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Uma da enchente

21 de setembro de 2011 2

Ontem eu estava tomando um copo de café com meu amigo José Endoença quando ouvi, por parte da senhora que cuidava do quiosque, um curioso relato sobre a última enchente:

— Vejam só como são as coisas! Enquanto lá na nossa rua estávamos todos alagados, a minha vizinha, coitada, que tem dois rottweilers, foi obrigada a amarrar os bichinhos na sacada do segundo andar. Ela chegou ao cúmulo de separar a água e a comida das crianças para não faltar nada aos cães. De repente, antes mesmo do lodo baixar, apareceu uma louca de canoa — de canoa, veja bem! — e começou a xingar a minha vizinha, coitada, dizendo que ela estava maltratando os cães e que não podia deixar os pobrezinhos dos animais ali naquela situação, presos pelas coleiras. Ai, meu Deus do céu, mas a minha vizinha é muito da mansa mesmo! Eu, se fosse ela, dava um jeito de soltar os bichos em cima daquela ignorante montada naquela porcaria daquela canoa, que não tinha nada que se meter com os cachorros das outras! Ficaram batendo boca a tarde inteira, enquanto o resto da cidade corria, ou melhor, nadava atrás de comida e água potável para enfrentar a enchente. Tem pessoas que não se tocam mesmo, né não?!

Ao ouvir o caso, imediatamente apontei o dedo para o José Endoença e sentenciei:

— A culpa é dele!

Claro que pensaram que eu estava de bobeira, mas não, acho que nunca falei tão sério em toda a minha vida. Graças a professores como o Zé, há algumas décadas o mundo começou a se defrontar com uma nova realidade: a visualização das minorias. É lógico que isso possui um lado bastante positivo. Hoje, o público feminino e a comunidade negra, bem como a turma dos GLS e as sociedades protetoras de pets gozam de direitos nunca dantes imaginados no mundo dos homens brancos ocidentais.

Em compensação, hoje também não é raro encontrar malucos que prefiram “dar a vida” para defender o que consideram maus tratos a uma dupla de cães a estender um dedo para ajudar crianças indefesas, já que essas, problemáticas como todo o ser humano, um dia crescerão e ajudarão a semear o mal sobre o planeta… Pensando bem, até que a ideia não é má. É bem melhor dedicar os nossos esforços aos animais, que deitam e rolam quando mandamos, que se enroscam em nossas pernas e lambem nossas mãos, do que gastar tempo com as pessoas, tão complicadas, que cedo ou tarde dão um jeito de demonstrar o seu egoísmo e a sua ingratidão.

De um jeito ou de outro, sempre vale a pena apontar o dedo para o Zé Endoença e lembrar que a culpa é dele!

Comentários (2)

  • Mariela diz: 21 de setembro de 2011

    Kkkkk em 2008 tive que trancar meu rottweiler na lavação…Queria que alguém tivesse vindo reclamar!!! Ele iria adorar provar outro tipo de carne que não a do meu braço.

  • vasco dos santos diz: 21 de setembro de 2011

    Bem, eu ainda sou daquela música ” troque seu cachorro por uma criança pobre”, mas entendo que a auto-estima comporta os mais diferentes espaços do cotidiano humano, assim como os franceses gostam de dizer :- Viva a diferença!

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