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Posts de janeiro 2014

Futuro do ensino passa pela periferia

20 de janeiro de 2014 0

Por Matheus Beck

Forjado dentro do Fórum Social Mundial, em 2001, o Fórum Mundial da Educação chega à cidade. Entre os dias 21 e 23 de janeiro, o ensino nas regiões metropolitanas e de periferia será o tema principal das discussões que tomarão conta da Ulbra. Com desempenho abaixo das médias estadual e nacional, instituições, alunos e professores de Canoas buscarão no evento modelos para impulsionar o aprendizado no município.

Conforme os dados de 2011, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) das escolas públicas de Canoas, nas séries iniciais e finais do Ensino Fundamental, é de 4,8 e 3,6, respectivamente. O desempenho médio do Rio Grande do Sul é pelo menos 0,3 pontos superior em ambas as séries. No Brasil, a média é semelhante à estadual nas séries finais e apenas 0,1 pontos abaixo nas séries iniciais. Em cenário tão negativo, a Secretaria Municipal da Educação passou a estimular novas experiências.

Crédito: Tadeu Vilani

A Escola Erna Würth, do Guajuviras, que segurava a lanterna deste índice, tenta aplicar desde o ano passado uma versão própria da Escola da Ponte, método português que prega a divisão por conteúdos e não mais por disciplinas. A metodologia, embora adotada há pouco tempo, deve ser replicada em outros três colégios de outros três quadrantes da cidade. Segundo o secretário Eliezer Pacheco, a transição está em discussão, mas deve gradativa:

— Nunca se generaliza uma experiência de cara. Mas é preciso ter coragem e ousadia em mudar. As pessoas têm medo.

A apreensão das famílias dos estudantes não é que a iniciativa não dê certo, mas que não haja tempo para que ela se desenvolva sem os recursos necessários. A funcionária pública Rosi Mari Peres, mãe de dois alunos do 8º ano, conta que ambos os filhos foram aprovados “com pendências”, conforme foi citado na avaliação final. Para ela, a falta de infraestrutura e o despreparo dos professores são os principais vilões:

— Foi um ano muito confuso. A cada mês, houve mudanças. Projetos não terminaram por falta de material. E no final do ano aderiram ao abre o livro, copia e aprende. Tinham de ter condição de primeiro mundo para fazer isso. O prejuízo vai ser grande quando os alunos saírem ao mercado de trabalho ou fizerem concursos públicos — lamenta.

Pacheco concorda que a falta de investimento na parte estrutural é o principal ponto negativo. Para corrigir isso, de acordo com o secretário, todos os professores da rede municipal devem ganhar computadores pessoais ao longo do ano. Também serão distribuídas duas lousas digitais para cada escola de ensino fundamental e médio, e uma para escolinhas infantis. Outro projeto de maior magnitude começa a ser posto em prática em 2014. Uma rede de fibra ótica deverá conectar todos os prédios públicos — e, por consequência, as escolas — para facilitar a troca de conteúdos e aproximar as instituições à realidade dos estudantes.

O secretário ainda reforça que o fórum é aberto à participação do público. Quem quiser participar e sugerir ações, pode fazê-lo.

— Queremos transformar Canoas em referência na educação. E esse não é um tema exclusivo de educadores, mas da sociedade — resume Pacheco.

matheus.beck@zerohora.com.br

 

PROGRAMAÇÃO

Confira os principais eventos dentro do fórum, na Ulbra (a maioria das atividades são no prédio 17)

21 de janeiro

9h — Abertura oficial

10h — Debate Pedagogia, Territórios e Resistências

13h30min — Mostra de teatro popular Onde? Ação Nº 2, com o grupo Ói Nóis Aqui Traveiz

14h30min — Grupos de trabalho (em seis auditórios distintos)

19h — Seminário Experiências Inovadoras em Educação, com José Pacheco (auditório 219, no prédio 1)

