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Morar em Blumenau

16 de setembro de 2011 3

Outro dia uma senhora me parou na rua e disse que adorava morar em Blumenau.

Sim, adorava, adorava, adorava!

Apesar do valor abusivo do IPTU e da administração atabalhoada do DEM, apesar das carrancas nos pontos de ônibus e da aparente antipatia desse povo loiro e pouco dado à conversa fiada, apesar ainda das enchentes e da atual poeira nas ruas, a Dona Tereza — pois se chamava Tereza — reiterou, e fez isso martelando as sílabas de um verbo gratuito e meio abilolado, que a-do-ra-va morar em Blumenau.

— Que máximo! — respondi como quem tenta participar da alegria geral do município. — Fico ex-tre-ma-men-te feliz pela senhora!

Depois segui caminho porque o tempo urge e a vida, pois é, ela continua, gostando-se ou não do lugar onde vivemos. Mas relatei essa passagem porque se trata de uma daquelas cenas que, justamente por serem tão desprovidas de sentido, adquirem um significado maior do que podemos supor à primeira vista.

Gostar de morar numa determinada cidade pode significar amor legítimo e verdadeiro, uma espécie de bairrismo inocente que jamais faria mal a ninguém, mas por outro lado, se pensarmos melhor, pode revelar uma forma de consolo e até mesmo de covardia.

Consolo porque, vamos e venhamos, é chato admitir que você não está por cima da carne seca, totalmente numa boa, colhendo os frutos de suas escolhas pretéritas, feliz e arreganhado como uma debutante na entrada do salão. E covardia porque — essa é mais simples — é melhor e mais inteligente enxergar o que é bom e ignorar, varrer para debaixo do tapete, o que é ruim.

Conheço gente que adora viver em São Paulo, apesar do trânsito e do alto custo de vida; que adora viver no Rio, apesar da violência e da soberania das favelas; ou que adora viver em Floripa, apesar da invasão das subcelebridades espetaculosas. Vejam que nesse tipo de formulação frasal sempre existe um “apesar de”, o que nos leva à simétrica conclusão de que uma formulação contrária também seria válida. Você detesta a violência, a favelização, o caos no trânsito e as subcelebridades, mesmo assim gosta de morar em São Paulo, Rio ou Floripa.

Ou Blumenau. Quer dizer, quem gosta de ficar por aí expressando a sua a-do-ra-ção pela cidade em que vive nada mais está fazendo do que imitar o figurino. Agora deixem-me seguir o meu caminho porque o tempo urge e a vida, pois é, ela continua.

Comentários (3)

  • Amanda diz: 16 de setembro de 2011

    Oi Maicon..

    Eu tmb amoo Blumenau !!! Amo morar Aqui…não troco essa cidade por nada !!

    Concerteza a melhor cidade do mundo para se viver !!

  • Mariela diz: 16 de setembro de 2011

    EU gosto bastante de morar em Blumenau. Ja morei em Floripa, em Joaçaba e movi mundos e fundos pra voltar pra ca. Mas não foi sempre assim…Quando não gostava admitia sem problema algum.

  • vasco dos santos diz: 19 de setembro de 2011

    Como sempre vc coloca com pertinência mais uma questão da vida cotidiana, Maiacowiski já dizia para amarmos nossa aldeia, Blumenau minha terra natal nem precisa ser aldeia, para o bem ou para o mal ela está acima de nossa implicância, pode ser linda como Vera Fischer ou distante como o Passo Manso, para mim sempre será a tradução do HOMEM AZUL NÁUTICO, blu-men-au=blue man nau

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