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Posts de novembro 2013

O lago do Capão do Corvo preocupa

01 de novembro de 2013 0

Por Mário Amaral Teixeira, do Conselho de Blogueiros

Mais uma vez, a situação do lago no Parque Municipal Getúlio Vargas (Capão do Corvo) é muito preocupante. Em 2010, publiquei neste espaço esse grave problema. Na época, o então assessor de gestão do Meio Ambiente, Eugênio Ávila, deu explicações sobre o incidente.

Crédito: Mário Amaral Teixeira/Arquivo Pessoal

 

Segundo ele, a vegetação se proliferou de forma desordenada devido a um vazamento de material orgânico (tipo esgoto) que ocorreu para dentro do lago. Ávila informou também que a empresa Biotrakto tinha interesse em fazer a remoção da planta para aplicar em um projeto de bioremediação — auxiliar no combate a poluição dos rios, por exemplo.

Parte do material retirado do lago foi cedido para estudos da empresa. O biólogo e sócio da Biotrakto, Anderson Soares Pires, me deu mais explicações:

— Na verdade, a planta é uma samambaia aquática. Ela se alimenta de material orgânico que, de uma forma ou de outra, está sendo derramado no lago.

Para o biólogo, de certa forma, esse material pode prejudicar a vida existente no lago e complicar a fotossíntese, devido à falta de luminosidade que proporciona.

Em relação à eliminação definitiva das samambaias, o biólogo diz que a solução seria acabar de vez com a fonte de contaminação. Do contrário, as plantas continuarão a se multiplicar, mesmo que sejam retiradas de tempos em tempos.

Há cerca de duas semanas, estive no parque e pude constatar a grave situação e a insatisfação das pessoas que costumam frequentar o Capão do Corvo.

— É um absurdo que um lago tão belo como este esteja assim, tomado por essas plantas e ainda cheio de mato — comentou uma senhora, que interrompeu a corrida para se pronunciar.

— Eu costumo trazer meu filho ao parque. Ele tem me perguntado onde estão as tartarugas e por que a água sumiu. Eu ainda vejo o risco de que alguma criança desavisada entre lago adentro, pois a vegetação se confunde com a grama — comenta outro visitante.

Ficam algumas perguntas: será que o ocorrido em 2010 não serviu de alerta? A Secretaria Municipal do Meio Ambiente findou a parceria com a empresa? Até quando os animais que ali vivem estarão sujeitos à sorte?

(((CONTRAPONTO)))

O que diz a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA), por meio de sua assessoria de imprensa

A fim de preservar a qualidade ambiental e a beleza do lago do Parque Getúlio Vargas, a prefeitura de Canoas, por meio da SMMA, realizará investigações sobre as possíveis causas da proliferação dessas espécies vegetais. O órgão fará estudos principalmente no que diz respeito a uma possível fonte de carga orgânica e realizará o controle mecânico através da coleta, do transporte e da disposição final adequada.

Essas são plantas aquáticas flutuantes que, em seu conjunto, são denominadas macrófitas, popularmente conhecidas como alface d’água e marrequinha. Elas são essenciais ao perfeito equilíbrio do ambiente aquático, sustentando um elevado número de organismos. São também utilizadas como substrato para a desova e refúgio de vários organismos aquáticos, como peixes e insetos.

Espécies de macrófitas aquáticas flutuantes, em geral, se reproduzem intensamente e apresentam elevada taxa de crescimento. Estas características, quando associadas a condições favoráveis, frequentemente resultam em proliferação indesejada desses vegetais havendo prejuízo estético e desequilíbrio do ambiente aquático com consequente redução qualidade da água e o comprometimento da fauna e flora a ele associada.

De acordo com Melchiades Hertcert Neto, diretor de Parques e Praças, a parceria com a Biotrakto não prosperou. A empresa terceirizada que realiza o serviço de manutenção do parque, e que inclui o lago, é a Mecânica Capina. Uma equipe com barcos e coletes salva-vidas realiza a limpeza da água pela manhã e do restante do parque à tarde. Por falta de profissionais especializados, ainda deve demorar até o fim do mês de novembro para que a limpeza completa seja concluída. A secretaria, porém, está em contato com a subprefeitura da região para receber apoio e finalizar o serviço.

