
Por Cauê Nascimento, Conselho de Blogueiros
Em março de 1987, anunciava-se a desativação do canteiro de obras do Conjunto Habitacional Ildo Meneghetti, do Projeto Guajuviras. O trabalho era realizado pela construtora Gus Livonius, e foi noticiado que sua paralisação se devia à burocratização para envio de recursos pela Caixa Econômica Federal, Cohab e Secretaria do Trabalho e Ação Social.
Começava aí a revolta popular. Milhares de casas abandonadas inacabadas, sem ninguém para morar e nem para se responsabilizar para solucionar o problema. No final de março, o presidente da Cohab/RS visitou o Guajuviras, junto ao prefeito Carlos Giacomazzi. Ele anunciou, então, que em fins de junho seriam entregues 1,2 mil unidades habitacionais aos interessados, junto a três escolas.
Mas os problemas do conjunto não terminaram aí. Pelo contrário, eles começaram neste ponto. A demora para a conclusão da obra deixou impacientes as pessoas inscritas para a ocupação. E a impaciência, a irritação e a falta de lugar para se fixar durante a longa espera fizeram com que um grande grupo de pessoas tomasse uma atitude: invadir o Guajuviras, na madrugada da sexta-feira santa, 17 de abril de 1987. Sua resolução também foi impulsionada pela onda de invasões, que já estavam acontecendo em Alvorada, e consequentemente, pelo medo de que outras pessoas invadissem primeiro.
Lá existiam quase 6 mil moradias (casas e blocos de quatro andares, quatro apartamentos por andar). Hoje, associações de moradores estimam que passe dos 70 mil.
A foto deste post registra momento histórico em que se encontra parte do grupo que representavam as quadras de moradores em reuniões, lutando por melhorias. Nela estão o atual prefeito de Canoas, Jairo Jorge, o senador Paulo Paim, o deputado federal Marco Maia, Antonio Carlos Teixeira Vianna, (que hoje denomina praça do bairro,ao lado da Brigada Militar), seu irmão Paulo e outros lideres comunitários. No local desta foto foi o X Barranco, e hoje é a Contel. Observa-se ao fundo a Escola Jussara Maria Polidoro.