderíamos evitar em todas as outras épocas do ano.
Já pensou se agíssemos com sinceridade total entre os parentes e os colegas de trabalho? Não sobraria pedra sobre pedra. Portanto, meus queridos, desejo a todos um ótimo exercício de convivência neste Natal. Sinal de que discordo de tudo o que disse meu amigo? Quase. Concordo sobre a Simone cantando “Então é Natal”.
                            (Crônica publicada hoje, no Santa).

Postado por Maicon Tenfen

Aquecimento Global?

21 de dezembro de 2009 3
Hoje, na minha coluna do Santa (reproduzida no post abaixo), citei o meteorologista Luiz Carlos Molion, da Universidade Federal de Alagoas, que não acredita na necessidade de todo esse alarme causado pelo Aquecimento Global. Quem quiser ter uma ideia mais concreta das opiniões de Molion, basta clicar aqui.

Postado por Maicon Tenfen

A Farsa de Copenhague (2)

21 de dezembro de 2009 4
Como era de se esperar, a crônica da última sexta-feira me rendeu uma série de acusações que se concentraram em palavras como “leviano”, “inexato” e “irresponsável”. Cegos e raivosos, os corretinhos da paz verde me acusaram de estar a serviço de uma entidade chamada Grande Capital que, à custa das monstruosas emissões de CO2, está transformando o planeta, antes lindo e maravilhoso, num inferno inabitável (ainda que seja filho de mãe superprotetora, eu jamais chegaria sozinho à tamanha megalomania!). E, para terminar com um tiro de misericórdia, lembraram o importante detalhe de que não sou cientista: que raios entendo de climatologia para ficar escrevendo asneiras por aí?
Em primeiro lugar, meus queridos, o que me motivou a escrever sobre o Aquecimento Global é o conhecido fato de que ele deixou de ser um problema científico para se tornar um problema político e ideológico. Mais perigosas e opressoras que as massas alienadas que se divertem com a novela das oito, são as massas alienadas que fazem caretas sérias ao se divertir com o Jornal Nacional. Para esse segundo grupo, o DISCURSO ÚNICO da ameaça ambiental está justificando uma nova forma de moralismo e tirania. Explico melhor: como a classe média já não pode lançar seu rancor contra os gays e as grávidas solteiras, aceitou demonizar os vilões que, lá longe, no outro lado do mundo, estão enriquecendo com a emissão de CO2.
Em segundo lugar, é natural que meus mínimos conhecimentos sobre o clima sejam questionados. Se cientistas com décadas de experiência são achincalhados pelos ativistas verdes, por que eu escaparia incólume da retaliação? Luiz Carlos Molion, meteorologista da Universidade Federal de Alagoas, assegura que o homem e suas emissões na atmosfera são incapazes de causar o aquecimento global. Também garante que dados foram manipulados para causar alarme e que toda essa farsa, entre outras coisas, serve de álibi para os países ricos atrapalharem o desenvolvimento industrial dos países pobres (mais no blog).
Mas quem vai ouvir um sujeito como ele? Quase ninguém, já que estamos cegos diante da retórica salvacionista ambiental. Essa paranoia ainda pode nos causar um problema de verdade. Por exemplo: para refletir a luz do sol e evitar o efeito estufa, uma das ideias que surgiram em Copenhague foi a de pintar todas as cidades de branco. Casas, prédios, carros, roupas, tudo branco, tudo igual. Mas isso não é novidade. O mundo já passou por algo parecido durante o fascismo e o stalinismo.
                            (Crônica publicada hoje, no Santa).

Postado por Maicon Tenfen