22 de janeiro

9h — Debate Educação, Ambiente e Sustentabilidade

14h — Grupos de trabalho: em seis auditórios distintos

19h — Seminários (auditórios 219 e 220, no prédio 1)

20h — Show de Mônica Tomasi e Nelson Coelho de Castro

23 de janeiro

9h — Debate Gestão Democrática — A Educação como Direito Humano

11h — Encerramento

Fique ligado

Ulbra — Avenida Farroupilha, 8.001

Informações: www.fmecanoas2014.com.br

A história da Avenida 15 de Janeiro

17 de janeiro de 2014 0

Por Cauê Nascimento, do Conselho de Blogueiros

Crédito: Matheus Beck

Em 15 de janeiro de 1940 foi instalado o município de Canoas, criado pelo Decreto Estadual nº 7.839, de 27 de junho de 1939. Edgar Braga da Fontoura foi o primeiro prefeito e, naquela época, a cidade contava com 40.128 habitantes.
De lá para cá, se passaram 74 anos e a data perpetuou-se em uma das principais avenidas do Centro. A Avenida 15 de Janeiro tem ao longo de seu trajeto diferentes atrativos: o conjunto comercial Canoas _ o primeiro shopping center da região na década de 1970 _, as taças da Corsan que, em breve, serão transformadas em um parque, a gruta e o castelinho do La Salle, lojas, igreja, bancos, agências dos Correios, o prédio da prefeitura e a Praça da Emancipação, que conta com o monumento O Futuro, do escultor Vinicius Cassiano.
O objetivo deste post é proporcionar a vocês, leitores, breves noções de conhecimento histórico sobre o porquê do nome de uma das artérias do coração canoense.

Topa de elite da inovação

17 de janeiro de 2014 0

Por Matheus Beck

Se o município das canoas, dos trens e dos aviões parece não ter mais como expandir, um grupo de trabalho formado por gestores municipais e empresários voluntários do setor privado irá buscar formas alternativas de desenhar seu futuro. O Núcleo de Inovação, lançado nesta semana em Canoas, pretende revolucionar o perfil da cidade.

Crédito: Tony Capellão/Divulgação

Serão ao menos oito encontros ao longo do ano, em uma espécie de brainstorm (levantamento de ideias) em grande escala, para desenvolver ações efetivas que podem sem aplicadas na realidade canoense. Responsável pelo planejamento, formulação e conteúdo do projeto, Gustavo Grisa destaca que as reuniões serão a única parte conceitual. De lá sairão apenas aplicação no dia a dia da cidade.

— Quando a inovação não se torna prática, ela é apenas intenção e teoria — define Grisa.

O Núcleo funcionará em paralelo às políticas públicas a fim de encontrar a melhor forma de aplicar os investimentos. As estratégias serão divididas em três células: educação, soluções urbanas e economia inovadora. A primeira etapa começa no final deste mês discutindo o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE Canoas 2022) e a adesão de tecnologias inovadoras ao ensino. Em abril, o grupo avança para o debate sobre mobilidade urbana e sustentabilidade, e, em junho, abre a discussão sobre empreendedorismo e fomento a empresas de base tecnológica e inovadora. Um bom momento para, segundo o historiador e gestor cultural Günter Axt, um dos integrantes do Núcleo, parar e pensar o papel de Canoas.

— Os governos municipais vêm melhorando as cidades. Mas a demanda diária é tão avassaladora que não se tem tempo de parar para pensar e inovar. Isso se estende à população. A criança que conhece seu bairro vai saber sua identidade e como dialogar com o horizonte — afirma Axt.

De acordo com o prefeito Jairo Jorge, modelos como os das cidades de Bilbao e Barcelona, na Espanha, e de San Francisco, nos Estados Unidos, são exemplares. Porém, não espera que Canoas se torne o Vale do Silício gaúcho. Ele entende que a cidade tem o potencial de se tornar um multipolo, que contempla tanto as características industrial e comercial atuais quanto o perfil logístico e inovador.

