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Perdeu a graça

20 de setembro de 2011 1

De vez em quando me pego pensando nas vantagens e desvantagens da internet. Isso normalmente acontece depois que converso com alguém de pouca idade, que encontrou a revolução pronta e não teve a chance de participar da grande mudança proporcionada pela popularização da web.

Antes era tudo tão demorado; hoje é tudo tão rápido, tão frenético, tão obscenamente imediato!

À paciência e ao vagaroso prazer da descoberta, a internet, justamente por resolver um problema grave de acesso à informação, acabou nos obrigando a viver num mundo de verdades reveladas, de descobertas instantâneas e de superficialidade reinante.

Antes da internet, ou pelo menos até o momento em que ela ainda era um artefato de vizinhos excêntricos e endinheirados, ouvíamos um boato tresloucado, uma fofoca sobre a estrela de cinema, uma barbada do mercado imobiliário, uma teoria da conspiração… e ficávamos dias, talvez semanas, cogitando o caso com os amigos até termos o esclarecimento final dos fatos.

Nos dias atuais, como se sabe, bastam duas ou três googladas para compararmos os dados e descobrirmos a “verdade” por trás dos boatos, das fofocas, das barbadas e especialmente das teorias da conspiração, que, diga-se de passagem, perderam todo o glamour.  

Ninguém mais tem a oportunidade de acreditar que haja túneis secretos em Blumenau, que descobriram fotos da Scarlett Johansson pelada (fotos que imaginaríamos ao invés de visualizar na tela do laptop), que estão vendendo terrenos em solo lunar ou que existem alienígenas aprisionados pelo Pentágono. Eita mundinho mais insosso, sô!

Esse meu pensamento retroativo — vamos chamá-lo assim — me faz lembrar de um tio lá de Ituporanga e da máxima de que os avanços tecnológicos, além do estranhamento previsto, trazem uma saudade comparativa a cada geração.  O meu tio adorava assistir TV, mas só na época em que ela pegava mal, ou nem pegava, consistindo a programação em chiados e chuviscos que dominavam a velha Telefunken.

Quando a coisa evoluiu e as televisões começaram a funcionar com a nitidez de um espelho, o tio desistiu da telinha e saiu em busca de uma nova forma de entretenimento. Por que fez isso?

— Simples — foi a resposta. — Antes, quando eu tinha de adivinhar o que estava acontecendo na novela, a diversão era garantida. Agora, com essa clareza de som e imagem, o brinquedo perdeu toda a sua graça…

Comentários (1)

  • vasco dos santos diz: 20 de setembro de 2011

    Bem o que perdeu a graça mesmo foi o tempo linear, passado,presente e futuro, agora temos o ciberespaço e tudo o mais, porém sou obrigado a concordar que a época dos carbonários era bem romântica, li ” Os Carbonários” do alfredo sirkis, e sempre sinto um pouco de saudade do papel carbono que manchava os dedos, viva a literatura!

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