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Leitura, leitura!

26 de setembro de 2011 1

Várias vezes perguntei aqui na coluna se nós realmente queremos a leitura.

O “nós” que eu digo são os pais, os professores, os governantes, a sociedade. Diante de tantas campanhas a favor do livro e sua difusão, minha pergunta deveria ser de uma estupidez imperdoável. Infelizmente, não é.

Não sei se vocês já perceberam, mas certos representantes de instituições vagas como “a moral e os bons costumes da família cristã” fazem o impossível para impedir que a literatura chegue aos jovens.

Harry Potter faz sucesso? Então não presta! A Bússola de Ouro caiu no gosto da garotada? Mande queimar, pois o autor tem parte com o diabo! É assim que se acendem as fogueiras da ignorância e do obscurantismo.

Boa ou má, a literatura não precisa nem deve ter compromisso com sistemas políticos, morais ou religiosos. Mesmo assim, a partir de questionamentos sobre o próprio texto, ela conseguirá problematizar a política, a moral e a religião.

Não é isso que queremos dos nossos estudantes, que pensem com a própria cabeça? A retórica diz que sim, mas as campanhas bem ou mal sucedidas contra os livros supracitados provam o contrário.

Se romances infanto-juvenis merecem proibição, então, para sermos coerentes, também precisamos proibir clássicos como O Cortiço, que possui cenas de lesbianismo, além de toda a obra de Machado de Assis, um obcecado pelo tema do adultério, e a de Shakespeare, mais sanguinária que os noticiários da tarde.

Por incrível que pareça, boa parte da Bíblia Sagrada é composta por histórias de violência, traição, sadomasoquismo e incesto. Definitivamente, não é um livro indicado para menores de 18 anos!

O que a escola e os pais — a sociedade, enfim — precisam entender é que o mais importante não está no que lemos, mas COMO lemos. Nas mãos de um bom leitor, ou de um leitor adequadamente orientado por seus professores, o pior dos livros pode se tornar um libelo contra os preconceitos e a tacanhice.

Mesmo assim, o que mais aparecem são correntes de e-mails advertindo as famílias contra este ou aquele livro — o mesmo acontecendo em relação a filmes, games e outros produtos culturais —, considerados o veneno que há de corromper a integridade moral de nossos jovens, coitadinhos, tão inocentes do mundo e seus percalços.

De duas, uma: ou realmente estimulamos a moçada a ler com os olhos livres, ou ressuscitamos o INDEX e os tribunais da inquisição.

Comentários (1)

  • Edson M. Lessa diz: 28 de setembro de 2011

    Hoje, na seção de cartas, observei um advogado criticando tua opinião sobre Igrejas. Te acompanha diariamente. Quero parabenizá-lo pela coluna e sobretudo por tuas opiniões. Essa mesmo sobre as Igrejas, foi sensacional. Uma “porrada”! Estás coberto de razão. Aproveito para te solicitar novamente, que escrevas alguma coisa boa sobre a minha querida Ilhota. Um abraço. Mais uma vez, Parabéns.

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