— A riqueza das cidades está na diversidade. Canoas pode ser o epicentro da busca por novas soluções, como a biotecnologia. Temos que pensar seu futuro e desenhá-lo. Senão, esvazia como as outras. Temos de reinventá-la — conclui.

 

Três ideias para inovar

O Núcleo de Inovação será composto por três células que irão fundamentar o desenvolvimento das ações estratégicas: educação, soluções urbanas e economia inovadora. O Mais Canoas conversou com os especialistas e apresenta a tríade de possibilidades que podem ganhar forma na cidade nos próximos anos.

Colaborar e compartilhar

Coordenador do curso de Comunicação Digital da Unisinos e co-criador do PortoAlegre.cc, a primeira wikicidade do mundo, Daniel Bittencourt participou do desenvolvimento de uma plataforma digital voltada à educação em Minas Gerais. Através desta ferramenta online, 250 professores de 10 cidades podem compartilhar soluções para serem aplicadas em salas de aula. Ele cita o exemplo de uma representação das camadas do solo feita com garrafa pet, algo de baixa tecnologia, replicada em outras escolas por meio de uma espécie de rede social.

— Isso poderá inspirar o professor a se apropriar das tecnologias — afirma.

Bittencourt confessa acompanhar de perto a realidade canoense há três ou quatro anos, e se diz empolgado com a oportunidade. Segundo ele, o foco na inovação é uma tendência em outros lugares. No estado norte-americano de Massachusetts, por exemplo, existe a figura do chefe de inovação governamental. Isto não significa, entretanto, que o modelo deva ser apenas imitado.

— Ele serve para os Estados Unidos. Temos de criar o nosso de acordo com nossas características — sentencia.

 

Esgotar as possibilidades

Sete horas da manhã. Você ingressa na BR-116 e ela está, como de costume, congestionada. O raciocínio imediato é: “Por que não temos mais estradas, vias mais largas ou mais opções de transporte público?”

Para Ricardo Felizzola, presidente da HT Mícron e coordenador do Conselho de Inovação e Tecnologia da Fiergs, o pensamento tem de ser mais profundo. Por que os taxis não podem ter mais de um passageiro? Por que não estabelecer um período de trabalho que funcione uma hora depois de Porto Alegre? Possivelmente, os trens estariam mais vazios, as rodovias com menos carros. A solução é utópica, mas dá de ideia de como o Núcleo pensará.

— Temos de usar os recursos com mais conhecimento. Quando chegar ao limite, aí sim, fazemos um investimento, que será mais barato e acontecerá amanhã. Quando começamos a fazer diferente, surge a inovação — define Felizzola.

Dentro da célula Soluções Urbanas, além do tema mobilidade, serão tratadas as questões relacionadas à eficiência energética, ao comportamento sustentável, ao engajamento da população e à valorização dos espaços urbanos.

 

Diversificar as fontes de fomento

A rivalidade Gre-Nal chega ao mundo empresarial gaúcho. O dérbi da vez é entre o público e o privado. Ou o empreendedor enfrenta todos os riscos de abrir o negócio com dinheiro do próprio bolso ou terá de depender de financiamentos do governo e suas infinitas exigências. De acordo com o diretor da Agência de Gestão de Empreendimentos da PUCRS e presidente do Conselho Regional de Economia do Rio Grande do Sul, Leandro de Leal, o Núcleo buscará a criação de mecanismos para atrair investimentos:

— Todas as cidades brigam (por investimentos), mas não criam mecanismos próprios e não sabem lidar com os incentivos fiscais. Se o município criar uma ferramenta de fomento, vai atrair com mais velocidade. Leal convive diariamente com os desafios do Tecnopuc, que já atraiu unidades do Google e da Apple, por exemplo. A criação de parques científicos e incubadoras tecnológicas pode fazer parte das estratégias.

— Não adianta só melhorar o transporte para passar por Canoas. Tem que fazer com que os profissionais fiquem aqui. Passar de passagem para destino — conclui Leal.