 

Catulo Flores, um maestro que é mestre

01 de novembro de 2013 0

Matheus Beck*

Há uma teoria entre os músicos defendendo que o piano é o instrumento mais completo. Na corrente que discorda dessa afirmação, estão os violonistas. Eles defendem que o violão está no mesmo nível, pois também é possível combinar melodia, harmonia e ritmo – e quem atinge este patamar à perfeição pode ser considerado um maestro. Por isso, Catulo Flores, músico que acompanhou intérpretes como Elis Regina e Jair Rodrigues, não se restringe a um acompanhante de luxo. O maestro é mestre.


 

 

Nascido em São Jerônimo, na Região Metropolitana, Catulo teve o destino traçado na pia batismal. O pai Hermínio, carpinteiro dos bons, nomeou o filho a partir do poeta nordestino do século 19 Catulo da Paixão Cearense. O autor de hinos sertanejos, como Flor Amorosa e Luar do Sertão, foi um dos responsáveis pela valorização do violão na música popular brasileira. O patriarca da família Flores, sabido que só ele, colocou o filho nas lides para ajudá-lo a fabricar – adivinhem – violões.

– Nasci com o instrumento na mão e sempre fui estudando a música – reconhece Catulo, hoje com 76 anos.

Mas ele também sabia que apenas a alcunha não o levaria a lugar algum. Por volta dos 10 anos, se mudou com a família para a Capital e passou a aprender mais sobre o violão. Ainda adolescente ingressou na noite porto-alegrense, na qual contabiliza 37 anos de dedicação à boemia.

No final dos anos 1960, entrou no conjunto Caravelle. Foi um dos responsáveis pela transição dos tangos e boleros nos salões gaúchos para os ritmos vindos dos Estados Unidos e da Inglaterra.

– Não existia guitarra. Acho que fui um dos primeiros a tocar violão elétrico – diz.

Uma guinada com os programas ao vivo na TV

A subida na carreira, no entanto, se deu a partir dos anos 1970 com a explosão dos programas ao vivo na televisão. Foi integrante fixo da orquestra do canal 12 e acompanhou tantos artistas que até perde a conta: Erasmo Carlos, Agnaldo Timóteo, Vanderléa.

Como muitos viajavam sem a própria banda _ pois, segundo Catulo, era caro deslocar tanta gente e equipamento no avião –, eles convidavam músicos locais. Catulo, já reconhecido e íntimo de muitos empresários, conhecia os atalhos:
– Uma vez, um empresário argentino me convidou para tocar lá me convencendo que o Carnaval, no Brasil, era de quatro dias, e lá, de quarenta. Então eu buscava um trompetista, um baterista. O Orlando Silva queria que eu fosse para o Rio. O César Passarinho quis que morasse em Caxias do Sul. Mas não podia sair. Já tinha minha vida aqui.

Mais ou menos neste período Catulo passou por uma das principais transições na vida. Com a vida pessoal conturbada por tantas viagens e com um grupo fixo de alunos, decidiu se recolher. Trocou as noites em bares pelas manhãs com os estudantes de violão. Atualmente, no pequeno apartamento da Rua Gonçalves Dias, no centro de Canoas, leciona da manhã até a noite para dezenas de jovens.

Como professor, ele admite, tem de se desdobrar para conhecer um pouco de tudo. Jura não buscar a perfeição, porque acredita que tal coisa não exista. Mas tenta chegar perto combinando duas culturas musicais.

– A técnica espanhola é uma das melhores. Já na harmonia não tem como os americanos. Hoje os caras atiram nota para cima e acham que fazem música boa – analisa.

E sublinha:
– A música, como tudo, tem de evoluir.

*matheus.beck@zerohora.com.br

Parceiro de Elis e com nome de mito, Catulo Flores dá aulas de música no Centro de Canoas

01 de novembro de 2013 0

Catulo Flores tem 76 anos. Metade deles vividos em bares e boates do Brasil. Como guitarrista de orquestras de televisão tocou com Elis Regina, Jair Rodrigues, Erasmo Carlos.

Também fez parte de conjuntos gaúchos famosos, como o Caravelle, e excursionou por vários países. Hoje professor de música no Centro, mestre e maestro Catulo apresenta sua interpretação de Love of My Life, clássico da banda britânica Queen.

A matéria completa está na edição desta sexta-feira do Mais Canoas.