
Cauê Nascimento, Conselho de Blogueiros
Juscelino Vieira da Conceição nasceu em 19 de Setembro de 1955, em Giruá. Com onze anos, aconteceu na sala de aula algo que lhe marcaria para sempre. O professor Rubelin Mative, ao falar em música, pronunciou a seguinte frase: "Como é maravilhoso despertar na capital gaúcha ouvindo Gildo de Freitas cantar!". Aquele momento ficaria gravado para sempre em sua memória. Também justificaria, mais tarde, a sua extrema identificação com o ídolo, que viria a interpretar com naturalidade.
Passou o tempo e, aos quinze anos, ele adquiriu o primeiro violão. Começou a estudar música, tendo imensa facilidade ao interpretar as músicas de Gildo de Freitas. Demonstrando um sentimento sincero, de puro prazer, ao cantar músicas do ídolo, nascia ali O Cancioneiro, embora naquele tempo não tivesse ainda este nome artístico.
Com dezoito anos, ele deixou o interior de seu município, onde trabalhava na lavoura, e foi para a cidade em busca de algo em que acreditava e sonhava . Aos poucos, envolveu-se no meio musical, apresentando-se em programas de rádio. Em 1979, iniciou um programa na Rádio Giruá, com o título Roda de Chimarrão. Em 1982, foi eleito vereador sendo um dos mais votados no município de Giruá. No mesmo ano também gravou o seu primeiro disco, intitulado "Herói da Terra", com todas as músicas de sua autoria.
Em 1990, já com o segundo disco gravado (que trazia o nome artístico "Juscelino" e o subtítulo "O Cancioneiro das Missões), tomou uma decisão difícil: rumou para a Capital junto com a esposa e os quatro filhos, em busca daquilo que sempre sonhou. Foi com o coração partido que deixou a terra natal, mas, também, com muita convicção.
Cancioneiro mora, há 20 anos, no bairro Fátima
Foi com a ajuda de Gugu Streit que Juscelino pôde conhecer Carminha de Freitas (viúva de Gildo) e, também, verificar a possibilidade de gravar uma música de Gildo. O encontro foi emocionante. Dona Carminha pediu para Juscelino cantar uma música de Gildo e alcançou-lhe o violão que pertenceu ao artista. Foi um momento ímpar e inesquecível, pois durante a interpretação da música as lágrimas corriam dos olhos de dona Carminha, que ficara completamente comovida ao ouvir aquela voz, com tamanha semelhança à de Gildo de Freitas.
A partir de então, Juscelino recebeu o apoio incondicional de dona Carminha de Freitas e de sua família para gravar as músicas do mestre. Assim, pela primeira vez, ele obteve a liberação para gravar duas músicas de Gildo de Freitas - História dos Passarinhos e Homem Feio Sem Coragem Não Possui Mulher Bonita - e completar seu terceiro disco com chave de ouro. Por sugestão da gravadora, o seu nome artístico passaria a ser O Cancioneiro.