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Indústria das cheias?

15 de setembro de 2011 2

Ontem o Santa publicou uma curiosa matéria sobre a atuação “heróica” dos nossos políticos durante as enchentes. Alguns usaram as redes sociais para organizar as ações de socorro, outros fizeram coisa parecida através do rádio e da televisão e ainda outros arregaçaram as calças e saíram às ruas para, digamos assim, combater a crise ao lado do povo. (Quando escrevi a frase anterior, juro que senti uma repentina vontade de chorar, até porque me lembrei do Fidel Castro cortando cana com os camponeses cubanos!).

Assinada por Giovana Pietrzacka, a matéria faz exatamente aquilo que o gênero jornalístico deve fazer: informar, e não opinar, embora possa e deva sugerir um debate, uma discussão, uma tomada de posição por parte do leitor. Mas eu, ahá!, por outro lado, estou aqui para fazer justamente o contrário, quer dizer, a minha obrigação não é informar, mas dar palpites sobre manchetes veiculadas ou não pelo Santa, especialmente quando essas manchetes dizem respeito à performance de políticos excêntricos ou oportunistas além da conta.

Dito isto, lá vai: todo político é, por definição, um líder comunitário. Desse modo, é natural e até mesmo necessário que, num momento de calamidade, ele utilize os recursos de que dispõe para organizar as reações contra a adversidade. Está se promovendo? Claro que sim! Um político que não se promove definha e deixa de existir no cenário eleitoral. No entanto, vamos e venhamos: uma coisa é atuar na liderança da comunidade, outra bem diferente, mas bem diferente mesmo, é se aproveitar da desgraça coletiva para posar de super-homem ou salvador da pátria.

Tirando ações comprovadamente positivas, é impossível contabilizar a quantidade de políticos que apareceu proferindo asneiras nos meios de comunicação. Alguns, visivelmente despreparados para a tarefa, mais atrapalharam do que ajudaram, e houve dois ou três que, num alarde histérico que só gerou mais pânico entre a população, chegaram a anunciar que o rio alcançaria os 20 metros! Todo mundo sabe que no Nordeste existe uma indústria política da seca. Precisamos criar uma das cheias?

Mas o troféu joinha vai mesmo para o prefeito de Apiúna. Entronizou-se na concha de uma retroescavadeira e, como uma espécie de Rambo de Serraria, pôs-se a fazer justiça com as próprias mãos. Felizmente, segundo um amigo da cidade, um arigó da prefeitura ficou em terra firme para comandar as operações. Se eu fosse o Germano Costa, dono da foto que imortalizou a sensacional aventura, proibiria a utilização da imagem nas próximas eleições.

Comentários (2)

  • José pedro diz: 15 de setembro de 2011

    kakakakakaaa Rambo de Serraria fazia tempo que não houvia falar nesta expressão.

  • Reni Martins diz: 17 de setembro de 2011

    Ótimo artigo. Parabéns!

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