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Santa quarentão

23 de setembro de 2011 0

Folhear a primeira edição do Santa, publicada há exatos 40 anos, foi uma experiência instigante e curiosa. Eu já havia tido a mesma oportunidade com o número de estreia do Diário Catarinense, mas o Diário, tão mais jovem, não me despertou o mesmo estranhamento. Em 1986, com idade suficiente para ver e tentar entender o mundo pela TV, acabei fixando na memória alguns acontecimentos importantes do período, inclusive o lançamento do próprio Diário, com a primeira redação inteiramente informatizada da América Latina.

Com o Santa, o impacto veio mais forte, pois o Santa, um jornal tão íntimo, praticamente meu vizinho de porta, foi lançado no longínquo ano de 1971, época em que eu e boa parte dos que agora me leem sequer figurávamos como projetos de existência. O mundo parecia ser muito remoto naquele então. Seja como for, a primeira edição saiu magra, modesta, tímida, tateante, embora pretendesse, através da distribuição e do editorial, dialogar com todo o estado de Santa Catarina – daí o seu nome, é claro.

Como conseguiram a façanha de manter um jornal estadual por tanto tempo, transportando-o em lombo de jipes e caminhonetas de entregas rápidas? Sem tirar o mérito dos pioneiros, só posso encontrar explicação no fato de que, há 40 anos, as estradas de Santa Catarina eram melhores, muitos melhores do que são hoje! No quesito editorial, impressionaram-me a quantidade e o detalhamento de notícias internacionais, com nomes como Eva Perón, Nikita Kruchev e Mao Tse Tung ocupando os “leads” e as manchetes. A edição também reservou um belo espaço para notícias e comentários sobre o assassinato de Carlos Lamarca (o que deve ter feito os BFs da época salivar), taxado como uma espécie de “último grande terrorista” nos editoriais comprados d’O Globo e do Estado de S. Paulo.

Por fim, as notícias locais, fraquinhas, ainda que a capa denunciasse: “Esgoto só existe em duas cidades de Santa Catarina”. Era como se nada relevante acontecesse aqui; ou, por outra, como se ainda não soubéssemos prestar atenção no nosso próprio umbigo, coisa que o Santa atual faz de forma obsessiva, sistemática e contundente. Vivendo e aprendendo.

P.S.: aproveitando os 40 anos do Santa, eu tinha uma surpresa, uma espécie de presente, para apresentar no último parágrafo desta coluna. Infelizmente, as circunstâncias me levaram a guardar a surpresa para a próxima sexta-feira. Até lá, peço que me aguardem. Por ora, desejo a todos um bom fim de semana.

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